Este é o Miscelânea, por Júlio Lucas

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terça-feira, 27 de abril de 2021

Oscar 2021: Veja lista dos indicados e os filmes premiados



Melhor filme

"Meu pai"

'"Judas e o messias negro"

"Mank"

"Minari"

"Nomadland" (premiado)

"Bela vingança"

"O som do silêncio"

"Os 7 de Chicago"

 

Melhor atriz

Viola Davis - "A voz suprema do blues"

Andra Day - "Estados Unidos Vs Billie Holiday"

Vanessa Kirby - "Pieces of a woman"

Frances McDormand - "Nomadland" (premiada)

Carey Mulligan - "Bela vingança"

 

Melhor ator

Riz Ahmed - "O som do silêncio"

Chadwick Boseman - "A voz suprema do blues"

Anthony Hopkins - "Meu pai" (premiado)

Gary Oldman - "Mank"

Steve Yeun - "Minari"

 

Melhor direção

Thomas Vinterberg - "Druk - Mais uma rodada"

David Fincher - "Mank"

Lee Isaac Chung - "Minari"

Chloé Zhao - "Nomadland" (premiada)

Emerald Fennell - "Bela vingança"

 

Melhor atriz coadjuvante

Maria Bakalova - "Borat: fita de cinema seguinte"

Glenn Close - "Era uma vez um sonho"

Olivia Colman - "Meu pai"

Amanda Seyfried - "Mank"

Youn Yuh-jung - "Minari" (premiada)

 

Melhor ator coadjuvante

Sacha Baron Cohen - "Os 7 de Chicago"

Daniel Kaluuya - "Judas e o messias negro" (premiado)

Leslie Odom Jr. - "Uma noite em Miami"

Paul Raci - "O som do silêncio"

Lakeith Stanfield - "Judas e o messias negro"

 

Melhor filme internacional

"Druk - Mais uma rodada" / Dinamarca (premiado)

"Shaonian de ni" / Hong Kong

"Collective" / Romênia

"O homem que vendeu sua pele" /Tunísia

"Quo vadis, Aida?" /Bósnia e Herzegovina

 

Melhor roteiro adaptado

"Borat: fita de cinema seguinte"

"Meu pai" (premiado)

"Nomadland"

"Uma noite em Miami"

"O tigre branco"

Roteirista de 'Meu Pai' no Oscar — Foto: Reprodução

 

Melhor roteiro original

"Judas e o Messias negro"

"Minari"

"Bela vingança" (premiado)

"O som do silêncio"

"Os 7 de Chicago"

 

Melhor figurino

"Emma"

"A voz suprema do blues" (premiado)

"Mank"

"Mulan"

"Pinóquio"

 

Melhor trilha sonora

"Destacamento blood"

"Mank"

"Minari"

"Relatos do mundo"

"Soul" (premiado)

 

Melhor animação

"Dois irmãos: Uma jornada fantástica"

"A caminho da lua"

"Shaun, o Carneiro: O Filme - A fazenda contra-ataca"

"Soul" (premiado)

"Wolfwalkers"

 

Melhor curta de animação

"Burrow"

"Genius Loci"

"If anything happens I love you" (premiado)

"Opera"

"Yes people"

 

Melhor curta-metragem em live action

"Feeling through"

"The letter room'"

"The present"

'"Two distant strangers" (premiado)

"White Eye"

 

Melhor documentário

"Collective"

"Crip camp"

"The mole agent"

"My octopus teacher" (premiado)

"Time"

 

Melhor documentário de curta-metragem

"Colette" (premiado)

"A concerto is a conversation"

"Do not split"

"Hunger ward"

"A love song for Natasha"

 

Melhor som

"Greyhound: Na mira do inimigo"

"Mank"

"Relatos do mundo"

"Soul"

"O som do silêncio" (premiado)

 

Canção original

"Fight for you" - "Judas e o messias negro" (premiado)

"Hear my voice" - "Os 7 de Chicago"

"Husa'vik" - "Festival Eurovision da Canção: A saga de Sigrit e Lars"

"Io sì" - "Rosa e Momo"

"Speak now" - "Uma noite em Miami"

 

Maquiagem e cabelo

"Emma"

"Era uma vez um sonho"

"A voz suprema do blues" (premiado)

"Mank"

"Pinóquio"

 

Efeitos visuais

"Problemas monstruosos"

"O céu da meia-noite"

"Mulan"

"O grande Ivan"

"Tenet" (premiado)

 

Melhor fotografia

"Judas e o messias negro"

"Mank" (premiado)

"Relatos do mundo"

"Nomadland"

"Os 7 de Chicago"

 

Melhor edição

"Meu pai"

"Nomadland"

"Bela vingança"

"O som do silêncio" (premiado)

"Os 7 de Chicago"

 

Melhor design de produção

"Meu pai"

"A voz suprema do blues"

"Mank" (premiado)

"Relatos do mundo"

"Tenet"

domingo, 25 de abril de 2021

Todo mundo quer saber: Quem vai receber a estatueta em tempos de pandemia?

