Este é o Miscelânea, por Júlio Lucas

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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

O poeta José Inácio Vieira de Melo conta um pouco sobre a sua história para o Jequié Notícias


JN: Quem é José Inácio Vieira de Melo?

JIVM: Um caatingueiro que vivencia a poesia do Cosmo. Um filho da imensidão, um poeta do Sertão.

JN: Como começou a sua relação com a Cidade Sol?

JIVM: Sou alagoano de origem. Em 1988, vim morar na Bahia, no município de Maracás, onde permaneci por uma década e criei laços afetivos que perduram até hoje. Logo no primeiro ano, vim visitar Jequié. Aliás, vinha sempre a Jequié, ao menos uma vez a cada quinze dias, para fazer compras ou para ir a algum médico. Na primeira vez que estive em Jequié, ainda em 1988, comprei, na livraria Sol, dois livros que foram de fundamental importância para o meu imaginário poético: Os Peãs, de Gerardo Mello Mourão, e Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa. Outro acontecimento de suma importância em minha vida, que aconteceu em Jequié, foi o nascimento de meus dois filhos: Carlos Moisés, em 2000, quando ainda morávamos em Salvador, e Gabriel Inácio, em 2007, já residindo aqui, na Cidade Sol.
Como pode perceber, a minha relação com Jequié começou com dois livros e se consolidou com dois filhos. Qualquer dia plantarei duas árvores por aqui.

JN: Desde quando surgiu o seu interesse pela poesia? Já são quantos livros publicados?

JIVM: Desde sempre. Desde que eu me entendo por gente.
Seis livros publicados. Organização de algumas antologias. Participação em várias antologias no Brasil e em outros países. Coordenação de vários projetos e participação em tantos outros pelo Brasil adentro e pelo mundo afora. No momento estou a divulgar meu novo livro, Pedra Só, nos projetos para os quais sou convidado a fazer palestras e recitais, onde sempre faço, também, meus lançamentos. Neste ano, fiz 15 lançamentos do Pedra Só distribuídos em cidades dos estados de São Paulo, Pernambuco, Bahia e Distrito Federal. Para o primeiro semestre de 2013, recebi convites – e já confirmei minha participação – para eventos em Minas Gerais (Fórum da Letras de Ouro Preto), Rio de Janeiro (Corujão de Poesia), Alagoas (Simpósio Internacional de Artes de Penedo), Paraíba (Semana Augusto dos Anjos), Rio Grande do Norte (Academia Norte Rio-Grandense de Letras) e, claro, na Bahia (diversos eventos em várias cidades).

JN: Hoje em dia escritores como Caio Fernando de Abreu, Clarisse Lispector, Charles Bukowski etc. viraram febre nas redes sociais por citações de internautas. Como você avalia esse cenário levando em conta que muitos desses internautas provavelmente nunca leram um livro desses autores e as tomam emprestadas para parecerem mais “profundos”.

JIVM: Acho positivo. Antes ler uma frase de efeito do Mia Couto ou um verso famoso do Ferreira Gullar do que não ler nada. Quem sabe se de uma citação o internauta não chegue ao livro? A profundidade vai de acordo com o fôlego de cada um. 

JN: Quais são os seus projetos para o futuro?

JIVM: E o que sei eu do futuro? Apenas vou vivenciando a poesia que me é possível. Um passo de cada vez. Um dia depois do outro.

Entrevista concedida originalmente para o Jequié Notícias

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Noite Fora do Eixo/Jequié: Diamba se apresenta neste sábado no Gianna


Quem está de volta a Jequié neste sábado (10) depois de seis anos, é a banda Diamba. Trata-se de mais uma Noite Fora do Eixo que acontece no Gianna promovida pelo Coletivo Borda da Mata. O show marca o lançamento do novo álbum do grupo, "Fraternidade Musical Diamba". 
Antes da festa os caras vão dar uma passadinha nos estúdios da 105 FM para bater um papo com Júlio Lucas durante o programa Tribos do Rock. Eles vão falar da história do grupo, da cena soteropolitana, da receptividade do novo trabalho e o que mais rolar. O Tribos do Rock vai ao ar ao vivo a partir das oito da noite do sábado e pode ser ouvido online pelo link da 105 FM. O ouvinte pode participar pelo Facebook adicionando o grupo  Tribos do Rock, ou pelo fone (73) 3525-2273.

Vão fazer as honras da casa a banda de reggae Semente Nativa, já bastante conhecida e querida do publico jequieense. 

A noite também vai contar com a participação do cantor e compositor Chris Duk, que possui um som pop em destaque nas noites cariocas tanto com a banda Stereo Moog quanto com seu trabalho solo. Ele promete apresentar canções da sua carreira e do novo registro intitulado "Expresso dub."

A festa vai acontecer a partir das 22h e os ingressos estão à venda nas lojas Terral Surf.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

ENTREVISTA: Irmã Lúcia fala sobre a Pastoral da Criança da Diocese de Jequié

Coordenadora diocesana Ir. Maria Lúcia Souza Silva

JN: Irmã Lucia, qual é trabalho realizado pela Pastoral da Criança em Jequié?

Irmã Lucia: A Pastoral da Criança desenvolve um trabalho junto às famílias com necessidades, nós acompanhamos as gestantes desde os primeiros dias da gestação e crianças de 0 a 6 anos, nós orientamos as gestantes em relação aos cuidados com a saúde, vacinas pré-natais, higiene pessoal e ambiental, entre outros acompanhamentos.

JN: De que forma a pastoral se mantém financeiramente? Quais são os apoios que ela recebe?

Irmã Lucia: Temos doações de amigos que conhecem o nosso trabalho e nos ajudam com doações; materiais, alimentos, brinquedos, roupas etc. Mensalmente nós realizamos o ato A Celebração da Vida – quando são coletados dados das crianças – e toda informação é repassada à Coordenação Nacional que fica em Curitiba/PR. Lá há convênios com a Petrobrás, HSBC, Criança Esperança e outros, os quais fornecem os materiais necessários para algumas de nossas atividades. 

