Este é o Miscelânea, por Júlio Lucas

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sábado, 19 de janeiro de 2013

OUTRO OLHAR: Metacrítica (por Miguel Mensitieri)


Estreamos a temporada 2013 do MISCELÂNEA com uma velha novidade: a exemplo do espaço PAUSA PARA POESIA,  que pontua frequentemente este blog com trabalhos poéticos de autores diversos, resolvi também publicar crônicas e artigos críticos, que nem sempre refletem a opinião da nossa editoria mas levantam questões relevantes sobre assuntos variados. 
Pois bem, assim inaugura nosso OUTRO OLHAR, com seu artigo crítico sobre a crítica intitulado Metacrítica, o controvertido cronista, poeta e contista Miguel Mensitieri, autor do livro recentemente lançado Planos Entrelaçados.
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A indolência mental paralisa a vontade de ir além de uma estrutura simples, obriga a uma leitura de fácil assimilação apoiada no previsível e estratifica a percepção. É sempre bom navegar fora da ordem (sensação de descobertas), ir ao encontro de uma perspectiva caótica e, se possível, ordenar noutro nível tal desordem.
Críticos incipientes colocam a objetividade como principal condição para que se compreenda clara e simplesmente uma mensagem; eles não percebem a semente do dogma que germina e se instala na raiz dessas opiniões carentes de fundamentos teóricos e que respiram sob o signo do achismo – neologismo em ascensão.
Li um texto em que o autor condena com certo ranço de preconceito e em tom depreciativo alguns escritores que brincam com as palavras (os cordelistas adoram tal exercício criativo), rotulando-os de pretensos eruditos que se perdem em divagações subjetivas, produzindo textos vazios e herméticos. Ele não percebe que sem pretensão não se faz literatura. Quem mais pretensioso que Waly Salomão? E nem por isto deixou de produzir uma arte reconhecida e festejada. Quem mais pretensioso que o poeta português Fernando Pessoa que, por sua indiscutível universalidade, dispensa apresentação. Pretensão é vontade de ultrapassar limitações e isto se faz com muito trabalho. De uma pretensa erudição se abstrai importantes conhecimentos, num país sem educação de boa qualidade.
O autor afirma que o palavrório usado por muitos comunicadores não passa de uma tentativa de sobrepor ao comunicado conhecimentos que julgam possuir, com pretensa erudição. Nada se perde em literatura. O palavrório poderá ser transformado em texto cômico-satírico. Vitor Hugo é visto por alguns estudiosos como gênio literário, é autor de uma prolixidade imagética e lexical de encher os olhos e o saco, não obstante forte apelo social de seus romances. Não é grande a distância entre palavreado e prolixidade. O leitor inteligente e maduro é rápido na identificação de uma ironia.
Toda boa literatura deve, em determinado momento, envolver-se com o hermético, e todo grande autor navega meandros subjetivos. Não desprezo supostos “pretensos eruditos”, respeito-os por sua ousadia ao tentar buscar tal condição intelectual. Quantos eruditos existem no Brasil? Talvez dez, ou pouco mais que isto. Digo erudito no sentido mais amplo do termo. Devo salientar que não sou advogado dos milhões de “pretensos eruditos” desprezados pelo autor de “Crítica aos Críticos”. Prefiro um artista criativo sem erudição, a um grande erudito de frágil criatividade, ou nenhuma. Os cordelistas, quando não analfabetos, são limitados em gramática e outros conhecimentos, mas nos abrem páginas poéticas de grande beleza, no contexto da poesia popular. O genial Graciliano Ramos foi chamado de ignorante por importantes críticos e escritores do seu tempo.
Meu caro e bem intencionado articulista, ao citar Sócrates você deixou de acrescentar algo MAIS: ele sofisma ao dizer que “o que sei é que nada sei”. É um sábio que viaja ironicamente nas asas da modéstia e da humildade, no sentido de minimizar sentimento e convicção de superioridade; destarte, do alto de sua sabedoria proclama a fragilidade do gênero humano, sua pretensa insignificância, face à incomensurável grandeza do universo.
Tenho fácil interpretação para a expressão socrática “o que sei é que nada sei“. Se alguém sabe que nada sabe, já sabe alguma coisa, ou seja, sabe que nada sabe. Isto é lógica paradoxal. Sócrates é conhecedor de tudo que há em nada e de nada que existe em tudo.
É preciso fazer amor com o signo literário, ou jamais haverá simpatia e empatia entre leitor e texto à luz de cada parto.

Salvador, 25 de dezembro 2012.
Miguel Mensitieri.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

A quem interessa o fim do mundo que bate à porta mais uma vez?

O cinema explorou bastante a data fatídica antes da imprensa disseminar a opinião da ciência

Creio que esta seja a terceira vez que escrevo sobre o fim do mundo. Em 2000, antes da existência deste blog, publiquei um artigo no Jornal Actual, periódico local, intitulado: “Passamos pelo fim do mundo”. Mais recentemente revisitei o assunto, visto que as pessoas em toda parte do planeta parecem não conseguir viver sem tais previsões catastróficas. Nesta ocasião, a crônica foi postada neste blog: “Passamos pelo fim do mundo novamente”. Agora, resolvi fazer uma pesquisa na internet e encontrei mais de uma centena de datas frustradas do famoso cataclismo que me despertaram outra vez para o tema, sempre no intuito de desmistificá-lo. 
Autores fazem fortuna com publicações apocalípticas

Sejam religiosos, supersticiosos, místicos, pseudo-cientistas, empresários ou, simplesmente, lunáticos, o fato é que os anunciadores do apocalipse sempre encontram ressonância nos veículos de comunicação sem qualquer responsabilidade com as possíveis consequências das suas previsões. Sabemos que nenhuma das malfadadas profecias passadas culminou na destruição do planeta, senão não estaríamos aqui contando essas histórias. Mas, é certo que muitas delas acabaram por provocar tumultos, saques, suicídios, prejuízos financeiros, revoltas e até mesmo grandes tragédias. Em vários casos, no entanto, ocorreu fama e muito dinheiro para os falsos profetas e aproveitadores da situação. 
Stoeffler causou tragédia com sua profecia 

Um dos fatos mais famosos e trágicos da história foi o caso do catedrático de uma universidade e conselheiro da corte, tido como fonte idônea, Johannes Stoeffler. Por sua reputação na Alemanha, o astrólogo convenceria o conde Von Iggleheim a construir uma arca de três andares. Ele previu que aconteceria um dilúvio em 20 de fevereiro de 1524. Stoeffler falava sobre isso desde 1499. Centenas de livros foram publicados sobre o assunto, e muitos astrólogos confirmaram a teoria interpretando sinais da chegada da catástrofe. No dia previsto, logo pela manhã começou a chover torrencialmente. Uma multidão entrou em pânico e tentou invadir a arca. Tentando defender a propriedade, o conde matou uma pessoa com sua espada, mas morreu pisoteado. Antes do final do dia, a população local tinha se chacinado mutuamente. Crianças, velhos e mulheres sucumbiram no tumulto. A arca foi destruída. Diante do desastre que provocou e sobreviveu, Stoeffler argumentou que sua previsão se consolidara: afinal, uma desgraça tinha acontecido. E resolveu então prever novo fim do mundo para 1528. 