#oscar2021 - Façam as suas apostas!

"Nomadland" - Favoritismo com crítica social e produção modesta
"Nomadland" - Favoritismo com crítica social e produção modesta


A mais importante premiação do cinema acontece neste domingo (25). O Oscar 2021. E o público amante do cinema vem torcendo pelos seus favoritos e fazendo suas apostas nas redes sociais.
Em um ano atípico que promete muitas mudanças, não só por conta da pandemia, como não poderia deixar de ser, a cerimônia reserva outras grandes surpresas.
É certo que a Covid 19 obrigou o adiamento da data para hoje, 25 de abril. A quarta vez que isso acontece na história de 93 anos da premiação. O formato do cerimonial também ganha mudanças inéditas. Apenas os indicados, apresentadores e seus acompanhantes devem comparecer pessoalmente ao evento, além da equipe técnica, obviamente.
A apresentação logo mais vai se dividir entre a Dolby Theater, a tradicional casa do Oscar em Hollywood, e a Union Station, estação de trem no centro de Los Angeles, local mais amplo onde será possível manter o distanciamento entre os convidados. O formato hibrido é uma estratégia para evitar a transmissão fria completamente remota que não teve boa audiência no Emmy e no Globo de Ouro.
Mas os sinais de um novo tempo vão muito além dos protocolos de distanciamento por conta da Covid-19. A gradual consolidação do movimento hashgtag #OscarsSoWhite (algo como "O Oscar é tão branco"), que viralizou desde 2015, pressionando Hollywood a privilegiar cada vez mais a diversidade em suas indicações, juntamente com os cinemas fechados e estreias em plataformas de streamings, fez com que a Academia abrisse os olhos para produções mais modestas e oxigenando o favoritismo entre atores negros, além de destacar mulheres e cineastas de origem asiática na disputa pela estatueta de melhor direção.
Boa parte das fichas nas categorias de interpretação vão para o falecido Chadwick Boseman (Pantera Negra) e Viola Davis ("A Voz Suprema do Blues"), Daniel Kaluuya ("Judas e o Messias Negro") e a sul-coreana Youn Yuh-jung ("Minari"). A chinesa Chloé Zhao, é favorita para o Oscar de direção por "Nomadland".
Aliás, a considerar os prognósticos apontados nas premiações organizadas pelos diferentes sindicatos de Hollywood, que costumam anteceder o Oscar, ”Nomadland" é o grande favorito desta noite com seis indicações ao Oscar. Em boa hora pode chegar o inédito prêmio para resgatar a gigantesca Disney da desconfiança do público mais exigente após as duras críticas de racismo contidos nos clássicos que a fizeram rever seus conceitos nestes últimos anos. O curioso é isso acontecer justamente com um título modesto da franquia Searchlight Pictures, um braço independente da antiga Fox, hoje do grupo da toda poderosa das animações.
São quatro organizações principais que podem nortear o caminho das estatuetas. PGA: Sindicato dos Produtores da América; DGA: Sindicato dos Diretores da América; SAG: Sindicato dos Atores; WGA: Sindicato dos Roteiristas da América. A maioria dos eleitores desses sindicatos são os mesmos que votam no Oscar, tornando algumas premiações previsíveis. Previsíveis sim, certas não.
O prêmio do PGA é o principal indicador para a categoria de Melhor Filme, o vencedor foi Nomadland, enquanto a animação foi Soul, da Pixar.
O longa estrelado por Frances McDormand, apresenta uma trama inspirada no livro de Jessica Bruder e acompanha uma mulher de 60 anos que perde tudo durante a recessão e passa a viver como uma espécie de nômade, fazendo trabalhos sazonais enquanto viaja pelo oeste americano. A animação da Pixar fala sobre vida, morte e alma. Além de “Nomadland”, o favorito, os outros indicados ao Oscar 2021 de Melhor Filme são: “Meu Pai”, “Judas e o Messias Negro”, “Mank”, “Minari”, “Bela Vingança”, “O Som do Silêncio” e “Os 7 de Chicago”.
O DGA premia os melhores diretores e diretoras do ano. A cerimônia do Sindicato também premiou Chloé Zhao por “Nomadland” na categoria principal. Zhao segue como a favorita para o prêmio da Academia. Se isso se confirmar, ela será a segunda mulher a vencer o prêmio de direção no Oscar, que indicou apenas sete mulheres em toda a história do Oscar.
O Sindicato dos Atores premiou nas categorias de atuação “Os 7 de Chicago” com o Melhor Elenco de Filme, e Chadwick Boseman levou o prêmio de Melhor Ator por “A Voz Suprema do Blues”, mesmo filme que garantiu Viola Davis ganhadora como Melhor Atriz. Na parte de coadjuvantes, Youn Yuh-Jung recebeu Melhor Atriz por “Minari”, e Daniel Kaluuya ganhou por “Judas e o Messias Negro”.
Ainda correm entre os indicados ao Oscar 2021 de Melhor Ator, além de Boseman: Riz Ahmed por “O Som do Silêncio”, o veterano Anthony Hopkins por “Meu Pai”, Gary Oldman com  “Mank” e Steven Yeun em “Minari”.
As indicadas ao Oscar 2021 de Melhor Atriz: Viola Davis, como não poderia ficar de fora, Andra Day por “The United States vs. Billie Holiday”, Vanessa Kirby por “Pieces of a Woman”, Frances McDormand por “Nomadland” e Carey Mulligan por “Bela Vingança”.
 