JN: Algumas instituições geralmente recrutam jovens para programas de primeiro emprego. A Pastoral da cidade de Vitória da Conquista inclusive já indicou adolescentes para a cidade de Jequié. Existe algo que impeça a Pastoral de Jequié fazer esse tipo de indicação?

Irmã Lucia: Não é que algo impeça a pastoral de fazer indicação ou não, é que esse projeto é algo que surgiu em Conquista e já veio para Jequié. Nós temos jovens que atuaram ou atuam na Pastoral daqui e que fazem parte desse projeto, aliás graças ao trabalho da Pastoral de Jequié muitos jovens ingressaram no mercado de trabalho, pois os cursos oferecidos capacitam o voluntário para vida. Temos muitos jovens e também donas de casas, que atuaram conosco e hoje em dia está em outro emprego.
Nós damos todo o apoio, até por que o nosso trabalho na pastoral é voluntário e de tal forma apoiamos a quem consegue um emprego em outra área ou ambiente. Do conjunto Penal de Jequié, muitos que participaram da Pastoral e que já foram embora estão bem empregados. 

JN: Aqui a senhora poderá expor as necessidades a que a Pastoral tem no momento e solicitar o apoio pertinente.

Irmã Lucia: São várias as necessidades que enfrentamos; falta de liderança, pessoas disponíveis para o trabalho por ser voluntário, necessidades financeiras etc.
Ficamos muito felizes quando surgem doações. Se você quiser colaborar seja sempre bem-vindo (a). Aceitamos doações de alimentos, roupas, calçados, brinquedos etc. Quanto mais ajudarmos ao outro mais Deus nos ajuda.
O nosso telefone para contato é (73) 3525-7662

(Entrevista concedida ao Jequié Notícias)  

sábado, 22 de setembro de 2012

Tribos do Rock recebe organizadores e participantes da 2ª Noite Underground























Estarão no Tribos do Rock deste sábado os organizadores e participantes da 2ª Noite Underground. 
A turma vai falar do Evento que acontecerá em 20 de outubro na Casa da Cultura Pacífico Ribeiro, em Jequié, com a participação das bandas: Blackout X, Chaos Conspiracy, Subconscious e The Sipsons. 

Jequieense Jorge Salomão é destaque da revista Muito




A revista Muito deste domingo (23), suplemento do Jornal A TARDE, traz entrevista com o escritor, poeta e compositor jequieense Jorge Salomão. 

Recentemente ele esteve em Jequié visitando familiares e amigos e falou em primeira mão sobre o livro que vai lançar em 2013 sobre seu irmão Waly Salomão, morto em 2003. 
A entrevista é de Ronaldo Jacobina, a foto de Fernando Vivas e o design de Ana Clélia Rebouças.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Em visita à terra natal, Jorge Salomão concede entrevista ao Jequié Notícias




JN: O livro que você está escrevendo sobre Waly Salomão é biográfico?

Jorge: Estou em processo de criação, pretendo lançá-lo em janeiro próximo para que ele tenha uma fermentação muito boa, pois em maio faz 10 anos sem o Waly. Resolvi escrevê-lo porque eu sei muitas histórias de nossas vidas, não é uma biografia no sentido acadêmico da palavra, é um retrato leitura de nossas vidas aqui em Jequié, Salvador, no Rio de Janeiro na época da ditadura. Naquele tempo tudo era muito diferente, o próprio caminhar de Jequié para a capital era difícil, estradas sem asfalto – muito longe – mas, nossas vidas desde aqui foi fomentada com muitas ideias sobre trabalho, cultura, sobre tudo...
A mudança para Salvador foi um verdadeiro baque transformatório de tudo que pensávamos e idealizávamos. Vivenciamos fatos inusitados no trajeto da viagem; gente vendendo cobra enrolada no pescoço, criança partindo para cheirar o tubo de gasolina e poder cantar, tudo isso mexeu muito com o nosso imaginário... Mas, na verdade a ciência das coisas adquirimos através de meu pai, um homem fascinante, um lutador! E da minha mãe Bete Salomão que foi um prêmio, nos ensinou a exercitar a liberdade, a não ter preconceitos e nos guiou para sermos pessoas com vontades para o mundo.
Eu e Waly sempre incrementávamos coisas inovadoras. Sempre que ele retornava de Salvador trazia programas de peças de teatro, exposições que via, e aquilo tudo – se a gente já tinha um fogo – incendiava.

JN: Como se sente a família Salomão por a área escolhida para ser a Praça do Poeta Waly Salomão hoje em dia se encontrar completamente abandonada, mais parecendo um terreno baldio?

Jorge: Os poderes públicos querem pongar nas ideias mais brilhantes. Melhores políticas são quando agem para o bem geral da sociedade e deixam de lado essas bobagens de homenagens pós-morte. As homenagens a Waly já existem no trabalho dele, ele foi uma pessoa luminosa. Acho que Jequié deve uma homenagem a minha mãe, que não era daqui, mas sempre teve uma paixão por esta cidade, exemplo de mulher com aspecto centralizador luminoso muito forte. Enfim, não sou contrario, mas também não endosso.

JN: Você, como filho da terra, amante da cultura e das artes, como vê o descaso dos poderes públicos em relação ao patrimônio cultural, exemplificando: antiga Biblioteca Municipal entregue aos cupins, Escola João Cordeiro destruída, demolição do Belvedere Germiniano Saback e outros mais?

