Este é o Miscelânea, por Júlio Lucas

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sábado, 21 de novembro de 2020

O pelourinho ainda existe (Vidas negras importam)

 

Poucos sítios históricos ostentam nos dias atuais o pelourinho como foi no passado. A famigerada coluna geralmente fincada no centro de praças para as habituais sessões de castigos de escravos, felizmente há muito foi aposentada. No entanto, a ideia original desse instrumento de imposição de uma suposta supremacia, muito comum nos mercados da antiga Europa, que chegou ao Brasil como símbolo de julgamento e castigos públicos de cativos insubordinados, ainda permeia de alguma maneira a nossa sociedade contemporânea. Na capital baiana, o antigo largo no Centro Histórico que ganhou o divertido apelido Pelô transfigurou-se em alegria pela força e resistência da cultura afro-brasileira. Mas nem tudo é samba-reggae ao sul dos trópicos. O tal totem da tortura, por outro lado, também persiste em toda nação sob as mangas do Estado.

Relativizar a discriminação racial sob o estranho argumento  de que “existe desigualdade, mas não o racismo estrutural no Brasil”, infelizmente não impede que oito a cada dez pessoas mortas pela força policial sejam pretas ou pardas, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2020.

Um pouco de conhecimento e boa-fé deveriam ser o bastante para a compreensão de que é exatamente a desigualdade social, a empurrar jovens pretos para a margem da sociedade, o maior legado escravocrata que persiste nos resquícios sutis do racismo estrutural. Para esses pragmáticos, que pensam ter caído de paraquedas no presente, os que nunca devem ter se afeiçoado aos livros de história, fica a frieza dos números atuais a seguir: segundo a Rede de Observatórios da Segurança a taxa geral de homicídios no Brasil, que é de 28 pessoas a cada 100 mil habitantes, entre os jovens negros (19 a 24 anos) ultrapassa os 200. Pode ser que diante desses índices, o cinismo resmungue na surdina outro mantra anacrônico: “morreram por que estavam errados, no lugar errado, na hora errada”. Mas o que dizer para as mulheres vítimas de feminicídio geralmente em suas casas, em que os dados dão conta de que as negras representam 61%?

Talvez outra estatística seja mais convincente para dissuadir os adeptos dos argumentos nefastos e despertar nestes um pouco de empatia pelas vítimas dos dois lados de uma mesma moeda: o relatório produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) indica que a maioria dos policiais assassinados (65%) também é preta ou parda, embora sejam a minoria nas corporações.

Interpretar letras e números pode ser uma tarefa difícil para quem reluta contra o conhecimento, a boa-fé e a empatia. Então, o que dizer ao abrir os olhos e enxergar que o Dia da Consciência Negra de 2020 começou com imagens estarrecedoras que abalaram o país? João Alberto Silveira Freitas, 40 anos, negro, sendo brutalmente assassinado dentro de um supermercado, na zona norte de Porto Alegre. Pode até alguns privilegiados de frases feitas defenderem que foi uma ocasional fatalidade.

Seria então uma trágica curiosidade a ocorrência dessa barbárie justamente no Rio Grande do Sul, estado onde surgiu a iniciativa para celebrar no dia 20 de novembro, data atribuída ao nascimento de Zumbi dos Palmares, as reflexões sobre as questões dos afro-brasileiros? Não, não foi fatalidade. Não, não é uma curiosa coincidência. Com números, letras e imagens escancaradas, não é necessário sentir na pele para tentar compreender a realidade do preto e pardo no maior destino do comércio de vidas negras do planeta, um dos últimos países a abolir oficialmente a escravidão e desistir do tráfico negreiro. Quem nasce preto, é preto todos os dias e cotidianamente se depara com o racismo estrutural silencioso, velado. E volta e meia, essa verdade contida sob as mangas do país tropical culmina em cenas aterradoras cada vez mais captadas por câmeras de aparelhos celulares para o mundo ver. Provas irrefutáveis que o pelourinho da tortura e da morte ainda não foi extirpado por completo dos corações e mentes daqueles que mais o negam e tanto o praticam. 