Os indicados para Melhor Ator Coadjuvante são Sacha Baron Cohen por “Os 7 de Chicago”, Daniel Kaluuya por “Judas e o Messias Negro” – favorito, Leslie Odom Jr. por “Uma Noite em Miami”, Paul Raci por “O Som do Silêncio” e Lakeith Stanfield por “Judas e o Messias Negro”.
Ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante estão no páreo: Maria Bakalova por “Borat: Fita de Cinema Seguinte”, a veterana Glenn Close por “Era uma Vez um Sonho”, Olivia Colman por “Meu Pai”, Amanda Seyfried por “Mank”. Yuh-Jung Youn por “Minari” – favorita.
O WGA, que escolhe os melhores roteiros do ano aconteceu nessa quarta, 21 de abril. Melhor Roteiro Original foi para “Bela Vingança”, escrita por Emerald Fennell; Melhor Roteiro Adaptado: “Borat: Fita de Cinema Seguinte”, Roteiro de Sacha Baron Cohen & Anthony Hines, Dan Swimer, Peter Baynham, Erica Rivinoja, Dan Mazer, Jena Friedman e Lee Kern.
Confira os indicados ao Oscar Melhor Roteiro Original: “Judas e o Messias Negro”, “Bela Vingança” (Favorito), “O Som do Silêncio” e “Os 7 de Chicago”.
Os indicados ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado são “Borat: Fita de Cinema Seguinte” (Favorito), “Uma Noite em Miami”, “O Tigre Branco”.
A pandemia forçou ainda diversas mudanças nas regras da Academia. Com o fechamento de cinemas, o lançamento disponível por meio e formato digitais também está permitido. Este fator foi fundamental para ampliar a quantidade de filmes feitos originalmente para plataformas de streaming, como a NetFlix.
Se há alguns anos o júri dos festivais entortava a boca para esse segmento, entre os estúdios, a liderança da Netflix é inegável em 2021. A plataforma consolidou sua posição que já vinha construindo há alguns anos e recebeu 35 indicações: “Mank” (10), “Os 7 de Chicago” (6), “A Voz Suprema do Blues” (5), “Era uma Vez um Sonho” (2), “Crip Camp” (1), “Destacamento Blood” (1), “Festival Eurovision da Canção: A Saga de Sigrit e Lars” (1), “Rosa e Momo” (1), “O Céu da Meia-Noite (1)”, “Professor Polvo” (1), “A Caminho da Lua” (1), “Pieces of a Woman” (1), “Shaun, o Carneiro, o Filme: A Fazenda Contra-Ataca” (1) e “O Tigre Branco” (1). Também produtora em streamings, o Amazon Studios, ficou com 12 indicações. Entre os outros stremings, a Apple teve duas indicações, e o Hulu teve uma. Os estúdios tradicionais como Warner (8 indicações), Disney (8), Focus Features (7), Sony (6), A24 (6) e Searchlight (6).
Depois de uma passagem discreta por premiações anteriores, “Mank”, filme de David Fincher produzido pela Netflix, lidera a lista, com dez indicações.
Com prêmios do PGA e do DGA, os criadores de "Nomadland" já devem estar com seus discursos de agradecimento preparados e afiados para a noite de premiação. Mas há que se terem precaução, visto que volta e meia acontecem zebras.
Sem vitória antecipada por essas organizações o sul-coreano "Parasita", grande azarão no ano passado, derrotou o favorito inglês "1917".
O mexicano “Roma”, produção da NetFlix, surpreendeu em 2019 ao abrir a porteira de premiações para a plataforma streaming com dez indicações, ficando com três estatuetas.
Em 2017, a surpresa foi mais escandalosa. O musical "La la land" perdeu para "Moonlight", quando aconteceu aquele mico histórico: a estatueta foi entregue equivocadamente à equipe do favorito e logo os apresentadores, alertados pela produção, tiveram que corrigir o erro interrompendo os discursos e pegando de volta o prêmio para entregar aos verdadeiros ganhadores. 
Isso significa que, com tantas mudanças no Oscar 2021, improvável podem acontecer dando um gostinho a mais na audiência e quebrando a banca de apostas.

sábado, 12 de dezembro de 2020

Como David Guetta tornou-se uma entidade da música eletrônica? Conheça sua história!

