Jorge: Acho tudo isso uma violência muito grande com o patrimônio histórico da cidade. Compete a nós que somos ligados à cultura, sempre insistir que não se deve maltratá-lo, de alguma maneira detonar com essa classe política horrorosa que só pensa em coisas imediatistas, ou então os empresários que tem a mente vagabunda, sempre focada no dinheiro.
Não maltratem o mundo desse jeito, ele não pode caminhar sem natureza, sem história, sem fundamentos de pilar da sabedoria. Fiz há tempos um planejamento de um jardim para frente do museu com plantações de palmeiras da região, buritis etc, que se tivesse sido executado até poderia se dizer que lembraríamos de Alexandria, no Egito, ao passar pela Av. Rio Branco. Nunca fizeram, não se interessaram. Porém se interessam por discursos chatos. Acho que a política de um modo geral perdeu a veia principal. Política é trabalhar com o social, mas acontece que hoje o social que as pessoas pensam é o bem próprio, é um erro. Vamos alertar a população: votem nos melhores que os melhores existem em qualquer lugar do mundo, pois outros podem deixar caminhar tão fortemente a destruição de tudo.

JN: Uma mensagem para aqueles que não cultuam a tradição da leitura.

Jorge: Isto é importantíssimo. Esqueçam um pouco a Tv, ela é um massacre! Na leitura se descobre tantos universos, tanta coisa bacana, então leiam mais. Principalmente as novas gerações, também aos professores que incentivam os jovens a conheceram a literatura brasileira, pois através dela dão-se passos para conhecer as coisas do mundo.
A leitura é fundamental, através dela cresce o conhecimento, fica-se mais amplo com o mundo e ajuda demais no sentido benéfico de atuar no universo.

Entrevista originalmente publicada no site: www.jequienoticias.com.br


sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Marco Vilane é convidado de Rolando Boldrin neste fim de semana

Marco Vilane e o apresentador Rolando Boldrin no programa Sr. Brasil da TV Cultura (FOTO:  Pierre Yves Refalo)

O cantor e compositor jequieense Marco Vilane é o convidado desta semana do programa Sr. Brasil, apresentado pelo consagrado ator, cantador e contador de causos, Rolando Boldrin. 
Marco Vilane, atualmente radicado em São Paulo, possui um consistente trabalho autoral que transita com desenvoltura entre a MPB e o Pop, o que o situa na vanguarda musical chamada por muitos de Nova MPB. 
No programa, Vilane fala da sua trajetória e do seu mais recente registro, “Varal Diverso”, que soma-se a “Avesso” (2001) e “Coisa Alguma” (2003): uma refinada discografia que nos presenteia com diversidade de ritmos, fusões musicais e poesia, sempre executada por respeitados músicos, ótimas parcerias e convidados mais do que especiais, a exemplo do mestre Dominguinhos. 
Acompanhado pelos músicos Beto Vasconcelos (contrabaixo), Michele Abu (cajón) e Tércio Guimarães (flauta), em meio ao papo descontraído com Boldrin, Vilane apresenta suas  músicas: “Versa e vice” (parceria com Edu Capello), “Truque de menino" (parceria com Érico Theobaldo e Márcio Pazin) e “Tralha” (composta com Alex Santana). 
O programa será exibido pela TV Cultura neste sábado (15/09), às 18h30 e será reapresentado no domingo (16).



sábado, 1 de setembro de 2012

Hoje tem mais uma edição do Tribos do Rock na 105 FM

terça-feira, 24 de julho de 2012

Cabaré Literário promove bate-papos com escritores na Feira do Livro Ler Amado


Como parte da programação comemorativa dos Cem Anos de Jorge Amado, acontece em Ilheus, no período de 5 a 10 de agosto o Cabaré Literário. Encontros com escritores, sob a coordenadoria e curadoria de José Inácio Vieira de Melo, em que à tônica será uma série de bate-papos sobre a obra de Jorge Amado e a literatura contemporânea. 
O Cabaré Literário vai acontecer na Feira do Livro Ler Amado, no Centro de Convenções, sempre às 20 horas. A entrada é gratuita.

Veja a programação:


5 de agosto
Tema: Dioniso & Cia na moqueca de dendê: as delicias de ler Jorge Amado
Jorge de Souza Araújo – BA
Ronaldo Correia de Brito – PE
Mediador: José Inácio Vieira de Melo – BA


6 de agosto
Tema: O amor da Rússia por Jorge Amado
e a Poesia Reunida de Florisvaldo Mattos
Elena Beliakova – RÚSSIA
Florisvaldo Mattos – BA
Mediadora: Adélia Pinheiro – BA


7 de agosto
Tema: De leitor a turista na obra de Jorge Amado
e os Mirantes de Roberval Pereyr
Tica Simões – BA
Roberval Pereyr – BA
Mediador: André Rosa – BA


8 de agosto
Temas: Jorge Amado: ficcionista, ogã e obá /
Maria do Monte, o romance inédito de Jorge Amado
Ruy Póvoas – BA
Carlos Emílio Corrêa Lima – CE
Mediador: Maurício Corso – BA


9 de agosto
Tema: Imagens de mulher em Gabriela de Jorge Amado
e os Corpus Sutis de Aleilton Fonseca
Aleilton Fonseca – BA
Rosana Patrício Ribeiro – BA
Mediador: Cleberton Santos – SE


10 de agosto
Tema: A cor da palavra no Cancioneiro do cacau: música e poesia em Jorge Amado
Cyro de Mattos – BA
Salgado Maranhão – MA
Mediador: José Inácio Vieira de Melo – AL

quarta-feira, 18 de julho de 2012

PapOnline.com Vivendo do Ócio

Nesta edição do PapOnline, entrevista exclusiva com a garotada da Vivendo do Ócio. Banda baiana que vem despontando no cenário como uma das maiores revelações do pop rock nacional. Vivendo do Ócio é formada por Jajá Cardoso – vocal e guitarra, pelos irmãos Luca – baixo e voz e Davide Bori – guitarra, e Dieguito Reis – bateria.
Um pouco da história do grupo, a relação com a internet e com a grande mídia, influências musicais, apresentações no exterior e o show que fizeram em Jequié no Dia Internacional do Rock, são alguns dos assuntos abordados neste PapOnline.com: Vivendo do Ócio. Confira...

