Este é o Miscelânea, por Júlio Lucas

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terça-feira, 27 de novembro de 2012

Festa Literária do Sertão de Jequié começa nesta quinta



O regional que se torna universal 

Festa Literária revela a dimensão global de ícones nordestinos 
e discute temáticas diversificadas

Entre os dias 29 de novembro e 1º de dezembro a cidade de Jequié, localizada a 365 km de Salvador, sediará a primeira edição da Festa Literária do Sertão de Jequié. Com o tema central “O regional que se torna universal”, o evento pretende revelar a força global de ícones da cultura nordestina e discutir outros assuntos relacionados à literatura e outras linguagens artísticas.
No primeiro dia do evento o participante poderá ter uma ideia da variedade que marcará a programação. O escritor, jornalista e sociólogo Mouzar Benedito vai falar sobre mitologia brasileira e lança uma coleção de seis livros sobre mitos ecológicos da cultura de tradição oral no Brasil: O Saci - guardião da floresta; A Iara - encanto das águas; O Curupira - nosso gênio das matas; O Caipora - amigo dos bichos; O Boitatá - este mito é fogo!; Lobisomem, Cuca e Mula sem Cabeça - importados e naturalizados. Mouzar não se limitará à mitologia. Ele vai abordar também a história de Luiz Gama e lançará ainda o livro Luiz Gama, libertador de escravos, e sua mãe libertária, Luíza Mahin. 

O jornalista Carlos Souza Yeshua enfocará a estratégia mercadológica de Paulo Coelho que o transformou no escritor com mais de 100 milhões de livros vendidos e o autor vivo mais traduzido em todo mundo. O tema da palestra é Paulo Coelho – O Mago da Literatura. Carlos Souza Yeshua fará também o lançamento do livro que contém uma coletânea de artigos intitulado Carta ao Presidente - Brasileiros em busca da cidadania. 
A professora Maribel Barreto discorrerá sobre o tema A razão como base para desenvolvimento da consciência e lançará seu livro Ensaios sobre Consciência. 

Uma oficina sobre criação literária de crônicas será ministrada pelo escritor e professor Vitor Hugo Martins. Antes do Passado, o silêncio que vem do Araguaia: memória, verdade e história brasileira é o tema da palestra da  escritora Liniane Haag Brum, que também lançará um livro sobre o assunto

Centenários - Os cem anos de nascimento de Jorge Amado e Luiz Gonzaga e de criação do Jornal A TARDE serão lembrados. O diário baiano será homenageado por conta de seu apoio à produção literária baiana e por ser fonte de pesquisa para textos literários. Uma mesa redonda sobre curiosidades do Jornal A TARDE terá a participação dos jornalistas Carlos Ribeiro, Heloísa Sampaio e Marjorie Moura e o veículo  será representado na homenagem pelo seu gerente comercial, Edmilson Vaz.
A dimensão da obra de Jorge Amado será abordada em painel com a participação dos escritores e estudiosos dos textos amadianos Gildeci Leite, Adriana Barbosa, Bohumila Araújo e  Domingos Ailton;
O professor Erisvaldo Pereira dos Santos falará sobre Religião de matriz africana na literatura de Jorge Amado: a propósito do texto "O compadre de Ogum”. O professor Gildeci Leite lançará também o seu livro Jorge Amado: da ancestralidade à representação do orixás. A produção musical de Luiz Gonzaga terá como debatedores o cineasta Robinson Roberto, o jornalista César Rasec e os músicos Lourival Eça e Carlos Éden. Neste painel o   cineasta Robinson Roberto revelará imagens e informações inéditas sobre o Rei do Baião. Uma delas mostra o anão, que era de Jequié e integrou o trio   musical de Gonzagão. O poeta e cronista Luis Cotrim, um dos fundadores da Academia de Letras de Jequié e ícone do mundo literário da cidade, falecido  no último dia 3 de novembro aos 95 anos será também homenageado com dois documentários, um  de  Robinson Roberto e outro de Júlio Lucas. Cotrim será homenageado ainda com a entrega da Ordem do Mérito Cultural Luis Cotrim.
Contracultura dos anos 60 - A contribuição de artistas jequieenses para a contracultura dos anos 60 será um tema de discussão por parte dos cineastas Tuna Espinheira, Robinson Roberto, do artista plástico Dicinho e do ex-presidente da Agência Nacional de Petróleo - ANP, Haroldo Lima. Já o professor Luciano Costa Santos vai enfocar em sua palestra “Cultura nacional, modernidade e globalização”.
Adaptações literárias - O processo de  adaptação de uma obra literária para o teatro, o cinema e a televisão será o foco de discussão de um painel que contará com a participação dos cineastas Tuna Espinheira e Guido Araújo, dos jornalistas Joaquim Botelho e Rogéria Gomes e do ator Robério Lima, que interpretou “o professor” no filme Capitães da Areia, de Cecília Meireles, adaptado do romance de Jorge Amado.
Os  escritores Domingos Ailton, Carlos Ribeiro e  Morgana Gazel falarão sobre o poder de transformação da literatura. Poética visual na internet: a experiência das Concrecoisas é o tema da palestra do jornalista, compositor e poeta César  Rasec. O processo de produção e circulação de um livro terá como expositores os escritores Valdeck Almeida de Jesus, Roberto Leal e Carlos Souza. A jornalista e escritora Rogéria Gomes discorrerá sobre a história do teatro no Brasil e as grandes atrizes que marcaram os palcos brasileiros.
Literatura no contexto atual do Brasil é o tema da conferência de encerramento do evento, que terá como palestrante o presidente da União Brasileira de Escritores – UBE, o jornalista e escritor Joaquim Botelho.