(Por CaioLucas, originalmente publicado para PlayBPM)


Você nem precisa escutar música eletrônica para conhecer o francês David Guetta. Ele é certamente o DJ mais famoso do mundo. Carregando sempre uma multidão de fãs por qualquer lugar que passe, é conhecido por ser uma máquina de produzir hits. Precursor das parcerias com artistas pop, muito antes de Avicii ou mesmo Calvin Harris, o “titio” Guetta já tem dois Grammys no currículo e incontáveis certificados de ouro e platina. Único DJ que já se apresentou em todas as 15 edições do Tomorrowland, Guetta inaugurou uma nova era na música eletrônica no início da década passada, fazendo com que essa vertente musical finalmente atingisse as massas. Ele com certeza é uma lenda viva na cena e isso não há como negar! Mas, será que você conhece a trajetória do astro?


O INÍCIO DE UM PRODÍGIO


Pierre David Guetta nasceu em Paris, na França, no dia 7 de novembro de 1967. Pois é, mesmo com 53 anos, o francês demonstra em cada uma de suas apresentações que ainda possui tanta energia e empolgação quanto um adolescente.
Seu interesse pelo mundo da música teve início aos 17 anos de idade. Guetta deu início à sua carreira de DJ no Broad Club, em Paris, onde tocava apenas os hits mais conhecidos da época. Foi só em 1987 que ele esbarrou com uma track do DJ Farley Keith na rádio e se apaixonou pela música house, momento visto por muitos como o real despertar dessa fera que conhecemos hoje.
Daí pra frente, David começou a organizar as suas noites em clubs com suas setlists e regras próprias. Até que em 1990, em parceria com o rapper Sidney Duteil, lançou o seu primeiro single, intitulado ‘Nation Rap’.
Quatro anos depois, em colaboração com o vocalista Robert Ownes, Guetta lançava a sua segunda track, ‘Up & Away’. Neste mesmo ano, tornou-se gerente de uma casa noturna na cidade de Le Palace, onde começou a organizar as festas extremamente memoráveis que contribuíram para construir a imagem que o DJ tem hoje.


A ASCENSÃO GLOBAL

Mas foi só em 2001 – com o lançamento do hit ‘Just a Little More Love’ – que ele se tornou mundialmente conhecido. Produzido ao lado de Chris Willis e Joachim Garraud, o single foi um sucesso imediato, dando origem ao primeiro álbum de estúdio de Guetta. Com o mesmo título do single anterior, o disco estourou nas rádios do mundo todo em velocidade recorde e vendeu mais de 300 mil cópias no ano de 2002.
Outro grande passo marcante da carreira de Guetta foi o clipe da música ‘Love is Gone’, do álbum ‘Pop Life’, lançado em 2007. Qualquer usuário do Orkut na época com certeza vai se lembrar desse clássico, que fez um sucesso tão absurdo da noite pro dia que bate a nostalgia só de escutar os vocais.


A FANTÁSTICA CONSISTÊNCIA

No ano de 2009, David Guetta produziu a icônica ‘I Got a Feeling’ da banda Black Eyed Peas, que se tornou um hit em todo o mundo e se manteve no topo das paradas por um bom tempo em dezessete países.
Já em 2010, um dos álbuns mais espetaculares da carreira do francês era lançado. Com uma tracklist recheada de sucessos memoráveis – como ‘When Love Takes Over’, ‘Sexy Bitch’, ‘Memories’ e ‘The World is Mine’ – ‘One More Love’ vendeu mais de quatro milhões de cópias e recebeu certificado de platina em sete países.
Em 2011, Guetta lançava o seu documentário ‘Nothing But the Beat’, que conta um pouco da sua história até chegar ao patamar revolucionário na indústria musical.
Seu quinto disco, com o mesmo nome do documentário, foi lançado em agosto de 2011 como álbum duplo: um disco eletrônico e outro com vocais. O DJ francês inspirou-se em bandas como Kings of Leon e Coldplay para adicionar influências de rock em suas produções. Na lista de músicas, tracks atemporais como ‘Titanium’, ‘Turn me On’, ‘She Wolf’, ‘Play Hard’ e ‘Sunshine’ conduziram as cinco milhões de vendas e oito certificados de platina conquistados.
Em 2014, Guetta lançou o novo álbum, ‘Listen’, que contou com a participação de artistas do R&B, hip hop, rock alternativo e pop, como Nicki Minaj, John Legend, Sia, Magic!, Bebe Rexha e Skylar Grey. Ele também possui produção adicional de DJs de peso, como Avicii, Afrojack, Nicky Romero, Showtek e Stadiumx entre outros.