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Festa Literária do Sertão de Jequié começa nesta quinta



O regional que se torna universal 

Festa Literária revela a dimensão global de ícones nordestinos 
e discute temáticas diversificadas

Entre os dias 29 de novembro e 1º de dezembro a cidade de Jequié, localizada a 365 km de Salvador, sediará a primeira edição da Festa Literária do Sertão de Jequié. Com o tema central “O regional que se torna universal”, o evento pretende revelar a força global de ícones da cultura nordestina e discutir outros assuntos relacionados à literatura e outras linguagens artísticas.
No primeiro dia do evento o participante poderá ter uma ideia da variedade que marcará a programação. O escritor, jornalista e sociólogo Mouzar Benedito vai falar sobre mitologia brasileira e lança uma coleção de seis livros sobre mitos ecológicos da cultura de tradição oral no Brasil: O Saci - guardião da floresta; A Iara - encanto das águas; O Curupira - nosso gênio das matas; O Caipora - amigo dos bichos; O Boitatá - este mito é fogo!; Lobisomem, Cuca e Mula sem Cabeça - importados e naturalizados. Mouzar não se limitará à mitologia. Ele vai abordar também a história de Luiz Gama e lançará ainda o livro Luiz Gama, libertador de escravos, e sua mãe libertária, Luíza Mahin

O jornalista Carlos Souza Yeshua enfocará a estratégia mercadológica de Paulo Coelho que o transformou no escritor com mais de 100 milhões de livros vendidos e o autor vivo mais traduzido em todo mundo. O tema da palestra é Paulo Coelho – O Mago da Literatura. Carlos Souza Yeshua fará também o lançamento do livro que contém uma coletânea de artigos intitulado Carta ao Presidente - Brasileiros em busca da cidadania
A professora Maribel Barreto discorrerá sobre o tema A razão como base para desenvolvimento da consciência e lançará seu livro Ensaios sobre Consciência. 

Uma oficina sobre criação literária de crônicas será ministrada pelo escritor e professor Vitor Hugo Martins. Antes do Passado, o silêncio que vem do Araguaia: memória, verdade e história brasileira é o tema da palestra da  escritora Liniane Haag Brum, que também lançará um livro sobre o assunto