(FOTO: Lana Bartelote)



Rock Concha (Salvador) na noite seguinte ao show de Jequié
(FOTO: VDO/Divulgação)

Júlio Lucas – De repente já se passaram seis anos do início do grupo. Já não dá pra dizer que continuam Vivendo do Ócio, quando terminaram o ensino secundário e faziam som sem grandes compromissos? O que mudou de lá pra cá no som e na cabeça de cada um?


VDO no Brazilian Day London em 2010 
(FOTO: Beto Frota)
Jajá - Continuamos Vivendo do Ócio, a diferença é: DO ócio e não NO ócio. Nosso ritmo de trabalho agora é outro, estamos nos profissionalizando e a gente tem corrido bastante, temos total consciência que isso é a nossa vida agora, porém a essência continua e vai cada vez mais se fortalecendo. O som está ganhando identidade, isso vem por nós vivermos juntos, o jeito de compor também mudou, ficou muito mais coletivo, amadurecemos com nossa música e a estrada também é um grande aprendizado.
VDO em Jequié na Green fazendo o Rockura 
(FOTO: Bruno Matos)

Júlio Lucas – A célula original da banda surgiu na casa de um de vocês, no Centro Histórico de salvador. Embora suas influências sejam predominantemente internacionais (Beatles, Rolling Stones, The Strokes, The Hives, Maxïmo Park, Arctic Monkeys), alguma energia mística da velha Bahia complementa o som de vocês?

Papo bom: Paulo Cobra e Júlio Lucas entre
Jajá (VDO) e Jerry Marlon (Camisa de Vênus)

(FOTO: Lana Bartelote)
Jajá - Com certeza. A gente tem influências de vários estilos e artistas não só da Bahia, mas do Brasil inteiro e esse novo disco traz isso de uma forma mais forte, por cantarmos nossa cidade e fazer referências as nossas raízes. Nós curtimos Novos Baianos, João Gilberto, Caetano, Gil, Brown...

Júlio Lucas – A ideia de gravar um álbum virtual e disponibilizar para download gratuito foi fundamental para deflagrar a carreira da banda. Vocês acreditam que essa fórmula ainda funciona tão bem? E o que mais pode ser feito para um artista ganhar notoriedade nesta massificação/pulverização de dados instantânea, este grande fast food da informação que é a rede digital?

Jajá - Hoje todo mundo escuta música no computador, baixa discografias inteiras e etc. A música tem que ser livre mesmo, não adianta tentar impedir, as gravadoras lutam contra isso, é uma batalha sem fim por que quem realmente gosta da banda vai lá e compra o disco. O artista que sabe usar bem a internet se dá bem. É tudo imediato, as pessoas estão ali, respondendo, comentando e compartilhando o que gosta e o que não gosta, então tem que aproveitar isso, as coisas correm muito rápido na rede e tem que ser um trabalho constante, se não você “some”. Pra começar é importante ter um design gráfico bom, convidativo e medir a intensidade dos posts, tem que ficar alerta pra não acabar enchendo o saco dos outros.

Júlio Lucas – A Vivendo do Ócio ganhou vários prêmios por onde passou (Prêmio Gas Sound (2009), Bahia de Todos os Rocks - Show do Ano (2008), Jornal ATARDE (Salvador, BA) - Artista Local (2009), Bahia de Todos os Rocks - Banda do Ano (2010), MTV Video Music Brasil). A coisa foi sistemática, proposital, resultado de uma boa produção, ou vocês se surpreenderam com a aceitação do público e crítica?

Luca Bori - Acredito que tenha sido resultado do que a gente plantou desde o começo da banda, sempre tentando produzir, tocar o máximo possível e trabalhar de uma forma profissional, mesmo quando a banda ainda não tinha gravadora, tudo isso junto com a aceitação do público em relação ao som que a gente faz. Foi algo que a gente não esperava mas que a gente conseguia entender que estávamos indo no caminho certo.

Júlio Lucas – Vocês são de uma geração que não necessita necessariamente da mídia de massa pra se projetar. Como vocês lidam com isso? O que vocês acham dos sucessos impostos pela mídia global?

Jajá - A gente faz o nosso e quando a midia vem até nós aproveitamos ela da melhor forma possível, nosso foco de trabalho é a música, ela vem em primeiro lugar, fazemos do jeito que queremos, sem nos preocupar, o contrário dos produtos que vem com música moldada, cheia de jabá que apenas passam pela rádio, “15min na TV” e depois ninguém mais vai lembrar. A gente trilha nosso caminho com música de verdade para pessoas de verdade.

Júlio Lucas – E o cenário do rock baiano, o que acham? 

Jajá - Tem muitas bandas boas, porém o circuito da cidade não tem muitos espaços ou produção de grandes eventos. Salvo agora o Rock Concha que veio numa boa hora, a cidade precisa de mais eventos desse tipo.
Uma coisa importante pra fazer a cena andar é a união, as bandas deviam se juntar mais e fazer a coisa acontecer, a cena é um movimento.

Júlio Lucas – Vocês lançaram recentemente o webclipe da faixa “Eu Gastei”, do álbum O Pensamento é um Ímã. Tô sabendo que está bombando. Com foi o processo de criação e produção desse trabalho?

Luca Bori - A gente já estava com a idéia de fazer um clipe “meio bizarro”, e em uma noite a gente lembrou dessa idéia do Iphone e lembrou de um amigo nosso que faz umas danças muito loucas, juntamos as duas ideias e bolei um roteiro de um cara que acorda em um pesadelo preso com um celular no rosto, gravamos na mesma noite, eu e esse amigo que não posso revelar a identidade. rs. Foi algo bem do momento mesmo, depois foi só editar e jogar na internet.