O RETORNO ÀS RAÍZES
Agosto de 2018 era chegado o momento de David Guetta retornar com seu projeto alternativo ‘Jack Back’. Representando os diversos lados de sua jornada musical, o retorno do “titio” às suas raízes no underground repercutiu rapidamente em toda a indústria, com lançamentos pelas maiores gravadoras do cenário, como a Tolroom e a Defected Records.
Em setembro de 2018, Guetta lançava seu sétimo álbum intitulado “7”. Esta produção mostra as diferentes facetas do trabalho do DJ e se divide em dois álbuns. O primeiro tem 15 faixas, que deram ao pop uma cara mais dance, com colaborações de Bebe Rexha, J.Balvin, Jason Derulo, Justin Bieber, Nicki Minaj, Sia, Black Coffee, Steve Aoki, Martin Garrix e muito mais. Já o segundo apresenta outras 12 tracks, as quais fazem parte de seu projeto underground Jack Back. O álbum mostrou a rica musicalidade e versatilidade do artista, que consegue misturar a música eletrônica com diferentes gêneros, como o pop, hip hop e trap.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Edição Especial da Flipelô começa hoje

Por conta da pandemia todas as atividades serão virtuais (Foto: Divulgação Flipelô.org)  

Começa logo mais às 14h a Edição Especial da Festa Literária Internacional do Pelourinho – FLIPELÔ. Com vasta programação totalmente online que se estende até domingo (13 de dezembro), o evento homenageia este ano o próprio Pelourinho - ou Pelô, como é carinhosamente chamado o bairro da cidade de Salvador, localizado no Centro Histórico da cidade - onde acontece todos os anos a Festa literária.


Serão realizadas mais de 47 atividades online e a participação de 64 convidados, em mesas de debate, saraus, espetáculos lítero-musicais, contação de histórias, oficinas e podcasts, tudo transmitido virtualmente pelo canal www.youtube.com/flipelo. As atividades também podem ser acompanhadas pelas redes sociais Instagram.com/flipelo e Facebook.com/flipelo. A realização é da Fundação Casa de Jorge Amado e do Sesc – Serviço Social do Comércio. 


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CONFIRA A PROGRAMAÇÃO A SEGUIR

(HOJE) 10 de Dezembro:
14:00 - 16:00 Oficina de Criação Literária Arte da Palavra – Thiago Tizzot
19:00 Mesa de abertura: “Bem-vindo ao Pelô! Gentes, literatura, passados, presentes…”, com Chico Sena (BA) e Carla Akotirene (BA). Mediação: Denny Fingergut (BA).

(SEXTA) 11 de Dezembro:
09:00 Contação de história com Rafahel Ramos (BA)
10:00 - 12:00 Oficina – Como Criar Saraus nas Quebradas?! – Sandro Sussuarana
10:00 Espetáculo literomusical infantil – Boquinha… E Assim Surgiu o Mundo…
10:00 - 12:00 Oficina – Noções de Narrações de Histórias – Augusto Pessoa
11:00 Mesa – Sou Nerd, sou Geek e o que mais eu quiser! Com a Palavra, os Gamers – Anne Quiangala e Leandro Villa – mediação de Renato Cordeiro
12:00 Rota Gastronômica – vídeo com receita
12:30 Rota das Artes Pelourinho – vídeo de abertura
13:00 Contação de Histórias com Dona Cici
13:30 Oficinas do Centro de Formação Artesanal do Sesc Bahia
14:00 - 16:00 Oficina de Criação Literária Arte da Palavra – Thiago Tizzot
14:00 Mesa – Arte que Empreende: Economia e Processos Criativos – Jair Marcatti e Ayrson Heráclito – mediação de Daniele Canedo
15:00 - 17:00 Roda de Conversa – Leituras de Antônio Torres: Vem Conversar! – Rosinês Duarte
15:00 Contação de Histórias com Mabel Veloso
16:00 Mesa – Leitura e Escrita de Qualidade para Todos: um Desafio, um Compromisso – Márcia Licá e Wagner Santana – mediação Neide Almeida
17:00 Contação de Histórias com Augusto Pessoa
18:00 Mesa – O que quer, o que pode esta rima! Poesias, Ideias, Teimosias e Afins… Sergio Vaz e Preta Rara – mediação de Edvard Passos
19:00 Sarau Flipelô – apresentação de Daniel Farias – Denisson Palumbo, Filipe Lorenzo, Lívia Natália e Raiça Bomfim
20:00 Sarau das Mulheres – Clarissa Macedo, Inaê Sodré, Jaquinha Nogueira, Ludmila Singa, Marcela Brito, Mariana Guimarães e Mariana Paim.
21:00 Show/live do Paulinho Boca em homenagem a Moraes Moreira

(SÁBADO) 12 de Dezembro:
09:00 Espetáculo litero-musical infantil – Encontro com o Pequeno Príncipe Preto
10:00 - 12:00 Oficina – Como Criar Saraus nas Quebradas?! – Sandro Sussuarana
10:00 - 12:00 Oficina – Noções de Narrações de Histórias – Augusto Pessoa
10:00 Mesa – #partiuFlipelô Sou da Bahia e tô Bombando nas Redes! Iuri Sotero, Ivan Mesquita, Deko Lipe e Carol Adesewa – mediação Renato Cordeiro
11:00 Mesa Com a Palavra o Escritor – Milton Hatoum – mediação Rodrigo Casarin
12:00 Rota Gastronômica – vídeo com receita
12:30 Exposição Pelo Pelô – artistas: Alvaro Vilela, Isa Oliveira, Leonel Mattos, L. Folgueira, Marcos Costa Cabuloso, Mário Edson, Raimundo Bida, Tereza Mazzoli, Totonho e Vander Designer
13:00 Contação de Histórias com Dona Cici
13:30 Oficinas do Centro de Formação Artesanal do Sesc Bahia
14:00 Mesa Internacional – Pepetela – mediação Rita Chaves
15:00 - 17:00 Roda de conversa – Leituras de Luiz Gama: Vem Conversar! – Rosinês Duarte
15:00 Contação de Histórias com Mabel Veloso
16:00 Mesa – Aventuras Amadianas: dos Livros para as Telonas – Cecília Amado e Marcelo Farias 
17:00 Contação de Histórias com Augusto Pessoa
18:00 Mesa Vem, meu amor, falar das poéticas musicais do Olodum – Alberto Pita, Tonho Matéria e Sílvio Almeida – mediação João Jorge
19:00 Sarau Flipelô – apresentação de Talis Castro – Alex Simões, Sandro Sussuarana, Luz Ribeiro e Aiace
20:00 Show/live do cantor Gerônimo em homenagem ao Pelourinho