Mais recentemente outro suposto profeta ficou famoso: o pastor norte-americano Harold Camping, proprietário de uma rede de comunicação, previu várias vezes que o mundo iria acabar. Para ele, o apocalipse de 1994 não aconteceu por erro de cálculo e transferiu a data para 21 de maio de 2011. Desta vez, a defasagem foi de cinco meses e a grande catástrofe passou para 21 de outubro do mesmo ano. Por fim, após mais um fracasso profético, ele se convenceu que o erro estava nele, que não é gênio. Creio que esta tenha sido a coisa mais certa que ele revelou. 
Atualmente, toda vez que se anuncia o fim do mundo, novos produtos e serviços chegam ao mercado. Livros, artigos, documentários, conferências, filmes de ficção, séries e novelas televisivas e promoções publicitárias chamam atenção dos incautos e enchem as contas bancárias dos espertos. Lunáticos ou empreendedores conscientes sobre o pânico alheio investem tudo o que têm nas suas versões mirabolantes de arcas, abrigos anti-catástrofes e campos de pouso para discos voadores. Outros faturam oferecendo serviços de abrigos espirituais blindados durante o período em que o mundo estiver acabando. Vale lembrar que a passagem para um novo mundo, no entanto, não custa pouco, e o pagamento é sempre antecipado, obviamente. A celeuma também gera rendimentos aos especialistas que se dedicam em provar o contrário. 
Geralmente em datas redondas do Calendário Gregoriano as profecias catastróficas se atropelam. No ano 1000, a ignorância causaria muitos problemas. Em 2000, não foi diferente. A ambição é tanta, que a mídia deixou subentendido que a virada do milênio seria de 1999 para 2000. A indústria do entretenimento promoveu Reveillons milionários  por toda parte antes que o mundo acabasse. A correta data só seria disseminada pela imprensa quando já era tempo de renovar as expectativas e se planejar de novo para a verdadeira virada do milênio no final de 2000 para 2001. Novas campanhas publicitárias foram retomadas pelos veículos de comunicação e outros serviços e produtos anunciados. 
Nesta semana, estamos mais uma vez às vésperas do fim do mundo. Agora, os números curiosos apontam a próxima sexta-feira (21/12/12) como data final. Exímios astrônomos, os maias, criaram vários calendários simultâneos que funcionavam como uma engrenagem. O último ano registrado por eles, 5126, corresponde ao nosso 2012 e não sei por que cargas d’água eles não fizeram mais calendários. Mas, mal passa uma data frustrada da hecatombe e outra se instala imediatamente. Como o suposto dia fatídico está na esquina, visto que hollywood e grandes corporações já faturaram fortunas com a ignorância das massas, chegou a vez dos telejornais e revistas darem voz à ciência que afirma categoricamente não existirem indícios de catástrofes que culminem com término da vida na Terra nos próximos dias. Alguns místicos entendem que se trata simplesmente do final de um ciclo espiritual. Uma oportunidade para mudança de consciência coletiva. Menos mal. 
Enquanto isso, novas datas são especuladas. Caso o mundo não acabe neste fim de semana, o asteroide Apofhis já foi escolhido como a bola de fogo da vez. Ele vai passar no ano de 2029 perto da Terra, e já é o vilão do próximo fim dos tempos. Se sua primeira passagem não ocasionar nenhum estrago, a segunda, mais próxima ainda da Terra, já está prevista para 2036. E desta vez, garantem os novos profetas do apocalipse, não teremos saída. 

Em 1910 o Halley ainda associado à catástrofe
não deixou de ser explorado comercialmente
Isso me faz lembrar o alarde da passagem do cometa Halley em 1986, faceta depois apelidada por muitos como a farsa do século. Agitaram a imaginário popular, com a conivência dos meios midiáticos, enquanto promoviam-se campanhas milionárias de interesse de alguns grupos econômicos. Ainda em 2010, no entanto, a passagem do Cometa Halley, a partir da informação que havia gás letal em sua cauda, gerou pânico em todo o mundo e fortuna em algumas contas bancárias. Especulações abriram as portas para a exploração comercial e religiosa do fenômeno. Máscaras, roupas e comprimidos contra o gás foram algumas das criativas soluções na época para a sobrevivência ao final dos tempos.
Discreta no céu, a última passagem do cometa
deixou um rastro de produtos e serviços
pela indústria do entretenimento na Terra
Para a última passagem do cometa, em 1986, viagens espaciais e várias pesquisas justificaram, com o perdão do trocadilho, gastos astronômicos. Devido a desmistificação em decorrência da experiência de quase três décadas da era espacial, provavelmente a lenda do fim do mundo por causa do cometa não vingaria desta vez. Mesmo assim houve a disseminação de equívocos para que alguns grupos se capitalizassem com o fenômeno. Máquinas registradoras não paravam enquanto telescópios, camisetas, brinquedos, merendeiras, mapas estelares, suvenires de todo tipo, livros, capas de cadernos, eventos, músicas, filmes e novelas davam a falsa impressão de que o imenso astro luminoso seria visto por todos. Uma enxurrada de lunetas imprestáveis foi despejada no mercado global até que os telejornais, às vésperas da melhor data para observação, finalmente admitissem que não seria tão fácil ver o Cometa Halley sem equipamento adequado. 
Eu, adolescente na época, tive mais sorte que a maioria dos terráqueos. Me acotovelei entre dezenas de pessoas para ver por alguns segundos através do teodolito de um vizinho topógrafo o pequeno astro nebuloso, sem graça e sem cauda aparente. Aos que nada viram naqueles dias, só lhes resta torcerem para que o mundo não acabe antes do próximo periélio, em 2061. Se vivos e lúcidos poderão tentar se deslumbrar com aquele prometido astro luminoso que quando não destrói o planeta deixa seu rastro brilhante pelo céu.
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Veja no link a seguir centenas de datas previstas para o fim do mundo que nunca aconteceu, de acordo com o site sandcarioca.wordpress e outras fontes de pesquisa. 

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Festa Literária do Sertão de Jequié começa nesta quinta



O regional que se torna universal 

Festa Literária revela a dimensão global de ícones nordestinos 
e discute temáticas diversificadas

Entre os dias 29 de novembro e 1º de dezembro a cidade de Jequié, localizada a 365 km de Salvador, sediará a primeira edição da Festa Literária do Sertão de Jequié. Com o tema central “O regional que se torna universal”, o evento pretende revelar a força global de ícones da cultura nordestina e discutir outros assuntos relacionados à literatura e outras linguagens artísticas.
No primeiro dia do evento o participante poderá ter uma ideia da variedade que marcará a programação. O escritor, jornalista e sociólogo Mouzar Benedito vai falar sobre mitologia brasileira e lança uma coleção de seis livros sobre mitos ecológicos da cultura de tradição oral no Brasil: O Saci - guardião da floresta; A Iara - encanto das águas; O Curupira - nosso gênio das matas; O Caipora - amigo dos bichos; O Boitatá - este mito é fogo!; Lobisomem, Cuca e Mula sem Cabeça - importados e naturalizados. Mouzar não se limitará à mitologia. Ele vai abordar também a história de Luiz Gama e lançará ainda o livro Luiz Gama, libertador de escravos, e sua mãe libertária, Luíza Mahin

O jornalista Carlos Souza Yeshua enfocará a estratégia mercadológica de Paulo Coelho que o transformou no escritor com mais de 100 milhões de livros vendidos e o autor vivo mais traduzido em todo mundo. O tema da palestra é Paulo Coelho – O Mago da Literatura. Carlos Souza Yeshua fará também o lançamento do livro que contém uma coletânea de artigos intitulado Carta ao Presidente - Brasileiros em busca da cidadania
A professora Maribel Barreto discorrerá sobre o tema A razão como base para desenvolvimento da consciência e lançará seu livro Ensaios sobre Consciência. 