Júlio Lucas – Dieguito, você foi o último componente a entrar para o grupo. Como foi isso? Você já conhecia os caras? Foi amor à primeira tocada (no bom sentido musical é claro)? 

Dieguito - Foi isso mesmo, como eu já era amigo dos caras e ja tocava com o Davide Bori na banda “Índica” a bastante tempo foi um processo bem natural, via sempre Luca e Jajá na correria pra arrumar baterista mas infelizmente eu não podia nem me escalar pois alem da índica eu tocava na Efeito Joule e BR64, desde a primeira música que ouvi da Vivendo do Ócio eu percebi que ali tinha algo de diferente e isso aumentou ainda mais quando vi o primeiro show da banda no América Show com o Mamed na bateria, a efeito joule até tocou nesse dia, lembro que parei e pensei: “Eu tocaria muito nessa banda”... 
A primeira vez que toquei na Vivendo do Ócio acho que foi em 2007, como a família de Mamed morava em juazeiro as vezes ele tinha que passar uma temporada la, e em uma dessas eu quebrei o galho da vivendo do ócio durante 6 meses, mas ai com o tempo o Mamed teve outras prioridades e tive que assumir de vez, lembro que na epoca ele falou comigo que queria gravar o primeiro cd da banda e pa, ai eu falei que era de boa mesmo da minha parte, ai ele gravou o “Teorias de amor Moderno” que é a nossa primeira demo. Pra mim conhecer esses caras e participar da vivendo do ócio foi a coisa mais importante que ja aconteceu na minha vida, e o melhor de tudo é que sinto que muitas energias boas ainda virão e ainda nem demos o primeiro passo.

Júlio Lucas – Como foi a experiência de tocar no exterior? Inclusive trouxeram na bagagem alguns clipes.

Luca Bori - Foi louco, algo que a gente nunca imaginou e que deu super certo, a gente sempre aproveitava a viagem pra se juntar com alguém e voltar com uns clipes na bagagem, na primeira a gente levou o Rafael Kent e conseguimos voltar com 3 clipes, um gravado em Amsterdã e outros 2 em Londres e na segunda vez em 2011, tocamos no ItaliaWave Love Festival, aproveitamos um amigo nosso o Federico que estava começando com esse lance de vídeo e gravamos Silas.

Júlio Lucas – O que a Vivendo do Ócio, que não descansa, está aprontando? Quais os próximos projetos?

Luca Bori - Agora nosso próximo pensamento é de divulgar ao máximo o nosso novo álbum, seja em shows, rodando todo o Brasil, com novos clipes e nas redes sociais, aproveitando o máximo da internet. 

Júlio Lucas – Vocês que já viajaram tanto por aí, inclusive no exterior, como foi a experiência de tocar em Jequié (interior baiano) pela primeira vez?

Jajá - A gente já estava devendo, o show foi bala, fomos muito bem recebidos! Com certeza esse foi apenas o primeiro! A vibe de Jequié foi tão massa quanto de qualquer show lá fora.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Entrevista com Camisa de Vênus no Tribos do Rock deste sábado

Grande público em show antológico no Parque da Cidade de Salvador consolida retorno da banda aos palcos (FOTO: Rosilda Cruz)
No Tribos do Rock deste sábado teremos entrevista ao vivo com o Camisa de Vênus. Um papo descontraído por telefone para desvendar um pouco o que os caras desta antológica banda vão aprontar na primeira apresentação em Jequié. 
O evento intitulado ROCKCURA que vai acontecer na noite da sexta-feira, 13 de julho, conta também com outras duas atrações inéditas por estas bandas do sudoeste baiano: a aclamada Vivendo do Ócio e o som inusitado da Camarones Orquestra Guitarrística. O ROCKURA vai acontecer na sede do Jequié Moto Estrada, na avenida César Borges, em frente ao Samu, às 20hImperdível. 
O TdR vai ao ar sábado a partir das 20h pela: www.105jequie.com.br

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

PapoOnline.com: Shau (e Os Anéis de Saturno), que lançou recentemente seu disco "Caixa de Ilusões"

Nesta edição do PapOnline, o Cantor e compositor jequieense, Shau (e Os Anéis de Saturno), que lançou no sábado (19) seu 2º CD, Caixa de Ilusões, no Havana Music Bar, fala do novo disco, da sua trajetória musical, da afinidade com o rock nacional dos anos 80, da mídia de massa e do cenário independente atual. Com vocês, paponline.com Shau




JÚLIO LUCAS - Como e quando você começou a cantar e escrever? Conta um pouco do início da sua trajetória musical.



SHAU - Gosto de música desde criança, lembro que ficava ouvindo as rádios locais, e toda vez que eu ouvia uma canção que me chamasse a atenção eu parava tudo que estivesse fazendo pra ouvir atentamente, de certa forma aquilo me prendia. Comecei a escrever canções em 1996, mas nessa época eu mal sabia pegar no violão, então cantarolava as melodias que criava e escrevia as letras num caderno. Quando montei minha primeira banda, (No Fate) no final de 1996 foi que comecei a arriscar uns acordes, e em 1998 com a banda (Estado Civil), segunda banda na qual fiz parte. Houve ainda uma terceira banda chamada (Estigma), mas o projeto não durou nem um ano, e em 2002 a banda Shau & Os Anéis de Saturno foi montada.


JÚLIO LUCAS - Fale do seu primeiro disco e do hiato de uma década para o 2º registro.