(DOMINGO) 13 de Dezembro:
09:09 Espetáculo literomusical infantil – Tapetes contadores de histórias
11:00 Live da Missa Rosário dos Pretos
11:00 Espetáculo infantil – Toada Crianceira: cancioneiro brincante da infância com Canastra Real (SP)
12:00 Rota Gastronômica – vídeo com receita
12:30 Exposição “Rota das Artes no Pelourinho”
13:00 Contação de Histórias com Dona Cici
13:30 Oficinas do Centro de Formação Artesanal do Sesc Bahia
14:00 Show da Banda Agentes do Metrô (apresentação gravada) (BA)
15:00 - 17:00 Roda de Conversa – Clarice Lispector- Rosinês Duarte
15:00 Contação de Histórias com Mabel Veloso
16:00 Mesa 11: Roda de conversa – “Tradições tecidas em redes de ontem e de hoje”, com Karine Santos (Wakanda)(BA) e Cleidiana Ramos (BA)
17:00 Contação de Histórias com Augusto Pessoa
18:00 Mesa – Poesia Épica dos Brasis: o longo fôlego na contemporaneidade – Cida Pedrosa, Mailson Furtado – mediação – José Inácio Vieira de Melo
19:00 Encerramento show/live do grupo Olodum

sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

Professor indiano ganha prêmio da Unesco por promover a educação de meninas.

Foto: Foto / Divulgação / Ansa - Brasil

Ranjitsinh Disale vence o Global Teacher Prize, premiação realizada por Varkey Foundation e Unesco, por um trabalho que promove a educação de meninas. Brasileira Doani Bertan ficou entre os 10 finalistas

 Ranjitsinh Disale, professor de escola primária na Índia, é o vencedor deste ano do prestigioso Prêmio Global de Professores. Disale, que desenvolveu método de ensino baseado em inclusão, principalmente de meninas, e uso de tecnologia, se destacou como o melhor professor do mundo, por ter modificado a realidade da comunidade em que atuava. Entre outras iniciativas, trabalhou para que os materiais didáticos estivessem disponíveis para seus alunos na língua local (Kannada). Com apoio da tecnologia, Disale passou a promover a personalização da aprendizagem ao inserir códigos QR para que as crianças pudessem, ao seu próprio ritmo, ter acesso a poemas em áudio, videoaulas, histórias e tarefas.

O vencedor deste ano do Prêmio Global Professor da Fundação Varkey 2020 foi anunciado em um evento virtual realizado ontem. O Sr. Disale, o novo vencedor, dava aulas em uma classe espremida entre um estábulo de gado e um depósito em uma localidade onde prevalecia o casamento adolescente infantil e as taxas de frequência nas escolas eram muito pequenas. Tanto os meninos quanto as meninas beneficiadas pelo método do professor indiano eram incentivados a levar uma vida doméstica trabalhando para ajudar na renda familiar onde as famílias vivem na linha de pobreza com média de menos de dois dólares diários.

O maior desafio para o alcance de melhores resultados na aprendizagem, explicou Ranjitsinh, é que o currículo escolar não estava no idioma principal dos alunos (Kannada), dificultando os estudantes e ele próprio por não ter o domínio do idioma imposto. “Depois de muito esforço, aprendi Kannada", disse a Varkey Foundation. O impacto de suas intervenções foi tamanho que atualmente não há casamentos de adolescentes na aldeia e as meninas registram uma taxa de frequência escolar de 100 por cento. “Promover a educação para meninas é mais do que fazer com que elas compareçam à escola, é fazer com que elas se sintam seguras na comunidade e na sociedade” disse Ranjitsinh.

O Sr. Disale foi selecionado entre mais de 12 mil indicações de 140 países. Como resultado de seus esforços 98 por cento das meninas concluíram os estudos e a instituição de ensino do distrito recebeu o prêmio de Melhor Escola em 2016.

Disale tem um currículo impressionante. Já recebeu o prêmio de Pesquisador Inovador do Ano de 2016 na Índia e o prêmio de Inovador do Ano da National Innovation Foundation em 2018. O ganhador de 31 anos diz que dividirá metade do prêmio no valor de um milhão de dólares da Varkey Foundation e Unesco com os outros nove finalistas, incluindo um nigeriano, um sul-africano e a brasileira Doani Bertan.