Uma oficina sobre criação literária de crônicas será ministrada pelo escritor e professor Vitor Hugo Martins. Antes do Passado, o silêncio que vem do Araguaia: memória, verdade e história brasileira é o tema da palestra da  escritora Liniane Haag Brum, que também lançará um livro sobre o assunto

Centenários - Os cem anos de nascimento de Jorge Amado e Luiz Gonzaga e de criação do Jornal A TARDE serão lembrados. O diário baiano será homenageado por conta de seu apoio à produção literária baiana e por ser fonte de pesquisa para textos literários. Uma mesa redonda sobre curiosidades do Jornal A TARDE terá a participação dos jornalistas Carlos Ribeiro, Heloísa Sampaio e Marjorie Moura e o veículo  será representado na homenagem pelo seu gerente comercial, Edmilson Vaz.
A dimensão da obra de Jorge Amado será abordada em painel com a participação dos escritores e estudiosos dos textos amadianos Gildeci Leite, Adriana Barbosa, Bohumila Araújo e  Domingos Ailton;
O professor Erisvaldo Pereira dos Santos falará sobre Religião de matriz africana na literatura de Jorge Amado: a propósito do texto "O compadre de Ogum”. O professor Gildeci Leite lançará também o seu livro Jorge Amado: da ancestralidade à representação do orixás. A produção musical de Luiz Gonzaga terá como debatedores o cineasta Robinson Roberto, o jornalista César Rasec e os músicos Lourival Eça e Carlos Éden. Neste painel o   cineasta Robinson Roberto revelará imagens e informações inéditas sobre o Rei do Baião. Uma delas mostra o anão, que era de Jequié e integrou o trio   musical de Gonzagão. O poeta e cronista Luis Cotrim, um dos fundadores da Academia de Letras de Jequié e ícone do mundo literário da cidade, falecido  no último dia 3 de novembro aos 95 anos será também homenageado com dois documentários, um  de  Robinson Roberto e outro de Júlio Lucas. Cotrim será homenageado ainda com a entrega da Ordem do Mérito Cultural Luis Cotrim.
Contracultura dos anos 60 - A contribuição de artistas jequieenses para a contracultura dos anos 60 será um tema de discussão por parte dos cineastas Tuna Espinheira, Robinson Roberto, do artista plástico Dicinho e do ex-presidente da Agência Nacional de Petróleo - ANP, Haroldo Lima. Já o professor Luciano Costa Santos vai enfocar em sua palestra “Cultura nacional, modernidade e globalização”.
Adaptações literárias - O processo de  adaptação de uma obra literária para o teatro, o cinema e a televisão será o foco de discussão de um painel que contará com a participação dos cineastas Tuna Espinheira e Guido Araújo, dos jornalistas Joaquim Botelho e Rogéria Gomes e do ator Robério Lima, que interpretou “o professor” no filme Capitães da Areia, de Cecília Meireles, adaptado do romance de Jorge Amado.
Os  escritores Domingos Ailton, Carlos Ribeiro e  Morgana Gazel falarão sobre o poder de transformação da literatura. Poética visual na internet: a experiência das Concrecoisas é o tema da palestra do jornalista, compositor e poeta César  Rasec. O processo de produção e circulação de um livro terá como expositores os escritores Valdeck Almeida de Jesus, Roberto Leal e Carlos Souza. A jornalista e escritora Rogéria Gomes discorrerá sobre a história do teatro no Brasil e as grandes atrizes que marcaram os palcos brasileiros.
Literatura no contexto atual do Brasil é o tema da conferência de encerramento do evento, que terá como palestrante o presidente da União Brasileira de Escritores – UBE, o jornalista e escritor Joaquim Botelho.

Filmes - Não só debates compõem a programação da Festa Literária. Atividades culturais, como encenações teatrais, recitais de poesia, contação de histórias, declamação de cordéis e exibição de filmes de ficção e videocomentários também farão parte do evento. Serão exibidos Cascalho, de Tuna Espinheira, Cine Jequié e Luís Cotrim, de Robinson Roberto, Ambiente Natural e Memória de Contendas do Sincorá e O Candomblé na Cidade de Jequié, de Domingos Ailton, Testemunho de um leitor de Jorge Amado, de  Carlos Pronzato,  Caçadores da Alma, de Silvio Tendler e Luis Cotrim – Poeta Dourado, de Júlio Lucas.
A Festa Literária do Sertão de Jequié conta com chancela e apoio da Pró-Reitoria de Extensão  e Assuntos Comunitários da UESB,  da Academia de Letras de Jequié e da União Brasileira de Escritores - UBE.

Clique no link a seguir para ver toda a programação:

sábado, 3 de novembro de 2012

Tico Santa Cruz desabafa contra boato na internet sobre cancelamento do Enem

O vocalista Tico Santa Cruz, da banda Detonautas, manifestou sua indignação em texto que  circula nas redes sociais com a atitude de um twitteiro que disseminou hoje a falsa notícia de que o Enem teria sido cancelado. A notícia foi rapidamente compartilhada nas redes sociais e certamente acabou por prejudicar uma parcela dos candidatos que fariam a primeira etapa de provas que aconteceu hoje pela tarde em todo o território brasileiro. Veja na íntegra o desabafo do artista no texto a seguir: 