SHAU - Sempre rola um certo medo quando um artista lança seu primeiro trabalho. Tem o fato de você não saber como as pessoas vão receber aquilo, se vão compreender sua arte, rola o fato da inexperiência em estúdio, de entrar num universo novo que é totalmente diferente do show ao vivo. Mas com tudo isso conseguimos bons resultados, pois o disco têve uma canção premiada no segundo festival de música da Educadora FM em Salvador em 2004, e no mesmo ano recebeu quatro estrelas na crítica de música feita pelo jornal “O Globo”.

No segundo disco houve umas dificuldades que acabaram atrasando o lançamento. Fui morar em outra cidade, houve a saída de uns integrantes e a entrada de novos músicos na banda, também tive um problema de saúde que me impossibilitou de continuar as gravações. Foram muitos fatores que acabaram adiando o lançamento do Caixa de Ilusões. Foram quase dez anos, mas finalmente conseguimos.



JÚLIO LUCAS - Como você vê a cena da música pop e dos artistas independentes atualmente no mundo e no Brasil?

SHAU - Tem rolado uns trabalhos bem legais, tem uma turma nova que tá vindo com tudo, com uma atitude legal, fazem um trabalho independente e autoral, divulgam na internet através de blogs, youtube e redes sociais.




JÚLIO LUCAS - Focando mais especificamente a Bahia e Jequié; qual sua opinião sobre o contexto musical local?

SHAU - Na Bahia a gente sempre encontra dificuldades pra divulgar um trabalho dessa natureza, e Jequié tem muita influência de Salvador, as pessoas daqui e de outras cidades interioranas acabam consumindo o que as rádios da capital aclamam, então as portas acabam se fechando pra aqueles que não nadam a favor da maré. Poucos são os que sobrevivem a esse monopólio todo, então acabamos ficando com um número bem resumido de bandas de rock, de pop, reggae, MPB, chorinho e outros estilos que não são de apelo popular.




JÚLIO LUCAS - Sabemos que você é fã confesso do pop rock nacional dos anos 80. O que você vê de diferenças e semelhanças entre a cena daqueles tempos e a atual?


SHAU - Naquele tempo havia um ideal, os artistas gravavam suas canções sem se preocupar com fama ou dinheiro. Queriam se expressar como artistas,  tentavam mudar o mundo através da música, seja falando de amor, ou fazendo denúncias a um sistema corrupto. Nos tempos de hoje a imagem parece importar mais do que a mensagem, muitos filhos de artistas já consagrados entram na mídia pela facilidade de assinar contratos com gravadoras e acabam oferecendo ao público um trabalho plastificado e sem conteúdo, que nada vem a acrescentar. A semelhança é o fato da dificuldade encontrada pra veicular um trabalho dessa natureza, na linha rock ou pop. Na época era difícil a divulgação independente, pois não existia a internet e o contato tinha que ser direto com as gravadoras. As bandas tinham que se deslocar pra os grandes centros. Hoje a internet facilita a divulgação, mas por outro lado tira a visibilidade de alguns trabalhos, pois a maioria dos produtores recebe diariamente milhares de mp3 de bandas e artistas solo, e na maioria das vezes são trabalhos de péssima qualidade, isso acaba gerando uma certa perda de credibilidade por parte dos produtores e gravadoras nos trabalhos divulgados pela internet.


JÚLIO LUCAS - Fale um pouco sobre seu encontro com o Capital Inicial. A descontração foi tanta que além do papo rolou até som de voz e violão com os caras, como foi isso?

SHAU - Estive duas vezes com os caras do Capital Inicial, a primeira foi em Vitória da Conquista, onde batemos um papo e fiquei de entregar umas canções a eles. Mas o encontro mais duradouro foi aqui em Jequié quando vieram tocar no Forró do Namoral. Estive com os caras na praça Luiz Viana, fui entregar minhas canções e chegando lá os caras estavam tomando umas cervejas, então me convidaram pra tomar umas, como eu tinha levado meu violão, os caras decidiram fazer um som. O guitarrista Yves Passarell tocou umas canções do capital e eu fiquei no vocal, depois toquei umas canções de minha autoria pra apresentar meu trabalho a eles. O papo foi se estendendo e passamos a tarde inteira fazendo um som e aproveitando pra destrinchar o rock dos anos oitenta com Fê Lemos (baterista do capital), o cara fundou o aborto elétrico, primeira banda punk de Brasília, ao lado de Renato Russo e Flávio Lemos. Então eu não podia perder essa oportunidade. Foi realmente hiper produtivo, não é todo dia que você passa a tarde numa mesa de bar tocando violão e trocando informações com um dinossauro do rock brasileiro.


JÚLIO LUCAS - Como você define seu trabalho?

SHAU - Defino meu trabalho como uma banda que tem os pés no chão, que conhece todas as dificuldades que uma banda independente passa, mas que à cima de tudo mantém a integridade, que não se deixa levar pelos modismos nem pela politicagem. Nosso compromisso é com a arte.


JÚLIO LUCAS - Quem acompanha seu trabalho sabe que você prima muito pela qualidade e percebe a evolução nas suas composições (tanto nas letras como nas músicas). Soube que você tem estudado canto. Também tem pesquisado outros artistas? Quais fontes inspiradoras você tem garimpado?

SHAU - Eu estudei canto durante três anos com a professora de canto e pianista Tânia Araújo. Sempre quis cantar direito, poder ouvir minha voz no disco e não me sentir mal. Além do estudo do canto, eu busco ouvir artistas que têm uma boa linha vocal, como Morten Harket do (A- ha), Bono Vox (U2), Morrissey (The Smiths), gosto do som do Coldplay, Snow Patrol, Travis. No geral, gosto de vocalistas que cantam com emoção.


JÚLIO LUCAS - Fale um pouco das dificuldades encontradas para gravar um CD e das diferenças do seu primeiro registro para o Caixa de Ilusões, lançado no último sábado (19). Percebo uma pegada mais rock´n´roll e letras mais contundentes com críticas sociais mais diretas enquanto o anterior foi mais tomado por canções existenciais, é isso mesmo?