Centenários - Os cem anos de nascimento de Jorge Amado e Luiz Gonzaga e de criação do Jornal A TARDE serão lembrados. O diário baiano será homenageado por conta de seu apoio à produção literária baiana e por ser fonte de pesquisa para textos literários. Uma mesa redonda sobre curiosidades do Jornal A TARDE terá a participação dos jornalistas Carlos Ribeiro, Heloísa Sampaio e Marjorie Moura e o veículo  será representado na homenagem pelo seu gerente comercial, Edmilson Vaz.
A dimensão da obra de Jorge Amado será abordada em painel com a participação dos escritores e estudiosos dos textos amadianos Gildeci Leite, Adriana Barbosa, Bohumila Araújo e  Domingos Ailton;
O professor Erisvaldo Pereira dos Santos falará sobre Religião de matriz africana na literatura de Jorge Amado: a propósito do texto "O compadre de Ogum”. O professor Gildeci Leite lançará também o seu livro Jorge Amado: da ancestralidade à representação do orixás. A produção musical de Luiz Gonzaga terá como debatedores o cineasta Robinson Roberto, o jornalista César Rasec e os músicos Lourival Eça e Carlos Éden. Neste painel o   cineasta Robinson Roberto revelará imagens e informações inéditas sobre o Rei do Baião. Uma delas mostra o anão, que era de Jequié e integrou o trio   musical de Gonzagão. O poeta e cronista Luis Cotrim, um dos fundadores da Academia de Letras de Jequié e ícone do mundo literário da cidade, falecido  no último dia 3 de novembro aos 95 anos será também homenageado com dois documentários, um  de  Robinson Roberto e outro de Júlio Lucas. Cotrim será homenageado ainda com a entrega da Ordem do Mérito Cultural Luis Cotrim.
Contracultura dos anos 60 - A contribuição de artistas jequieenses para a contracultura dos anos 60 será um tema de discussão por parte dos cineastas Tuna Espinheira, Robinson Roberto, do artista plástico Dicinho e do ex-presidente da Agência Nacional de Petróleo - ANP, Haroldo Lima. Já o professor Luciano Costa Santos vai enfocar em sua palestra “Cultura nacional, modernidade e globalização”.
Adaptações literárias - O processo de  adaptação de uma obra literária para o teatro, o cinema e a televisão será o foco de discussão de um painel que contará com a participação dos cineastas Tuna Espinheira e Guido Araújo, dos jornalistas Joaquim Botelho e Rogéria Gomes e do ator Robério Lima, que interpretou “o professor” no filme Capitães da Areia, de Cecília Meireles, adaptado do romance de Jorge Amado.
Os  escritores Domingos Ailton, Carlos Ribeiro e  Morgana Gazel falarão sobre o poder de transformação da literatura. Poética visual na internet: a experiência das Concrecoisas é o tema da palestra do jornalista, compositor e poeta César  Rasec. O processo de produção e circulação de um livro terá como expositores os escritores Valdeck Almeida de Jesus, Roberto Leal e Carlos Souza. A jornalista e escritora Rogéria Gomes discorrerá sobre a história do teatro no Brasil e as grandes atrizes que marcaram os palcos brasileiros.
Literatura no contexto atual do Brasil é o tema da conferência de encerramento do evento, que terá como palestrante o presidente da União Brasileira de Escritores – UBE, o jornalista e escritor Joaquim Botelho.

Filmes - Não só debates compõem a programação da Festa Literária. Atividades culturais, como encenações teatrais, recitais de poesia, contação de histórias, declamação de cordéis e exibição de filmes de ficção e videocomentários também farão parte do evento. Serão exibidos Cascalho, de Tuna Espinheira, Cine Jequié e Luís Cotrim, de Robinson Roberto, Ambiente Natural e Memória de Contendas do Sincorá e O Candomblé na Cidade de Jequié, de Domingos Ailton, Testemunho de um leitor de Jorge Amado, de  Carlos Pronzato,  Caçadores da Alma, de Silvio Tendler e Luis Cotrim – Poeta Dourado, de Júlio Lucas.
A Festa Literária do Sertão de Jequié conta com chancela e apoio da Pró-Reitoria de Extensão  e Assuntos Comunitários da UESB,  da Academia de Letras de Jequié e da União Brasileira de Escritores - UBE.

Clique no link a seguir para ver toda a programação:

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Nossa homenagem ao Saci: o personagem mais popular do folclore brasileiro.


Também conhecido como saci-pererê, saci-cererê, matimpererê, saci-saçurá e saci-trique, o Saci é uma das personagens mais populares do folclore brasileiro. 
O mito é conhecido provavelmente pelo menos desde o fim do século XVIII, mas presume-se sua origem entre os indígenas da Região das Missões, no Sul do país, de onde teria se espalhado por todo o território brasileiro. 