Que venham mais exemplos como este para a melhoria da educação em todo o mundo nestes tempos difíceis em que vivemos com tantas notícias ruins e informações desencontradas.  


COM INFORMAÇÕES DO SITES: Porvir e The Standard    

 

terça-feira, 17 de novembro de 2020

A trajetória da música eletrônica: do house até o retorno do tecno ao mainstream


Na segunda edição de OUTRO OLHAR, seção onde apresentamos postagens de parceiros e colaboradores do Miscelânea, contamos com o artigo de CaioLucas. Jovem amante da música que tem se destacado com trabalhos originalmente publicados na PlayBPM - Revista de Música Eletrônica. 

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No final dos anos 80 surgia um fenômeno musical na Europa, mais especificamente no Reino Unido e em Berlim, que hoje é o gênero mais vendido do mundo pela Beatport e ocupa a vanguarda dos maiores festivais de música eletrônica. Sim, estamos falando do tecno: o som que está dominando as pistas de todo o mundo e atingiu patamares que influenciaram até mesmo o universo do rock e do pop. 

Mas você faz ideia do caminho percorrido por essa vertente até chegar nos dias atuais? Obviamente, outros gêneros e muitos artistas fazem parte dessa história. E aqui vamos nós desvendar passo a passo essa incrível jornada do house dos anos 80 ao tecno emergido no mainstream da cena eletrônica.


As origens do house

Assim como a moda, a música ou a cultura pop em geral tem o costume de trabalhar em torno de “tendências” e estas são determinadas pelos inovadores da indústria.

Após o sucesso intenso da disco-house dos anos 80 se expandir para Chicago e chegar até o Studio 54 de Nova York, poucos imaginavam que este som pudesse impactar o próximo meio-século. Enquanto a cena tecno de Detroit continuava a crescer cada vez mais por conta dos elementos minimalistas presentes nas músicas, surgia na Inglaterra no início dos anos 90 outro som com uma vibe completamente diferente intitulado de ‘acid house’. A novidade marcava presença em um dos clubes mais requisitados de Manchester, o The Haçienda, e tornou a realização das raves ilegais em galpões uma prática comum nos fins de semana de Londres. Com o uso de drogas como o LSD e aderindo o - agora notável - símbolo ‘Smiley Face’ como uma marca recorrente, este subgênero abriu caminho para a descoberta do trance no final do século passado. Figuras como Paul van Dyk, Ferry Corsten, Paul Oakenfold e Tiesto contribuíram para garantir uma imagem mais comercial com o uso dos lasers e os explosivos canhões de CO2 comuns nos famosos clubes, como o Amnesia Ibiza.

 

O surgimento do “EDM”

Quando o termo “EDM” – Electronic Dance Music – explodiu no final da primeira década do milênio, este foi incorporado à cena mainstream de uma maneira nunca antes vista. Nomes como Swedish House Mafia e o Calvin Harris contribuíram para fundir o dance com o pop. Tracks como ‘Miami 2 Ibiza’ e ‘I’m not alone’ dominaram por várias semanas as paradas de sucesso no verão de 2009 e no ano seguinte pelo mundo inteiro, sendo executadas em todas as pistas de dança dos clubes e festas universitárias de fins de semana.

Percebendo o momento de mudança na cena eletrônica, o astro francês David Guetta – que já passeou pelo underground se apresentando no Space Ibiza com sets de vinil até o sol raiar -  emplacou três vezes consecutivas o topo das paradas britânicas em um período de apenas dois meses com os lançamentos de ‘When love takes over’, ‘Getin over’ e ‘Sexy chick’.

 

Os pioneiros

Aqueles que prosseguiram neste caminho expoente foram amplamente elogiados (e também criticados) por se aventurarem em busca de novas diversidades artísticas.

Quando o astro sueco Avicii subiu ao palco principal do Ultra Music Festival de 2013, atingindo claramente o auge da sua carreira, trazia, então, um som melódico inovador, que ninguém tinha conhecimento ainda. Assim, resplandecia o momento decisivo de uma das figuras mais importantes de um movimento que sequer apresentava indícios de saturação. A música eletrônica nunca tinha estado na vanguarda nem alcançado tanto reconhecimento da cobertura da grande imprensa como naquela ocasião. Ali despontava sobre a figura revolucionária de um jovem de 23 anos, um enorme potencial de dominar o gênero por vários anos seguintes.

Desse dia em diante, o cenário mudou. Tim Bergling decide apresentar ao mundo uma inovação do gênero frente ao maior festival de música eletrônica do planeta, deixando todos surpreendidos com a sequência de várias tracks inéditas sob influências do country e do folk, em vez dos hitsSilhouettes’ e ‘I could be the one. A repercussão crítica que este set causou foi lendária, e alguns da imprensa consideravam-no “avançado demais para a dance music”. Meses depois, o mundo havia compreendido a genialidade de Tim, com o seu hit ‘Wake me up’

com fortes elementos do country conquistando múltiplos certificados de platina e atingindo mais de um bilhão de plays tanto no Spotify, como no Youtube. Nascia um pioneiro.