SHAU - As dificuldades são inúmeras, pois o custo da produção de um cd ainda é muito alto e encontramos muitas dificuldades em conseguir patrocínios pra esse tipo de trabalho.
Realmente, o primeiro Cd tem um lado mais existencial. A maioria das canções é cantada na primeira pessoa. Têm umas canções românticas e de cunho espiritual. Neste segundo disco eu tava vivendo outro momento, e tinha muita coisa que e eu tava a fim de dizer. Coisas que não pude abordar no primeiro cd, até mesmo pela atmosfera do disco. O Caixa de Ilusões é um disco com uma sonoridade mais rock in roll e canções diretas.


JÚLIO LUCAS - Os produtores da mídia de massa forjam (ou se apropriam) nomenclaturas como “axé music”, “música sertaneja”, “funk carioca”, “pagode” e muitas outras, quase sempre limitando a abrangência e diversidade e distorcendo a criatividade da verdadeira música popular. No Caixa de Ilusões você faz crítica direta a TV e ao Carnaval. O que você acha da massificação desses “estilos” musicais pelos veículos de comunicação e da receptividade do público a isso tudo?

SHAU - Acredito que a educação não está restrita apenas às salas de aula e às universidades. A música é fundamental na formação intelectual e na educação do ser humano. Toda mensagem trazida pela música afeta diretamente na maneira de pensar e de agir das pessoas. Se a mensagem for positiva, todo mundo só tem a ganhar, mas, se ela for negativa todo mundo perde com isso. Pois a música de má qualidade não tem compromisso algum com a arte ou com o senso crítico, seja qual for o estilo. Continuo acreditando que podemos fazer um mundo melhor através da música.


JÚLIO LUCAS - O que falta para o artista independente consolidar seu trabalho e viver do seu talento sem a necessidade da superexposição na mídia?

SHAU - Acho que o que falta é um pouco de apoio dos meios de comunicação, rádio, jornal, revista. É fazer com que as pessoas conheçam os trabalhos independentes. Que elas tenham outras possibilidades de música e façam suas escolhas e que não fiquem presas ao que os grandes meios de comunicação em massa divulgam, ou melhor, impõem.


JÚLIO LUCAS - “O mundo anda tão complicado” como na canção do Legião Urbana e em As aventuras de Raul Seixas no país de Thor ele já previa: “A civilização se tornou complicada/ Que ficou tão frágil como um computador/ Que se uma criança descobrir/ O calcanhar de Aquiles/ Com um só palito pára o motor”. Você tem otimismo quanto ao futuro da humanidade? Acredita que as novas gerações, por terem maior acesso às informações, podem melhorar o mundo, ou do jeito que as coisas estão só tendem a piorar?

SHAU - Acho que temos que ser otimistas apesar de vermos o mundo doente do jeito que está. As gerações futuras têm bastante acesso a informação, e acho que se essa informação toda for utilizada para o bem, se eles souberem mastigar essas informações antes de engolir, se tiverem senso crítico e poder de questionamento tudo dará certo.


JÚLIO LUCAS - Quais seus planos para o futuro próximo, de posse desse novo trabalho? Pretende percorrer outras áreas?

SHAU - Agora que o Caixa de Ilusões foi lançado, pretendo levar ele ao maior número de pessoas possível. Fazer com que elas possam conhecer e tirar suas conclusões desse trabalho, levar esse novo show a áreas ainda não percorridas. Afinal, é uma nova fase onde priorizamos o trabalho autoral. No momento estamos trabalhando num novo álbum, e paralelamente a isso continuaremos com o show “Caixa de Ilusões”.

sábado, 9 de julho de 2011

No TdR deste sábado fique por dentro do Circuito Fora do Eixo e da apresentação da Formidável Família Musical em Jequié

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Esta edição do paponline.com revela um pouco mais do inquieto artista jequieense Zéu Britto



Neste paponline.com tem Zéu Britto: ator, músico e poeta. Inquieto e multifacetado artista jequieense com trabalhos consagrados no teatro, no cinema e na tv. 
Zéu fala da sua infância, da sua trajetória, dos próximos projetos e do prazer por ter sido convidado pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (SECUT) para ser o mestre de cerimônia do São João de Jequié 2011.

Júlio Lucas – Lembro de você, garoto em Jequié, dizendo gostar de música clássica, ao mesmo tempo em que já fazia brincadeiras que se tornariam sucessos musicais na sua carreira. Você tinha ideia de que suas performances espontâneas iriam ser fundamentais na sua trajetória?

Zéu Britto - Júlio queridão, em primeiro lugar é um prazer falar pra ti pra meu povo que festejo e gosto tanto. Na verdade as brincadeiras de criança já são manifestações artísticas, inquietudes da persona, e graças a Deus sempre tive liberdade para ousar. Fiz do quintal um palco e da minha família, uma platéia, tem riqueza maior que essa? Tinha que ser criativo, afinal de contas cabrito da caatinga, come pedra, sobe ladeira e agüenta tudo!

Júlio Lucas – Você saiu de Jequié para fazer vestibular em Salvador e lá resolveu fazer o Curso Livre de Teatro da UFBA. Se não seguisse a carreira artística, qual seria sua área?

Zéu Britto - Minha paixão por desenho e pintura me motivou um bom tempo a querer ser arquiteto, sem contar a influência de meu primo Micheli Neto, decorador maravilhoso e premiado, quase segui a mesma carreira dele. Como tocava teclado e violão, compus e brinquei bastante, percebi que as pessoas adoravam as músicas, as performances, enfim, o chamado do palco foi definitivo.

Júlio Lucas – Do Curso Livre para uma longa temporada com o Los Catedrásticos. Dali em diante participações na TV, no cinema, assinando trilha sonora, fazendo shows, CD, DVD. Tudo aconteceu muito rápido ou você teve tempo para digerir esses processos de criação e atuação e ainda lidar com o sucesso?