A internet vem gestando uma geração de cretinos sem rosto, que confundem humor com babaquice, ideologia com fanatismo, admiração com cegueira entre outros conceitos recheados de uma superficialidade sufocante repleta de hipocrisia, individualismo e narcisismo. 
Estou falando grego? 
No paradoxo da liberdade universal, babacas de todas as espécies, gêneros e orientações, armam seus palanques virtua
is e são aplaudidos por gente que reproduz o mesmo comportamento sem discernimento das consequências bizarras que isso vai gerando. 
Ninguém está livre do erro e nem certo o tempo inteiro, mas é indispensável que estejamos atentos a certos comportamentos que vem sendo disseminados pelas Redes Sociais para que não alimentemos sem perceber, parasitas sem vida social REAL que constroem um mundo de ilusões se protegendo por trás de telas de computador. 
Hoje um cretininho desses que se acham super espertos, se garantindo pelo anonimato que o Twitter ( EM TESE ) oferece, criou uma "Hastag" dizendo que o ENEM havia sido cancelado. Como se não bastasse a palhaçada, milhares de outros BABACAS foram retransmitindo a FALSA informação colocando a calúnia como o 4o assunto mais comentando nos TTs MUNDO.
Por ordem do Ministério da Educação a Polícia Federal foi investigar o responsável pelo ato e ÓBVIO que nem precisou chamar um Sherlock Holmes para em minutos chegar ao GÊNIO ao contrário que repercutiu com a frase: "Saí para almoçar e voltei foragido da polícia". 
Com 20 anos de idade, ao invés de estar fazendo algo de útil para si mesmo o palhacinho perde o tempo dele criando bobagens que poderiam ter prejudicado, se não prejudicou, um monte de jovens que estavam para fazer a prova hoje.
É preciso que esses bobalhões entendam que isso depõe contra nossa liberdade de fazer da internet um INSTRUMENTO REAL de disseminação útil de conteúdo e de transformações. Quando esses garotinhos mimadinhos e reclusos em uma realidade totalmente distorcida e ainda apoiados por outros milhares como eles, criam este tipo de FALSO ALERTA, estão tirando a credibilidade de ações que no futuro podem ser decisivas em situações em que as Redes sejam necessárias para a divulgação de temas importantes. 
É como aquela criança que fica se jogando na piscina e fingindo que está se afogando gritando por socorro e quando socorrida diz que era uma BRINCADEIRA, e certo dia quando precisa realmente da AJUDA, acaba morrendo porque ninguém deu crédito a seu chamado. 
Esses perfis de "humor" são seguidos por milhares de adolescentes que tem em "web celebridades anônimas" ídolos de barro, não tão diferente desses ídolos fantoches que existem na vida real, o que é muito preocupante. 
Por conta de pessoas assim é que os BUROCRATAS com canetas e poder querem controlar nossa comunicação via Internet. 
Não alimente este tipo de conduta e aprofunde-se o máximo que puder nas informações que são divulgadas pela internet para não cometer o EQUÍVOCO de partilhar esse tipo de atitude. 
Pobres meninos presos em telas de computador. Existe vida lá fora!

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Duas publicações de Dermival Rios estão previstas para breve. Veja um pouco da trajetória do cronista e dicionarista baiano

 Quem pensa que Dermival Ribeiro Rios tem descansado pelo fato de manter-se recolhido no sítio onde vive com a professora Márcia Auad, na Estrada da Fazenda Velha, em Jequié, engana-se. A produção do cronista e lexicógrafo está a todo vapor. Há algum tempo que ele tem se dedicado a projetos pessoais e nos próximos meses deverá acontecer importantes lançamentos para nossas letras. Pela Editora Ponto e Vírgula vem o Minidicionário Brasileiro da Língua Portuguesa, obra organizada conforme o Acordo Ortográfico. Em seguida será a vez do Dicionário do Falar Baiano sair do prelo.
Membro fundador da Academia de Letras de Jequié, cujo patrono é Ruy Espinheira, Dermival Rios nasceu no sul da Bahia na cidade de Ibirataia, na fazenda de cacau de seus avós. 
Em 1969, após terminar o segundo grau, estudou Ciências Sociais na Escola de Sociologia e Política (1972) e na PUC (1974/75). Dividido entre os estudos e a necessidade de trabalhar, não concluiu o curso. 
O jovem Dermival Rios ingressou no jornal Folha de S. Paulo (1960-61), como revisor, e na Editora Melhoramentos (1962-64). Nesta equipe, onde figuravam conhecidos nomes da cultura nacional, como Theodoro Henrique Maurer Jr., M.B. Lourenço Filho, Alceu Maynard de Araújo, Francisco Marins, Luíz Gonzaga Fleury, Tassilo Orpheu Spalding, participou da feitura de uma das obras mais importantes da lexicografia da época, o Novo Dicionário Brasileiro Melhoramentos. 
Nos bicudos anos da ditadura militar, em 1969, entre agosto e setembro foi preso político Em sua cela, entre outros, estava o professor Platão Salvioli e ao lado estava o ator Paulo César Pereio. Ficou impossível viver em São Paulo desde então. Não se sentia seguro, muito menos depois de ter sido preso como subversivo e sob a falsa acusação da prática de ações terroristas. 
No final de 1969, casado com Ana Rios, optou por prestar serviços como free-lancer a várias pequenas e médias editoras paulistanas. Foi o revisor e supervisor editorial do Dicionário da Língua Portuguesa, do professor Silveira Bueno (Editora Fortaleza) e editou pela Rideel um pequeno Dicionário de Sinônimos e Antônimos. Em 1980, fundaria a Livraria Sol, na Rua 2 de Julho, em Jequié. Ponto de encontro de jornalistas, intelectuais e poetas, ali eram realizados lançamentos de livros de autores regionais e de expressão nacional. A Sol prestava grande serviço de utilidade pública à cultura local dando apoios possíveis tanto aos escritores e poetas, como aos artistas de modo geral: pintores, atores de teatro, entre outros. 
Dermival Rios foi Chefe de Gabinete (1989-1991), e em seguida o primeiro Secretário de Cultura, Lazer e Esporte (91-92) no primeiro governo do Prefeito Luís Amaral. Por esse período coordenou a edição do livreto Jequié, síntese histórica e informativa (1992) e do volume Jequié, poesia e prosa (1992). Em Salvador, organizou para a Editora do Brasil duas obras: A Descoberta da Comunicação, (Língua Portuguesa para as séries do ensino fundamental), em parceria com a professora Normândia Lima, (1994), e um Dicionário do Estudante (1995). Nos anos seguintes foi editor do jornal A Folha, com Almenísio Carvalho, enquanto continuava ligado à lexicografia. No centenário da emancipação política de Jequié, organizou para a Academia de Letras local a obra comemorativa Cem Anos de Poesia e Prosa, que reuniu textos em prosa e versos de dezenas de jequieenses do final do século XIX aos nossos dias. 
Publicou, ainda, entre outras obras: Dicionário Global da Língua Portuguesa, em 2001, e um Dicionário de Sinônimos e Antônimos, em 2005 (ambos pela Editora DCL, de São Paulo). Em 2009 assumiu a Secretaria Municipal de Governo da Prefeitura de Jequié, até abril de 2011, ano em que seria publicada a segunda edição ampliada de Jequié – Síntese Histórica e Informativa.
Veja mais detalhes da história do lexicógrafo e cronista Dermival Rios na próxima edição da Revista Muito Mais.

sábado, 6 de outubro de 2012

Salve nosso patrimônio (Por Márcia Auad)

Antiga Biblioteca Municipal de Jequié
A cidade de Jequié acordou esta semana com a notícia de que o antigo prédio da Biblioteca Municipal seria ocupado pela Policia Militar, para que ali funcione uma base da PM. Nada temos contra o trabalho exemplar que o Comando da PM realiza em nossa cidade, entretanto desde maio deste ano foi aprovado um requerimento, por unanimidade, na Câmara Municipal de Jequié, para que naquele prédio histórico e de tantas histórias funcionasse a Academia de Letras de Jequié, com o objetivo de realizar ações leitoras e culturais, além de organizar um acervo literário, com livros da literatura mundial, nacional e em especial da literatura regional, aberto ao público para difusão e mediação da leitura.
Causa-nos estranheza que a terra de Waly Salomão, jequieense que ao morrer ocupava o cargo de Secretário Nacional do Livro e da Leitura, do Ministério da Cultura profane um lugar sagrado para as letras: quantos leitores frequentaram aquele espaço, quantos encontros culturais foram ali realizados durante todo o seu tempo de existência? Talvez se tivéssemos uma lei de proteção ao patrimônio material e imaterial isso não seria nem mesmo cogitado; talvez se tivéssemos a lei do livro e da leitura implementada (essa lei se encontra na Câmara de Vereadores aguardando aprovação) teríamos outra postura, e tantos outros senões.
O fato é que, como pessoas envolvidas com o livro e a leitura, nos sentimos levados a propor um movimento contrário a essa ação do executivo municipal, na busca de um diálogo para a solução desse problema. Já sofremos com o empobrecimento cultural provocado pela derrubada do Sobrado dos Grillos, nos idos de 1989, numa época em que poucos gritaram, e ninguém quis ouvir. Esperamos que agora nosso grito possa melhor ecoar e nossa mobilização venha deter esse ato impensado contra um patrimônio que é de todos os jequieenses, mas principalmente que é de todos os que amam a leitura, a memória e a cidadania.
Por isso, peço a todos que divulguem em suas redes sociais essa situação para que possamos ter ali naquele espaço mais ações leitoras e de cultura em favor da formação cidadã de um povo. E viva a democracia!