Na Região Norte do Brasil, a mitologia africana o transformou em um negrinho que perdeu uma perna lutando capoeira. Herdou também, da cultura africana, o pito, uma espécie de cachimbo e, da mitologia europeia, herdou o píleo, o gorrinho vermelho usado pelo lendário trasgo, ser encantado do folclore do norte de Portugal. Rebeldes, de pequena estatura, os trasgos usam gorros vermelhos e possuem poderes sobrenaturais. Vale ressaltar que já na mitologia romana, registrava Petrônio, no Satiricon, o píleo que conferia poderes ao íncubo e recompensas a quem o capturasse.
A função desta "divindade" era o controle, sabedoria, e manuseios de tudo que estava relacionado às plantas medicinais, como guardião das sabedorias e técnicas de preparo e uso de chá, beberagens e outros medicamentos feitos a partir de plantas.
Como suas qualidades eram as da farmacopeia, também era atribuído, a ele, o domínio das matas onde guardava estas ervas sagradas, e costumava confundir as pessoas que não pediam a ele a autorização para a coleta destas ervas.
Em 1917 Monteiro Lobato realizou uma pesquisa entre os leitores do jornal O Estado de S. Paulo com o título de "Mitologia Brasílica – Inquérito sobre o Saci-Pererê", colhendo narrativas dos leitores sobre as versões do mito ajudando a definir e popularizar suas características atuais. O Saci já ganhou versões para a literatura, incluindo quadrinhos, cinema e TV. 
O sociólogo jornalista e escritor Mouzar Benedito defende a imagem do Saci para ser o mascote da Copa do Mundo. Para ele o Saci é “A síntese da formação do povo brasileiro: É o mito brasileiro mais popular (...). É o típico brasileiro: mesmo pelado e deficiente físico, é brincalhão e gozador. O Saci surgiu como mito Guarani. Era um curumim protetor da floresta. Só com a chegada do europeu é que ele passou a ser demonizado, para facilitar a implantação do cristianismo."
Negro, protetor das florestas, deficiente e divertido, o Saci realmente reúne todos os quesitos para representar o povo brasileiro neste evento que vai atrair as atenções do mundo para nosso país. Vale a pena defender essa ideia, embora o Tatu Bola já tenha sido escolhido, acredito que ainda poderíamos reverter isso. Envie sugestões para www.cbf.com.br.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Duas publicações de Dermival Rios estão previstas para breve. Veja um pouco da trajetória do cronista e dicionarista baiano

 Quem pensa que Dermival Ribeiro Rios tem descansado pelo fato de manter-se recolhido no sítio onde vive com a professora Márcia Auad, na Estrada da Fazenda Velha, em Jequié, engana-se. A produção do cronista e lexicógrafo está a todo vapor. Há algum tempo que ele tem se dedicado a projetos pessoais e nos próximos meses deverá acontecer importantes lançamentos para nossas letras. Pela Editora Ponto e Vírgula vem o Minidicionário Brasileiro da Língua Portuguesa, obra organizada conforme o Acordo Ortográfico. Em seguida será a vez do Dicionário do Falar Baiano sair do prelo.
Membro fundador da Academia de Letras de Jequié, cujo patrono é Ruy Espinheira, Dermival Rios nasceu no sul da Bahia na cidade de Ibirataia, na fazenda de cacau de seus avós. 
Em 1969, após terminar o segundo grau, estudou Ciências Sociais na Escola de Sociologia e Política (1972) e na PUC (1974/75). Dividido entre os estudos e a necessidade de trabalhar, não concluiu o curso. 
O jovem Dermival Rios ingressou no jornal Folha de S. Paulo (1960-61), como revisor, e na Editora Melhoramentos (1962-64). Nesta equipe, onde figuravam conhecidos nomes da cultura nacional, como Theodoro Henrique Maurer Jr., M.B. Lourenço Filho, Alceu Maynard de Araújo, Francisco Marins, Luíz Gonzaga Fleury, Tassilo Orpheu Spalding, participou da feitura de uma das obras mais importantes da lexicografia da época, o Novo Dicionário Brasileiro Melhoramentos. 
Nos bicudos anos da ditadura militar, em 1969, entre agosto e setembro foi preso político Em sua cela, entre outros, estava o professor Platão Salvioli e ao lado estava o ator Paulo César Pereio. Ficou impossível viver em São Paulo desde então. Não se sentia seguro, muito menos depois de ter sido preso como subversivo e sob a falsa acusação da prática de ações terroristas. 
No final de 1969, casado com Ana Rios, optou por prestar serviços como free-lancer a várias pequenas e médias editoras paulistanas. Foi o revisor e supervisor editorial do Dicionário da Língua Portuguesa, do professor Silveira Bueno (Editora Fortaleza) e editou pela Rideel um pequeno Dicionário de Sinônimos e Antônimos. Em 1980, fundaria a Livraria Sol, na Rua 2 de Julho, em Jequié. Ponto de encontro de jornalistas, intelectuais e poetas, ali eram realizados lançamentos de livros de autores regionais e de expressão nacional. A Sol prestava grande serviço de utilidade pública à cultura local dando apoios possíveis tanto aos escritores e poetas, como aos artistas de modo geral: pintores, atores de teatro, entre outros. 
Dermival Rios foi Chefe de Gabinete (1989-1991), e em seguida o primeiro Secretário de Cultura, Lazer e Esporte (91-92) no primeiro governo do Prefeito Luís Amaral. Por esse período coordenou a edição do livreto Jequié, síntese histórica e informativa (1992) e do volume Jequié, poesia e prosa (1992). Em Salvador, organizou para a Editora do Brasil duas obras: A Descoberta da Comunicação, (Língua Portuguesa para as séries do ensino fundamental), em parceria com a professora Normândia Lima, (1994), e um Dicionário do Estudante (1995). Nos anos seguintes foi editor do jornal A Folha, com Almenísio Carvalho, enquanto continuava ligado à lexicografia. No centenário da emancipação política de Jequié, organizou para a Academia de Letras local a obra comemorativa Cem Anos de Poesia e Prosa, que reuniu textos em prosa e versos de dezenas de jequieenses do final do século XIX aos nossos dias. 
Publicou, ainda, entre outras obras: Dicionário Global da Língua Portuguesa, em 2001, e um Dicionário de Sinônimos e Antônimos, em 2005 (ambos pela Editora DCL, de São Paulo). Em 2009 assumiu a Secretaria Municipal de Governo da Prefeitura de Jequié, até abril de 2011, ano em que seria publicada a segunda edição ampliada de Jequié – Síntese Histórica e Informativa.
Veja mais detalhes da história do lexicógrafo e cronista Dermival Rios na próxima edição da Revista Muito Mais.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Cabaré Literário promove bate-papos com escritores na Feira do Livro Ler Amado