Zéu Britto - A gente não sabe de nada, só segue os impulsos e vai, vai, cada vez mais fundo. Cada convite que recebo, tomo como se fosse uma missão, a medida que você cumpre as missões vai vendo mais longe, com clareza e assim vai alcançando os sonhos. O sucesso é a comprovação factual de que você nasceu pra fazer determinada coisa, está então no caminho certo.

Júlio Lucas – Seu trabalho é uma profusão de referências multiculturais. Existe alguma pista para contextualizá-lo? Tropicalista, pós-moderno, pós-tudo - como diria Lenine -, ou é um catalisador indefinível deste “tudo ao mesmo tempo agora”?


Zéu Britto - A profusão de Gênios que já fizeram e aconteceram na Bahia, no Brasil e no mundo é um mosaico tão incrível que se as gerações futuras tentarem entender  de forma segmentada nunca conseguirão. Lenine, Tom Zé, Paulo Dourado, todos estão certos, a mistura é que influencia, tudo já foi feito várias vezes neste mundo mas toda vez que um artista se propõe a rever e reinventar, manifesta-se ali algo novo. Eu sou um pós moderno no fim do mundo de ouvidos abertos e olhos arregalados!

Júlio Lucas – Seja na música, na TV, no cinema ou no teatro, seu humor original chega a promover certa simbiose entre o artista e o personagem. Michelle Nicié disse que “para dirigir um bicho-artista (como você) ...tem que deixar o bicho solto”. Isso ajuda ou atrapalha na hora de seguir o script?

Zéu Britto - Cada experiência apresenta uma nova dificuldade, tem personagens que cabe liberar o bicho e usar muito de minha natureza mas também sou cobrado aqui ou ali å mudar, sempre estarei aberto como argila e acredito em bons diretores artesãos

Júlio Lucas – O público conhece mais seu lado humorístico, mas você atuou recentemente em obras dramáticas no cinema: Trampolim do Forte e Capitães da Areia. Como foram essas experiências?

Zéu Britto – Fan club em “Trampolim do Forte” foi recebido com emoção, sabia que vindo de João Rodrigo seria um roteiro fora de série e não deu outra, o filme é lindo! Vivi um travesti que ajuda uma criança a vingar seu amor, durante as filmagens sentia a vibração da história. Já o “Capitães da Areia”, dirigido por Cecília Amado, eu faço um gago e canto uma canção de Batatinha “É Proibido Sonhar”, direção musical do mestre Carlinhos Brown, foi massa também, fiquem atentos quando estes filmes entrarem em cartaz.

Júlio Lucas – Música, poesia, cinema, teatro, tv? Quais das linguagens você se identifica mais?

Zéu Britto - Todas elas fluem, são braços de um só corpo, não conseguiria destacar uma apenas. Curto muito saber que cada dia tem uma missão diferente, um desafio...

Júlio Lucas – E os projetos? A agenda continua sempre repleta das multifacetas de Zéu Britto ou tem planos para se dedicar a um trabalho mais específico?

Zéu Britto – Fazer o show “Saliva me ao vivo” que deu origem ao DVD, até outubro já tem muita coisa bacana agendada, entrei numa farra chamada Zorra Total e está sendo divertido, vou compor uma trilha especial pro musical “Prisioneiros da Balança”, texto de Elísio Lopes e direção de Otávio Muller, este trio foi sucesso em Decameron, enfim, quanto mais coisas melhor.

Júlio Lucas – “Nada trava o talento”; um dia você disse isso numa entrevista para o Outro Papo, um jornal local? Você diria algo mais aos jovens talentos que estão neste momento lendo a entrevista e pensando nas dificuldades da própria carreira?

Zéu Britto – Todos estão cheios de chama artísticas, é uma riqueza muito grande. Todo mundo pode ter uma boa idéia, gravar em vídeo, pensar em tudo direitinho e mandar pra rede, quando menos espera é gol, sucesso, sem precisar se lançar em rede nacional numa grande emissora, hoje são infinitas as possibilidades, o que faz vencer é uma boa defesa da idéia, defenda sua idéia com unhas e dentes, eu repito sempre, nada trava o talento verdadeiro...

Júlio Lucas – Zéu, já pensou alguma vez em mudar o mundo? Se isso lhe fosse possível realizar, o que faria?

Zéu Britto - Mudar o mundo é um delírio que tem que ser cultivado na mente, idealizado, sonhado, pra quando o sujeito tiver a oportunidade, acrescentar algo que melhore a qualidade das coisas e das pessoas ao redor. Eu penso em mudar o mundo com a arte, minha arma branca, dando um enfoque alegre para os dramas, as mazelas, eu sinto uma necessidade de transformar os fatos pesados em leves ao meu redor, isso é pouco mas é a minha parte.

Júlio Lucas – Ser recebido em sua terra natal para apresentar o São João em homenagem a Elba Ramalho, tem um gostinho especial? O Que o povo de Jequié e visitantes podem esperar de Zéu no São João de Jequié?

Zéu Britto - É uma felicidade Júlio, sou fã de Elba, uma profissional impecável sempre, um símbolo do são joão belo e feliz do nordeste! Sou orgulhoso deste nordeste igual ela, Ave Maria, eu não sou nada sem minha raiz de memória, meu gestual, meu sotaque, minhas crenças, enfim, ta tudo em Jequié, nos espinhos de calumbi, na humildade engraçada do povo e na poesia espontânea de lá. Vou me sentir em casa quando for mestre de cerimônias da maior festa da minha cidade, espero todo mundo. No mais, um abraço pra você e para os leitores desta entrevista, lembranças saudosas å Vaninha, meus amigos Tede e Marlon, dona Fátima e seu Alírio, abraço fraterno para todos.