Filmes - Não só debates compõem a programação da Festa Literária. Atividades culturais, como encenações teatrais, recitais de poesia, contação de histórias, declamação de cordéis e exibição de filmes de ficção e videocomentários também farão parte do evento. Serão exibidos Cascalho, de Tuna Espinheira, Cine Jequié e Luís Cotrim, de Robinson Roberto, Ambiente Natural e Memória de Contendas do Sincorá e O Candomblé na Cidade de Jequié, de Domingos Ailton, Testemunho de um leitor de Jorge Amado, de  Carlos Pronzato,  Caçadores da Alma, de Silvio Tendler e Luis Cotrim – Poeta Dourado, de Júlio Lucas.
A Festa Literária do Sertão de Jequié conta com chancela e apoio da Pró-Reitoria de Extensão  e Assuntos Comunitários da UESB,  da Academia de Letras de Jequié e da União Brasileira de Escritores - UBE.

Clique no link a seguir para ver toda a programação:

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Iª Flisje - Mitologia Brasileira, Jequié e a contracultura dos anos 60 e Cuíca de Santo Amaro são temas na programação da Festa Literária

O artista plástico Dicinho (3º da esq) entre Maurício Bastos, Lula Martins, Bené Sena, João Batista, Val Rodrigues, César Zama e Dermival Rios. Alguns deles, contemporâneos do chamado "grupo de Jequié" da contracultura  tropicalista. (FOTO: Zenilton Meira)
Mouzar Benedito: estudioso e defensor
da mitologia brasileira

A expectativa é grande para a Iª Flisje - Festa Literária do Sertão de Jequié. A festa que pretende homenagear o centenário de nascimento de Jorge Amado e ainda rememorar Luiz Gonzaga terá uma série de temáticas abordadas em palestras, mesas redondas e oficinas com diversos convidados. De acordo com o escritor Domingos Ailton, membro da ALJ - Academia de Letras de Jequié e integrante da comissão organizadora do evento: "é a primeira vez que uma cidade do sertão baiano terá uma festa literária, que reunirá nomes importantes da literatura e de outras linguagens artísticas do país".Na programação constam a participação do presidente da União Brasileira de Escritores (UBE), o escritor e jornalista Joaquim Maria Botelho, que irá proferir a conferência “A Literatura no contexto atual do Brasil”. Botelho também fará parte de uma mesa redonda juntamente com a jornalista e escritora carioca Rogéria Gomes e os jornalistas e escritores baianos Carlos Ribeiro e Carlos Souza, sobre literatura e jornalismo. Já o escritor, jornalista e sociólogo Mouzar Benedito ministrará a oficina “Mitologia Brasileira”, e o professor da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), Erisvaldo Pereira dos Santos, irá conduzir a palestra “Religião de matriz africana na literatura de Jorge Amado: a propósito do texto ‘O compadre de Ogum’”.
O humor inteligente e libertário de Cuica
de Santo Amaro será discutido e exibido em filme 
O cineasta Tuna Espinheira, que levou o romance Cascalho, de Herberto Sales, para o cinema, debaterá sobre o processo de adaptação de uma obra literária para as linguagens cênica, cinematográfica e televisiva, com a escritora Rogéria Gomes e o vice-coordenador do curso de Teatro da Uesb, Roberto de Abreu. A obra de Jorge Amado será debatida pelo escritor e jornalista Domingos Ailton e pela professora do Departamento de Ciências Humanas e Letras (DCHL) da Uesb, Adriana Abreu. Já a relação de Jequié com a contracultura dos anos 60 será tema de debate entre os cineastas Tuna Espinheira e Robison Roberto e o artista plástico Dicinho. Os escritores Valdeck Almeida de Jesus, Roberto Leal e Carlos Souza debaterão sobre o processo de produção e circulação de um livro. O poder de transformação da literatura terá como debatedores os escritores Domingos Ailton, Carlos Ribeiro Morgana Gazel e a professora do DCHL da Uesb, Zilda Freitas. Cultura nacional, modernidade e globalização será o tema da palestra do professor da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Luciano Costa Santos. A história de vida e a produção literária do cordelista Cuíca de Santo Amaro serão mostradas em palestra e exibição de filme por parte do jornalista e documentarista Josias Pires, autor da série da TVE Bahia “Singular e Plural”. 
No primeiro dia da festa literária serão empossados novos membros da Academia de Letras de Jequié. O público presente na festa literária terá oportunidade também de participar de oficinas de criação literária como a oficina de crônica, ministrada pelo escritor e professor da Uneb, Vitor Hugo Martins. Após suas respectivas palestras os escritores lançarão e autografarão seus livros. Também acontecerá exposição de obras de autores regionais e laçamentos de títulos com sessão de autógrafos.
Acesse o site do evento e veja todos os detalhes!