Marcia Auad
Professora do DCHL UESB/JEQUIÉ
Coordenadora do Proler-Programa Nacional de Incentivo à Leitura
Membro da Academia de Letras de Jequié, cadeira 24
Cidadã

quinta-feira, 26 de maio de 2011

HORA DA CRÔNICA: PASSAMOS PELO FIM DO MUNDO MAIS UMA VEZ (Por Júlio Lucas)


(Por Júlio Lucas)
Desde a infância que a gente vê no cinema e na TV, lê nos jornais, ouve do rádio e dos amigos, anúncios do fim do mundo com data e hora marcada. 

Na virada do milênio aconteceu um festival de profecias apocalípticas cuidadosamente calculadas. Ainda bem que esses fanáticos são tão bons em matemática quanto na decifração de previsões. 
Fiquei feliz por passar mais uma vez pelo fim do mundo. Não apenas por não ter morrido. Única fatalidade garantida para quem vive. Mas, por ter curtido alguns momentos agradáveis nestes últimos dias da semana (da semana, não dos tempos). 
Se o mundo acabasse às 18h do sábado (21), como previsto pela seita norte-americana Family Radio (que possui um conglomerado de 66 estações de rádio) o Miscelânea, meu humilde cantinho neste latifúndio chamado web, não teria ultrapassado os cinco dígitos de acessos e eu não apresentaria mais um Tribos do Rock, na 105 FM. Por sinal (aproveitando o espaço para o merchandising, já que não sei quando vou ter outra oportunidade), foi muito animado. 
Se o mundo acabasse sábado, não iria saborear o papo legal com bons amigos, whisky e canapés no casamento de Romualdo e Karla. Não teria curtido o samba-rock do Santo Forte e me esbaldado, como nos bons tempos da danceteria, ao som de DJ Ney. Também não iria dançar o forró de Dedé da Paraíba com Lana no sítio de Val Baiano. Ficaria sem me redimir com Neubera Kundera, que fez mais um show no Havana e não pude ir. 
Se o mundo acabasse nesse final de semana, eu não teria outra oportunidade de escrever sobre este tema. “Passamos pelo fim do mundo” foi o título de artigo meu publicado no Jornal Actual há uma década que abordava exatamente mais uma chance que a humanidade ganhava para rever seus conceitos e melhorar o planeta. 
De lá para cá as coisas só pioraram. Devastada pelos interesses econômicos, a Terra continua enfrentando o perfil psicopata de grandes corporações que, com seus tentáculos camuflados pelo progresso, dão uma de João sem braço diante das catástrofes da natureza. Como rolo compressor, o poder econômico, com aval de instituições políticas, avança por cima da vida, ao mesmo tempo em que, como burro empacado, reluta em reduzir suas margens de lucro e mudar os paradigmas do desenvolvimento. 
O progresso, se um dia foi associado à evolução, hoje é exatamente o paradoxo de desenvolvimento humano. E não pode perdurar embasado no consumo desenfreado, na destruição, na ambição e na guerra. 
As explosões da usina de Fukochima, no Japão, provaram mais uma vez que não é inteligente, nem ético e nem moral investir comercialmente numa tecnologia que não dominamos. Que não sabemos o que fazer com o lixo produzido, nem como reagir a um acidente de maiores proporções. Mas no Brasil continua em curso o programa nuclear tupiniquim, com know how alemão defasado, para mais construções de usinas em Angra e mesmo aqui em Chorrochó, no norte da Bahia, na região do Raso da Catarina onde na década de 70 queriam criar o lixão nuclear. E na região de Caetité tem água radioativa que governador não bebe. 
Passando a vista nas notícias de última hora não é difícil encontrar receitas emblemáticas sobre como se fazer o fim dos tempos: “Bancada ruralista exigiu do governo e sua liderança na Câmara a votação do Código Florestal em troca da proteção ao ministro chefe da Casa Civil, Antônio Palocci, ameaçado de convocação pelo Legislativo para que explique o seu crescimento patrimonial em 20 vezes nos últimos quatro anos.” O acordo é simples, o ministro chefe da Casa Civil se safa e os criminosos que arruínam nossas matas também. Outra triste notícia deu conta de que “O casal de extrativistas - considerados sucessores de Chico Mendes, morto em 88 – foi executado por denunciar a extração ilegal de madeira”. 
Os simples jogam o tempero na receita do fim do mundo cada vez que fazem ouvido de mercador a essas notícias e continuam lançando copos descartáveis em via pública ou carregando pão em sacolas plásticas sem necessidade. 
Assim caminha a humanidade rumo ao fim dos tempos. Um passo após outro. Seja na Amazônia, no Japão, em Chorrochó, na nossa cozinha, ou no Congresso Nacional. 
Todos nós contribuímos um pouco para o derradeiro eclipse total: seja quando abrimos os braços à sedução do consumo desenfreado ou quando fechamos os olhos para a corrupção e para a ganância daqueles escolhidos para defenderem nossos interesses, mas que apenas se locupletam na causa comum de se manter no poder. 
O fim do mundo, senhoras e senhores, não tem hora nem lugar. Cristão que é cristão tem consciência disso: "Ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem mesmo o Filho, mas somente o Pai" (Mateus 24,36). No entanto, esse legado maldito que deixamos para filhos e netos está lavrado em atos por nossas próprias mãos. É agora e em toda parte que essa tragédia anunciada segue fiel a agulha da ganância e da ignorância que alinhavando o fio anacrônico do progresso borda a face da Terra, desenhando-se pouco a pouco: A P O C A L I P S E.
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"Mesmo se eu soubesse que amanhã o mundo se partiria em pedaços, eu ainda plantaria a minha macieira." Martin Luther King Jr