Como parte da programação comemorativa dos Cem Anos de Jorge Amado, acontece em Ilheus, no período de 5 a 10 de agosto o Cabaré Literário. Encontros com escritores, sob a coordenadoria e curadoria de José Inácio Vieira de Melo, em que à tônica será uma série de bate-papos sobre a obra de Jorge Amado e a literatura contemporânea. 
O Cabaré Literário vai acontecer na Feira do Livro Ler Amado, no Centro de Convenções, sempre às 20 horas. A entrada é gratuita.

Veja a programação:


5 de agosto
Tema: Dioniso & Cia na moqueca de dendê: as delicias de ler Jorge Amado
Jorge de Souza Araújo – BA
Ronaldo Correia de Brito – PE
Mediador: José Inácio Vieira de Melo – BA


6 de agosto
Tema: O amor da Rússia por Jorge Amado
e a Poesia Reunida de Florisvaldo Mattos
Elena Beliakova – RÚSSIA
Florisvaldo Mattos – BA
Mediadora: Adélia Pinheiro – BA


7 de agosto
Tema: De leitor a turista na obra de Jorge Amado
e os Mirantes de Roberval Pereyr
Tica Simões – BA
Roberval Pereyr – BA
Mediador: André Rosa – BA


8 de agosto
Temas: Jorge Amado: ficcionista, ogã e obá /
Maria do Monte, o romance inédito de Jorge Amado
Ruy Póvoas – BA
Carlos Emílio Corrêa Lima – CE
Mediador: Maurício Corso – BA


9 de agosto
Tema: Imagens de mulher em Gabriela de Jorge Amado
e os Corpus Sutis de Aleilton Fonseca
Aleilton Fonseca – BA
Rosana Patrício Ribeiro – BA
Mediador: Cleberton Santos – SE


10 de agosto
Tema: A cor da palavra no Cancioneiro do cacau: música e poesia em Jorge Amado
Cyro de Mattos – BA
Salgado Maranhão – MA
Mediador: José Inácio Vieira de Melo – AL