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Nossa homenagem ao Saci: o personagem mais popular do folclore brasileiro.


Também conhecido como saci-pererê, saci-cererê, matimpererê, saci-saçurá e saci-trique, o Saci é uma das personagens mais populares do folclore brasileiro. 
O mito é conhecido provavelmente pelo menos desde o fim do século XVIII, mas presume-se sua origem entre os indígenas da Região das Missões, no Sul do país, de onde teria se espalhado por todo o território brasileiro. 

Na Região Norte do Brasil, a mitologia africana o transformou em um negrinho que perdeu uma perna lutando capoeira. Herdou também, da cultura africana, o pito, uma espécie de cachimbo e, da mitologia europeia, herdou o píleo, o gorrinho vermelho usado pelo lendário trasgo, ser encantado do folclore do norte de Portugal. Rebeldes, de pequena estatura, os trasgos usam gorros vermelhos e possuem poderes sobrenaturais. Vale ressaltar que já na mitologia romana, registrava Petrônio, no Satiricon, o píleo que conferia poderes ao íncubo e recompensas a quem o capturasse.
A função desta "divindade" era o controle, sabedoria, e manuseios de tudo que estava relacionado às plantas medicinais, como guardião das sabedorias e técnicas de preparo e uso de chá, beberagens e outros medicamentos feitos a partir de plantas.
Como suas qualidades eram as da farmacopeia, também era atribuído, a ele, o domínio das matas onde guardava estas ervas sagradas, e costumava confundir as pessoas que não pediam a ele a autorização para a coleta destas ervas.
Em 1917 Monteiro Lobato realizou uma pesquisa entre os leitores do jornal O Estado de S. Paulo com o título de "Mitologia Brasílica – Inquérito sobre o Saci-Pererê", colhendo narrativas dos leitores sobre as versões do mito ajudando a definir e popularizar suas características atuais. O Saci já ganhou versões para a literatura, incluindo quadrinhos, cinema e TV. 
O sociólogo jornalista e escritor Mouzar Benedito defende a imagem do Saci para ser o mascote da Copa do Mundo. Para ele o Saci é “A síntese da formação do povo brasileiro: É o mito brasileiro mais popular (...). É o típico brasileiro: mesmo pelado e deficiente físico, é brincalhão e gozador. O Saci surgiu como mito Guarani. Era um curumim protetor da floresta. Só com a chegada do europeu é que ele passou a ser demonizado, para facilitar a implantação do cristianismo."
Negro, protetor das florestas, deficiente e divertido, o Saci realmente reúne todos os quesitos para representar o povo brasileiro neste evento que vai atrair as atenções do mundo para nosso país. Vale a pena defender essa ideia, embora o Tatu Bola já tenha sido escolhido, acredito que ainda poderíamos reverter isso. Envie sugestões para www.cbf.com.br.