quarta-feira, 20 de abril de 2011

Chico César x Forrós de Plástico

(Por Jaime Martins para a coluna Cheio de Arte do site Bahia Notícias)
Acabo de ler a notícia da polêmica gerada pelo cantor e compositor Chico César com sua declaração sobre financiamento público de bandas que ele classificou como de “forró de plástico” na festa junina de Campina Grande, considerada o “Maior São João do Mundo”. Para quem não sabe (eu não sabia) Chico César é secretário de cultura do Estado da Paraíba e disse que o governo de lá não vai incentivar (ou seja: dar dinheiro) para os shows de bandas do tal forró de plástico. A saber, as bandas de forró moderno, que usam guitarras, teclados eletrônicos, dançarinos seminus e costumam fazer muito sucesso midiático-popular. Exemplos: Aviões do Forró, Magníficos, Calcinha Preta. Pois bem, muita gente se levantou para criticar Chico César e defender a diversidade, a liberdade de expressão, a livre escolha, etc. Eu também as defenderei, até a morte. Entretanto, vamos pôr os pontos nos ii, o que o secretário estadual de cultura da Paraíba disse e decidiu como política a ser adotada nada tem que ver com ditadura ou repressão (e nem sequer com gosto). Muito pelo contrário. Ora, o dinheiro público reservado para incentivo cultural é uma, digamos, verba de exceção, cuja finalidade é apoiar manifestações artístico-culturais reconhecidamente importantes para o imaginário da nação, mas que, por algum motivo, estão alijadas dos meios de comunicação e, por conseguinte, do gosto popular. Traduzindo: Calcinha Preta não precisa desse dinheiro porque eles gozam de plenas condições de se manterem apenas com a grana privada. Já Márcia Short precisa. É preciso desenhar?
Qualquer semelhança com o caso do blog de Maria Bethânia não é mera coincidência. Por causa da decisão do secretário Chico César, muitos parlamentares do glorioso estado se manifestaram em defesa dos forrós de plástico. O deputado Tião Gomes (PSL), que inclusive faz parte da base governista, disse não se pode impedir que aconteçam certos tipos de shows nos festejos juninos e nem obrigar a população a ouvir determinados estilos. Já para o deputado Raniery Paulino (PMDB) a declaração do Secretário foi infeliz. “O Governo não pode determinar os artistas que o povo deve ou não ouvir. Foi um desrespeito aos artistas que fazem os citados tipos de música. O poder público não pode classificar o que é bom para o povo, ou escolher o que ele tem que ouvir”, disse. Na verdade, as opiniões dos deputados só servem para comprovar que eles não entendem a lei de incentivo cultural. De fato, não se pode determinar o que o povo deve ouvir. Mas é isso que as rádios e TVs fazem o tempo todo, com a nefasta política do mais fácil e do nefasto jabá, e é só por isso que existem a Lei Rouanet e afins. Chico César não quer banir ninguém do São João paraibano, mas, parafraseando os Titãs podemos dizer que “dinheiro público é para quem precisa”. Fim. Uma analogia clara: o mercado é livre, mas se o feijão sobe muito de preço, o governo tem que tomar alguma medida de equilíbrio e isso pode se dar com medidas de incentivo ao cultivo de outros produtos. Chico César se defendeu: “(...) nunca nos passou pela cabeça proibir ou sugerir a proibição de quaisquer tendências. Quem quiser tê-los que os pague, apenas isso. O Estado encontra-se falto de recursos e já terá inegáveis dificuldades para pactuar inclusive com aqueles municípios que buscarem o resgate desta tradição [junina]".
Vejam bem, não sou comunista. Encaro com toda a desconfiança do mundo a intervenção do Estado na vida cultural de um povo. Não gosto deste papo de resgate da tradição. Não acredito em tradição estanque, conservada em formol, resguardada em mil preconceitos e medos. A tecnologia faz parte da cultura humana. Se eu fosse contra tocar forró com guitarra e teclado em defesa das sanfonas, teria que ser contra as sanfonas quando estas substituíram as rabecas. E assim regressivamente. É preciso lembrar que o próprio Luiz Gonzaga foi acusado de falsificar a verdadeira música nordestina para agradar as massas urbanas do sul. Não faço parte desse coro abobalhado. Não sou um alternativo de Salvador guardião de reservas florestais do samba ou do baião ou do rock’n’roll. E nem um ressentido desses que querem sempre afundar o time que está ganhando. Mas o buraco dessa questão é mais embaixo e, definitivamente, do jeito que está não dá pra ficar. Com ou sem dinheiro público. A defesa de Chico César se deu através de nota à imprensa que dizia também: “São muitas as distorções, admitamos. Não faz muito tempo vaiaram Sivuca em festa junina paga com dinheiro público aqui na Paraíba porque ele, já velhinho, tocava sanfona em vez de teclado e não tinha moças seminuas dançando em seu palco. Vaias também recebeu Geraldo Azevedo porque ele cantava Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro em festa junina financiada pelo governo aqui na Paraíba, enquanto o público, esperando a dupla sertaneja, gritava ‘Zezé cadê você? Eu vim aqui só pra te ver’”.
Ou seja, pelo que diz o próprio Chico César, não adianta nada aplicar bem o dinheiro público nessas, repito, ‘medidas de exceção’. Isso porque o gosto se faz no cotidiano e este está sitiado pela mesmice promovida pelos meios de comunicação. Não adianta nada enfiar Sivuca na goela da galera em junho, mesmo com licor de jenipapo, se o ano inteiro tudo o que existe é tão distante das barbas brancas e das melodias líricas pungentes do velhinho. O mal está na mídia: na Folha de São Paulo, na Rede Globo, na Rádio Metrópole, no Bahia Notícias, que forjam um repertório artístico-cultural reduzidíssimo para a população. A usura dessa gente já virou um aleijão que não será sanado com meros protecionismos de Estado. É preciso criminalizar o jabá e apelar pelo bom senso, pela coragem e pela responsabilidade de quem faz a imprensa. Se for falar em resgate, eu prefiro lembrar que o mesmo Sivuca já fez trilha sonora de filmes d’Os Trapalhões, por exemplo, num tempo em que os grandes artistas eram naturalmente populares simplesmente porque não eram ignorados pela mídia, ou trocados por saquinhos de dinheiro como fez Judas com Jesus. É preciso resgatar essa saúde dos meios de comunicação e botar Lucas Santtana no Domingão do Faustão, Glauco Mattoso no Jornal Nacional, Vera Egito n’A Fazenda, etc. Concordo ainda mais com o finalzinho da declaração de Chico César: “Intolerância é excluir da programação do rádio paraibano (concessão pública) durante o ano inteiro, artistas como Parrá, Baixinho do Pandeiro, Cátia de França, Zabé da Loca, Escurinho, Beto Brito, Dejinha de Monteiro, Livardo Alves, Pinto do Acordeon, Mestre Fuba, Vital Farias, Biliu de Campina, Fuba de Taperoá, Sandra Belê e excluí-los de novo na hora em que se deve celebrar a música regional e a cultura popular”.
Como disse certa vez o poeta Haroldo de Campos, a política adotada pela Secretaria de Cultura da Paraíba nesse caso do São João “está ligada a um vetor que não tem nada a ver com juízo de valor e tudo a ver com as exigências do tempo”. Vou dar ainda mais um exemplo, formular outra ilustração: se houver uma verba pública para o mercado editorial, você acha que esta deve ser aplicada para publicar um livro do mesmo Haroldo de Campos ou de Paulo Coelho (ou Jorge Amado)? E eu não citei estes nomes pensando em suas literaturas, mas em suas vendagens. É para isto que existe a verba, para dar competitividade a eventos de maior ousadia e menor apelo midiático (ou mediúnico). As citadas vaias a Sivuca me fizeram lembrar, quase em lágrimas, de um papo que tive recentemente com o músico Armandinho (não o do reggae como pode pensar alguma repórter da TV Aratu). A certa altura falei de Paulo Moura, do mito que ele é para mim; de um show deles (+ Yamandu Costa + Marcos Suzano) em homenagem a Tom Jobim (patrocinado pela Natura!), que vi na Concha Acústica; do meu encontro com o clarinetista, por acaso, no Sto. Antonio Além do Carmo. Armandinho comentou alguma coisa da musicalidade de Paulo Moura e emendou com uma queixa furiosa contra o público de Salvador. “É o mais mal educado que existe”, disse-me. E disse ainda, o grande guitarrista, que em um show na Praça da Sé, as pessoas ficavam batendo no chão do palco, pedindo música de carnaval, mandando tirar “esse velho daí” e outros absurdos que tais. Solidarizam-nos na revolta desolada, na tristeza, o grande músico e eu. Voltei para casa chocado. Mas, agora refletindo, isso tem tudo a ver com a menina, repórter da área cultural, em plena Salvador, que simplesmente não conhecia Armando Macedo, rei do carnaval. E isso tudo tem que ver com essa pendenga entre Chico César e o forró de plástico. Estou com Chico César. Mas repito, enquanto os veículos de comunicação continuarem promovendo esta hipnose em massa, não vai adiantar nada botar ‘Siba e a Fuloresta’ para tocar no palco do “Maior São João do Mundo”. Quando acabar a aula de meio ambiente, o menino mostra o 10 da prova pra mamãe e papai e depois joga o papel no chão entupindo o bueiro.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