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Historiador será homenageado no mês da emancipação de Jequié


Professor e Historiador Emerson Pinto de Araújo será homenageado pela Prefeitura de Jequié em outubro, mês em que o município celebrará 114 anos de sua emancipação político-administrava. 
A Prefeitura Municipal, através da Secretaria de Educação, fará uma importante homenagem ao professor e historiador Emerson Pinto de Araújo. O Departamento Pedagógico da Secretaria de Educação começa, nesta semana, um concurso de produção textual para os alunos matriculados na rede municipal de ensino que cursam séries da pré-escola, anos iniciais e finais, tendo como tema central a vida e a obra dessa importante personalidade para a
construção da historia de Jequié.
Uma exposição com imagens e informações sobre a trajetória desse notável cidadão, com relevantes serviços prestados ao município de Jequié, percorrer escolas da rede pública municipal até o mês de outubro, quando o resultado do concurso será apresentado. 
Émerson Pinto de Araújo nasceu em 11 de fevereiro de 1926, em Salvador, filho de Manoel Pinto de Araújo e Alice Pinto de Araújo. Completou seus estudos na capital do Estado. É casado com a professora
jequieense Terezinha Paranhos de Araújo. Chegou a Jequié em 1945, como professor substituto de História, sendo aprovado em concurso público em 1953, tornando-se então, professor titular de Historia do Ensino
Médio no IERP (Instituto Educacional Régis Pacheco). Na militância política, elegeu-se vereador (1951-1955) e presidente da Câmara Municipal nos dois últimos anos de sua vereança. Deixou a política
partidária depois da morte do ex-governador Otavio Mangabeira.
Na condição de historiador, não somente contribuiu com a recuperação do acervo histórico de Jequié, que se perdeu na enchente de 1914, mas também se dedicou em pesquisar, registrar e publicar toda historia e
desenvolvimento histórico, político, econômico, social e cultural de nossa cidade. Participou de congressos, simpósios, seminários, tendo integrado a delegação brasileira presente ao Congresso Internacional
de Municípios, em Washington (EUA) em junho de 1960. Também foi fundador da Associação Cultural Dante Alighieri, do Conselho Comunitário, da Associação Jequieense de Imprensa, do Clube da
Imprensa, do Comitê Cidades Irmãs Jequié-Takoma Park, Academia de Letras de Jequié e dirigiu várias entidades, entre as quais, a Loja Maçônica União Beneficente e o Rotary Club de Jequié. Autor das obras
História de Jequié (1971), Capítulos da História de Jequié (1997) e A Nova História de Jequié (2008).
Publicado originalmente em www.ivonildocalheira.blogspot.com/


sábado, 2 de julho de 2011

PL propõe 2 de julho como data histórica nacional

A Independência da Bahia teve forte participação popular
e grande influência na consolidação da Independência Nacional
Apesar de ser responsável pela consolidação da independência do Brasil, a batalha do 2 de Julho de 1823 ainda não goza do reconhecimento nacional. Mas um Projeto de Lei (PL) que tramita no Congresso pode mudar isso. A proposta institui a Independência da Bahia como data histórica no calendário nacional, permitindo que a luta popular, responsável por expulsar os portugueses definitivamente do território brasileiro, entre no conteúdo dos livros didáticos.
O PL 6.576/06 foi aprovado por unanimidade na Câmara e passou por todas as comissões do Senado, mas há dois anos aguarda ser incluído na pauta de votação da casa. A autora da proposta, a deputada federal Alice Portugal (PCdoB), disse que o projeto sofre resistência pela falta de conhecimento dos parlamentares sobre a importância do episódio para a história nacional. A deputada, que já esteve com o presidente do Senado algumas vezes para tratar da proposta, espera agora a mobilização popular e dos senadores baianos para a aprovação do projeto. Em suas páginas pessoais na internet, a parlamentar vem incentivando o contato da população com os senadores para a inclusão da matéria na ordem do dia. 
FINTE: Assessoria da Deputada Alice Portugal.
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2 de Julho, consolidação da Independência do Brasil - A Independência da Bahia foi um movimento que, iniciado em 1821 (mas com raízes anteriores) e com desfecho em 2 de julho de 1823, motivado pelo sentimento federalista emancipador de seu povo, terminou pela inserção daquela então província na unidade nacional brasileira, durante a Guerra da independência do Brasil.
Na Bahia a luta pela Independência veio antes da brasileira, e só concretizou-se quase um ano depois do 7 de setembro de 1822: ao contrário da pacífica proclamação às margens do Ipiranga, só ao custo de milhares de vidas e acirradas batalhas por terra e mar emancipou-se de Portugal, de tal modo que seu Hino afirma ter o Sol que nasceu ao 2 de julho brilhado "mais que o primeiro".
FONTE: Wikpedia