HORA DA CRÔNICA: O menino esperto e a morte do mito (Por Júlio Lucas)

Antes da versão capitalista criada pela Coca-Cola,
Papai Noel, proveniente de São Nicolau, possuía vestimentas de 

variadas cores conforme o lugar de culto ao mito do bom velhinho
Não me lembro bem com que idade, mas creio que aos 7 anos comecei a questionar a existência de Papai Noel. Sempre ouvia dizer que ele costumava descer pela chaminé das casas. Mas eu não conhecia nenhuma moradia em minha cidade natal que dispusesse de tal recurso. Perguntei a meu pai: - se não tínhamos chaminé, por onde ele entraria para deixar os presentes? E o sábio Manoel Lucas disse serenamente que deixaríamos a janela aberta para que ele pudesse entrar. Naqueles tempos, em Paulo Afonso, na área residencial da Chesf dotada de alguns privilégios como pão e leite na porta e vigilância constante da guarda da companhia, era possível sim deixar janelas e portas amanhecerem escancaradas. 

Mas ainda outras questões me incomodavam: como Papai Noel teria condições de deixar presentes em todas as casas numa só noite? Ele suportaria o calor do verão nordestino com aquelas roupas do Pólo Norte? E as renas, podiam voar sem asas? 
Notívago desde menino, bolei um plano. Resolvi permanecer acordado após a ceia sem que percebessem. Recolhi-me cedo. E fiquei silente na cama. Pálpebras em repouso, ouvidos convenientemente alertas. Sentidos atentos, como gato à espreita de inseto. 
Não deu outra. Logo o burburinho tomou conta do quarto e entre os cochichos dos meus pais e de algumas das minhas irmãs, percebi sons que aos poucos iam se revelando conhecidos, como o rolar das rodas de um carrinho. Outros barulhos, não tão identificáveis, como blocos de madeira despejando de um lado ao outro dentro de alguma caixa de papelão. Barulhos de embrulhos e desembrulhos de papel de presentes acirravam minha curiosidade de compreender a série de ruídos que intrigava e desafiava a paciência de menino inquieto. 
Estava louco para conhecer os presentes que colocavam embaixo da minha cama, mas tinha que me conter. Eu não poderia deixar que descobrissem que naquela noite, o mito do bom velhinho esvaía-se das fantasias do caçula da família. 
Com a paciência maior que o sono, e a disciplina, amiga da noite de Natal, resisti. E quando todos foram dormir, levantei-me sorrateiramente - como deveria ser a chegada de Papai Noel (caso existisse) - peguei os presentes e os levei para o quintal onde brinquei até o galo cantar e o sol me iluminar, me fazendo acreditar que era o menino mais esperto do mundo.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Parece que já ouvi isso antes... é déjà vu, influência excessiva, crise de inspiração ou simplesmente plágio?

George Clinton: de olhos e ouvidos
atentos no seu espólio musical 
Black Eyed Peace: samplear sem
autorização pode custar caro
Não é de hoje que a imprensa divulga escândalos de artistas apontando colegas consagrados de gravarem suas canções sem a devida autorização e, principalmente, sem o repasse dos direitos autorais. 
Com o advento da internet, a facilidade de recursos tecnológicos e a popularização do chamado sampler, o famigerado plágio retorna à cena com maior frequência. 
Cada vez mais as trocas de acusações atingem os peixes grandes na crista das ondas midiáticas. Aí a gente percebe que aquela sensação de déjà vu ao ouvir um hit nas paradas na verdade é apenas mais uma releitura não autorizada de um antigo sucesso. 

Black Eyed Peas - O último processo envolvendo famosos contra famosos estourou recentemente através do cantor George Clinton, mente-mor do Parliament e Funkadelic, influentes bandas dos anos 70 e 80.
Clinton, que tem seu nome no Rock and Roll Hall of Fame por ser um dos inovadores do funk e do soul, abriu um processo contra ninguém menos que o quarteto do Black Eyed Peas, alegando que a turma de Will.i.am. usou um trecho de sua música “(Not Just) Knee Deep”, sem permissão, na versão remixada de “Shut Up”.

A versão original de “(Not Just) Knee Deep” saiu no disco “Uncle Jam Wants You”, lançado por Clinton em 1979. A música já teve samplers usados por De La Soul, Snoop Doog e 2Pac. Mas, segundo Clinton, em 1999 um produtor teria pedido permissão para a utilização da música no remix do Black Eyed Peas, e ele negou.
Caso seja condenada, a banda que desponta entre os maiores sucessos dos últimos anos, deverá pagar US$ 150 mil para o cantor George Clinton e ainda terá de retirar o sucesso das paradas.
Festival de plágio - E não para por aí. As acusações e processos de plágio têm sido cada vez mais recorrentes. Em 2008 o guitarrista norte-americano Joe Satriani apresentou queixa no tribunal contra os ingleses do Coldplay, acusando a banda de plagiar o instrumental "If I Could Fly", que o guitarrista compôs em 2004. De fato a canção "Viva La Vida", nomeada para dois Grammys levando crédito dos membros do Coldplay, tem forte semelhança com o tema de Joe Sartriani. Mas, antes do virtuoso Sartriani, o Coldplay já havia recebido acusações do Creaky Boards. A banda norte-americana teria notado semelhança de sua música "The Songs I Didn't Write" com o single dos ingleses. Outra reclamação veio da francesa Alizée, que alega que os ingleses teriam se inspirado na sua canção "J'en Ai Marre". Dos três casos, a música da cantora é a mais antiga. 
Outro fato famoso foi o que envolveu o músico brasileiro Jorge Ben Jor e o cantor Rod Stewart. Ben Jor acusou o britânico de ter usado oito compassos de "Taj Mahal" na canção "Do Ya Think Im Sexy". Antes do brasileiro entrar com o processo, Stewart doou os créditos da canção para a Unicef e não houve batalha judicial. 
Recentemente Bon Jovi foi acusado por Samuel Bartley Steele, vocalista da banda The Chelasea City Council, de ter roubado sua letra "Man I Really Love This Team" na canção “I Love This Town”. Steele pediu a "bagatela" de 400 bilhões de dólares (cerca de R$ 900 bi) pelos danos. O processo está em andamento. 
A banda sueca The Hives é outra acusada de plágio. O compositor norte-americano Jason Shapiro afirma que a música "Tick Tick Boom", single do álbum "The Black and White Album, de 2007, tem o riff principal da guitarra e a melodia vocal parecidos com "Why You", música de sua autoria gravada pelas bandas Roofies, em 97, e Three Way, em 2002. 
Tem mais. Peaches, Chantal Kreviazuk e o grupo The Rubinoos afirmaram que a cantora canadense Avril Lavigne teria copiado suas músicas. 
Para finalizar nossa provisória esculpida da ponta do iceberg dos supostos plágios no oceano  da música pop, os californianos do Red Hot Chili Peppers, ao lançar o álbum Stadium Arcadium, foram acusados de se inspirar na música "Mary Jane's Last Dance", de Tom Petty. 
A sabedoria do velho palhaço - O mestre Chacrinha é quem tinha razão quando parodiava Lavoisier dizendo: "Nada se cria, tudo se copia". O que ele não deveria prever é que esse tal de plágio ficaria tão popular nesses tempos de sucessos efêmeros e vulgarização do furto intelectual.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A Saída de Bené Sena, a chegada de Robério Chaves...


Após tomar conhecimento da carta de Benedito Sena na quarta-feira (1º/12) solicitando seu afastamento da Secretaria de Cultura e Turismo, o prefeito Luiz Amaral nomeou o professor Robério Chaves, secretário de Esportes e Lazer, para ocupar interinamente a pasta. 

A saída de Bené Sena, que vinha demonstrando insatisfação por se sentir desprestigiado na administração municipal, deixou boa parte da comunidade artística e pessoas ligadas ao setor cultural decepcionadas. 
Bené, músico instrumentista do grupo Arguidá e apresentador do programa Armarinho de Miudezas, na 105 FM, teve o árduo trabalho de implantar a Secretaria de Cultura e Turismo. A pasta foi criada no final da administração Reinaldo Pinheiro para atender ao planejamento do governo Luiz Amaral que visava priorizar o setor cultural do município, limitado nas administrações anteriores ao status de diretoria subordinada à Educação. 
A Prefeitura de Jequié enfrentou dificuldades por causa da epidemia da dengue no primeiro semestre de 2009 e posteriormente em virtude da crise econômica que afetou cidades em todo o país com a diminuição da arrecadação e queda do FPM - Fundo de Participação dos Municípios. A Cultura do Município, por se tratar de uma secretaria em fase de implantação e com a responsabilidade de organizar o São João em meio à crise, não teve como fugir do desgaste já naquele período. 
Paralelamente à condução dos festejos juninos de 2009, engessada na adequação às necessidades impostas pela crise e às exigências do Ministério Público e de vários setores da sociedade, Bené e sua equipe tiveram que se desdobrar para efetivar a implantação física e conceitual da Secut. 
Ocupando salas emprestadas do Centro de Cultura ACM, a nova secretaria teve de adquirir móveis e equipamentos e recuperar aparelhos culturais do Município. Incluindo a tão almejada reforma da Casa da Cultura Pacífico Ribeiro, praticamente concluída no primeiro semestre deste ano e ainda fechada por causa dos famigerados entraves burocrático-financeiros. 
Na parte conceitual, desde o primeiro momento a nova secretaria procurou se afinar com a Secult/BA – Secretaria de Cultura da Bahia e com o Minc – Ministério da Cultura, se antecipando, em relação a outros municípios, na integração ao Plano Nacional de Cultura e ao Sistema Nacional de Cultura, sancionados excepcionalmente hoje (4/12) pelo presidente Lula (conforme texto a baixo). 
Em pouco mais de um ano a Secut elaborou e executou projetos e programas de grande importância. Como os editais municipais de incentivo à produção cultural local, alvos de Moção de Congratulações por iniciativa do Vereador Deyvison Érrico, e de ofício de aplausos pelo Vereador Luiz Brito. De maneira democrática e transparente, sempre em constante diálogo com o CMC - Conselho Municipal de Cultura, os avanços e fomentos culturais promovidos pela Secretaria recém-criada chegaram a colocar Jequié no patamar de referência para outros municípios. 
O setor viveu por alguns meses uma efervescência nunca vista. No entanto, quase sempre por causa dos já citados entraves burocrático-financeiros, muitos projetos e ações de grande importância foram completamente paralisados. A exemplo de “Sexta na Concha” (que valoriza músicos da cidade), “Quarta é do Teatro ou Dança”, “Ciranda da SECUT” (com oficina de cerâmica para pessoas de várias idades), “SECUT Itinerante de conveniamento com entidades”, Cia. Municipal de Teatro, Calendário Municipal de Apoio à Projetos, instalação do Memorial Casa das Etnias. Além da grade fixa da Casa da Cultura Pacífico Ribeiro, estagnada à espera do desentrave. 
Ainda como diretor de Cultura, na administração anterior, Bené Sena criou a Vila Junina, promovendo a descentralização da festa de São João, movimentando o comércio e valorizando os aspectos mais tradicionais dos festejos. A idéia deu tão certo que foi copiada por outros municípios. 
Com a inovadora proposta de uma festa temática a cada ano, em 2010 o São João “Xangô Menino” misturou o forró clássico ao moderno. Valorizou artistas da terra, promoveu a diversidade cultural inerente aos folguedos nordestinos e trouxe artistas consagrados como Dominguinhos, Flávio José, Adelmário Coelho, Targino Gondim e Gilberto Gil. Ainda teve quem reclamasse. O novo formato e conteúdo receberam elogios de visitantes e levaram a família jequieense (crianças, casais, idosos) ao circuito da festa, que em outros tempos era tomado pela violência, apologia à bebedeira e vulgarização do sexo por parte de atrações musicais com letras de baixo calão. Segundo a polícia militar, apesar do grande número de pessoas não houve ocorrências relevantes. O retorno ao antigo cenário, por incrível que pareça, é defendido por parte da imprensa e por algumas autoridades sob a justificativa da necessidade de aumento de público para atender interesses comerciais. 
Se fazer cultura, entre outras coisas, é reconhecer e valorizar a diversidade cultural, étnica e regional, é proteger e promover o patrimônio histórico e artístico, material e imaterial, e valorizar e difundir as criações artísticas e os bens culturais, como alguns dos objetivos constantes no PNC, creio que Bené Sena deixa a Secretaria de cabeça erguida, na certeza de que esteve no caminho certo. 
Espero que Róberio Chaves - à frente da Cultura, ainda que interinamente, pois esta pasta merece dedicação integral e apoio incondicional - dê continuidade ao processo inaugurado por seu antecessor, e que o "novo" secretário tenha a sorte de encontrar os inconvenientes e desgastantes fatores burocrático-financeiros mais amistosos com o setor cultural do nosso município daqui para frente. 
Parabéns Bené, boa Sorte Robério!