terça-feira, 24 de maio de 2011

Em ação civil pública MPF e MPE propõem medidas para evitar novos desabamentos no Centro Histórico de Salvador

Nos últimos anos vários casarões desabaram.
Muitos continuam em situação de risco. 
Foto: Haroldo Abrantes /Agência A Tarde
Ação civil pública proposta nesta terça-feira pelos Ministério Público Federal na Bahia (MPF/BA) e o Ministério Público do Estado da Bahia (MPE) pede à Justiça Federal medida liminar para desocupação e interdição de imóveis em estado avançado de degradação, situados na Cidade Baixa e no Centro Histórico de Salvador. 

Na ação, o MPF e o MP/BA pedem que o IPHAN, às expensas da União e com apoio técnico e supervisão do Município de Salvador, realize todas as intervenções prediais emergenciais e necessárias para prevenir novos danos e garantir a estabilidade dos imóveis, que são tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Os autores requerem, ainda, que o Município de Salvador providencie a relocação temporária dos moradores destes imóveis para abrigos provisórios até que as obras sejam concluídas e não haja mais riscos para a população. Com informações do Correio.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Origem da palavra Carnaval


Estudiosos divergem quanto a origem do termo Carnaval. Para uns, a palavra vem de CARRUM NAVALIS, os carros navais que faziam a abertura das Dionisías Gregas nos séculos VII e VI a.C. Uma outra versão é a de que a palavra Carnaval surgiu quando Gregório I, o Grande, em 590 d.C. transferiu o início da Quaresma para quarta-feira, antes do sexto domingo que precede a Páscoa. Ao sétimo domingo, denominado de "qüinquagésima" deu o título de "dominica ad carne levandas", expressão que teria sucessivamente se abreviado para "carne levandas", "carne levale", "carne levamen", "carneval" e "carnaval", todas variantes de dialetos italianos (milanês, siciliano, calabres, etc..) e que significam ação de tirar , quer dizer: "tirar a carne" A terça-feira. (mardi-grass), seria legitimamente a noite do carnaval. Seria, em última análise, a permissão de se comer carne antes dos 40 dias de jejum da Quaresma.
Texto extraído do site: http://www.areliquia.com.br

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Anúncio de aposentadoria do Dalai Lama deixa seguidores apreensivos

Afastamento das formalidades políticas
não afeta a liderança espiritual do Dalai Lama
 
De acordo com informações da agência Reuters, publicadas em A Tarde On Line, o Dalai Lama, de 75 anos, tem a intenção de deixar no próximo ano sua função de chefe do Governo tibetano no exílio para aliviar sua carga de trabalho.

Segundo o porta-voz, Tenzin Taklhan, o Dalai Lama deve evocar sua aposentadoria na próxima sessão do Parlamento, em março, com a perspectiva de deixar sua função de chefe de Governo dentro dos seis meses seguintes. No entanto, explica Tenzin, esta "aposentadoria" se aplicaria as suas responsabilidades oficiais enquanto chefe de Governo, que consistem essencialmente em assinar resoluções, e não em seu papel de líder espiritual dos tibetanos. "Isto não significa que não permanecerá na vanguarda da luta política. O Dalai Lama, portanto liderará sempre o povo tibetano", ratificou o porta-voz.
O imponente Palácio Potala, em Lhasa: 
símbolo arquitetônico da esperança do povo tibetano
Os tibetanos exilados, instalados no norte da índia há meio século, na cidade de Dharamsala, elegeram pela primeira vez de maneira direta em 2001 um líder político. A partir daquela ocasião o Dalai Lama já preparava seu povo para o semi-aposentado, previsto em estatuto. 
Oceano de Sabedoria – De acordo com a Wikipédia Dalai significa "Oceano" em mongol e "Lama" é a palavra tibetana para mestre, guru. Foi o título dado pelo regime mongoliano a Altan Khan (o terceiro Dalai Lama) aplicado desde então a cada sucessor considerado reencarnação da linhagem de líderes com a missão de esclarecer a humanidade. 
Durante a invasão chinesa, o Dalai Lama 
e muitos tibetanos fugiram pelos Himalaias 

em busca de asilo político na Índia e no Nepal
A preocupação de seguidores e admiradores do Dalai Lama em todo o mundo é que a notícia do afastamento do cargo oficial de liderança política enfraqueça a luta pela autonomia do Tibete. 
A Fuga - Desde a invasão chinesa Tenzin Gyatso,  que acompanhado de muitos tibetanos de todas as idades teve que fugir pelas montanhas do Himalaia, tem residido em Dharamsala, no estado de Himachal Pradesh. Lá estabeleceu a Administração Central Tibetana. Símbolo de resistência contra o poder comunista chinês em seu país e esperança na independência do povo Tibetano. 
O Dalai Lama Tenzin Gyatso ficou muito popular no ocidente após publicação de uma série de livros descrevendo a história e costumes do seu povo e disseminando sua sabedoria. Ganhador do prêmio Nobel da Paz, é também um dos nomes que representam o combate pela defesa dos direitos humanos.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Vinícius ganha título póstumo enquanto regime militar continua homenageado

Nesta segunda-feira, o presidente Lula em homenagem póstuma promoveu o poeta Vinicius de Moraes ao cargo de Ministro de Primeira Classe, ou simplesmente Embaixador. A promoção deu-se por meio da promulgação da Lei 12.265, sancionada pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Vinícius serviu ao país por 26 anos entre Los Angeles, Paris e Roma atuando como diplomata até ser aposentado compulsoriamente em 1968 por meio do AI-5, sob alegação do governo militar de que seu comportamento boêmio era incompatível com a carreira pública.
Na abertura da cerimônia, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que essa é uma das mais pesadas heranças que ficou da ditadura. Para o presidente Lula, as pessoas que tiveram a atitude de propor a cassação de Vinícius de Moraes “certamente não serão lembradas pela história”.
A meu ver, mais importante que promover títulos póstumos a pessoas já consagradas da nossa história (iniciativa certamente mais interessante para quem homenageia do que para o homenageado), o que já deveria ser feito há anos era apagar de vez as lembranças nefastas da ditadura que permanecem maculando nossos logradouros públicos.
Ao contrário de outros países, por aqui os oficiais que estiveram à frente do regime militar continuam chegando ao fim da vida vestidos tranquilamente em seus pijamas, sem serem responsabilizados nos tribunais pelos crimes de tortura, desaparecimento, homicídio e todo tipo de arbitrariedade que comandaram. Pior ainda é que continuamos a nos deparar com avenidas, praças, bairros e até colégios intitulados com seus nomes, como se fosse natural permanecermos homenageando essas figuras nocivas à paz e à liberdade.
Em Jequié, por exemplo, temos um colégio estadual com o nome do presidente Médici. Militar que comandou o país no período de 1969 a 1974. Emílio Garrastazu Médici assumiu o comando da nação prometendo restabelecer a democracia. Seu governo, no entanto, foi o mais obscuro e repressivo de toda a história do Brasil independente.