 

A queda da EDM

No período entre 2010 e 2013, amplamente conhecido como “a era de ouro” da EDM, a separação do trio Swedish House Mafia introduziu à cena eletrônica uma série de novos sub-gêneros. A exemplo do som ‘Dirty Dutch’ de Hardwell, que impulsionaria o produtor de big room a alcançar o topo do polêmico ranking da DJ Mag e artistas como Dimitri Vegas & Like Mike e Martin Garrix, que adotaram estilos similares (até a mudança deste último para o som melódico em 2015). Os vencedores do prêmio de “Melhor DJ do mundo” ficaram concentrados nos seis anos seguintes nas mãos de produtores de big room; um exemplo claro de que a indústria estava se modificando.

Com os últimos cinco anos sendo atravessados pela introdução do ‘future house’ em meados de 2013 (graças a Tchami e Oliver Heldens) e a eclosão do movimento de bass music nos Estados Unidos (ou Trap, para os mais chegados), a paisagem da dance music vem mudando constantemente, germinando e engrandecendo novos sub-gêneros, enquanto tentamos buscar uma identidade fiel para definir o cenário da música eletrônica nos tempos modernos.

 

A ascensão do tech house

As bases para o ressurgimento do tecno como força dominante foram anunciadas nos últimos anos com o “salto” do tech-house para as pistas de todo o mundo. Um gênero mais comercial companheiro das batidas industriais ríspidas do tecno e de um house focado nas melodias cativantes.

Além do sucesso repentino e fundamental do australiano Fisher com seu hit ‘Losing it’, outra track se tornou a “cabeça-de-chave” deste movimento: trata-se de ‘Cola’, da dupla Camelphat. Mas, como esses sons com uma vibe mais deep e underground conseguiram abrilhantar o cenário eletrônico durante dois anos seguidos, sendo nomeados no Grammy em melhor gravação de dance music? É possível perceber que esse som “chiclete” era inovador e logo se tornaria o “queridinho” das pistas ao redor do planeta. Acrescentando os vocais de Elderbrook após um encontro no estúdio em janeiro de 2017, o futuro hit oriundo de Liverpool foi estreado por Danny Howard no especial de dance music da BBC Radio 1, de Annie Mac e Pete Tong, sendo tocado até hoje por diversos DJ’s. Com a track preenchendo diversos clubes ao redor de Ibiza, ela logo foi ascendida a ser considerada a música-tema da temporada de eventos de 2017, sendo remixada por vários produtores, como Robin Schulz, Franky Rizardo, ZHU e Teamworx. Hoje, ultrapassando impressionantes 100 milhões de plays tanto no Spotify como no Youtube, Camelphat tornou-se um nome de referência quando o assunto é house music.

 

O retorno do tecno

Nos últimos tempos, com vários fãs de música enjoando da fórmula repetida presente no big room, aqueles que se ousam a buscar fora da caixa e fornecer algo único e inovador para os padrões atuais estão novamente sendo recompensados. Artistas como Enrico Sangiuliano e Adam Beyer se mantém dominando a nova onda de tecno, juntamente com a recém gravadora Drumcode, oferecendo as produções mais finas do lado “dark” desta vertente. Além disso, no início deste ano a indústria já consolidava este novo (e velho) som; sempre marcando presença nas mais populares festas de Ibiza com figuras como o destacado Black Coffee, o brilho de Tale of Us, os sólidos sucessos de Charlotte de Witte e Boris Brejcha e a icônica lenda Carl Cox. Sem contar com inúmeros festivais voltados para o gênero que vêm movimentando uma multidão de fãs nos últimos anos. Como o DGTL, Time Warp, Awakenings e o Movement. Era chegada a hora do tecno emergir das profundezas do underground para a vanguarda da cena eletrônica novamente.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

A quem interessa o fim do mundo que bate à porta mais uma vez?

O cinema explorou bastante a data fatídica antes da imprensa disseminar a opinião da ciência

Creio que esta seja a terceira vez que escrevo sobre o fim do mundo. Em 2000, antes da existência deste blog, publiquei um artigo no Jornal Actual, periódico local, intitulado: “Passamos pelo fim do mundo”. Mais recentemente revisitei o assunto, visto que as pessoas em toda parte do planeta parecem não conseguir viver sem tais previsões catastróficas. Nesta ocasião, a crônica foi postada neste blog: “Passamos pelo fim do mundo novamente”. Agora, resolvi fazer uma pesquisa na internet e encontrei mais de uma centena de datas frustradas do famoso cataclismo que me despertaram outra vez para o tema, sempre no intuito de desmistificá-lo. 
Autores fazem fortuna com publicações apocalípticas

Sejam religiosos, supersticiosos, místicos, pseudo-cientistas, empresários ou, simplesmente, lunáticos, o fato é que os anunciadores do apocalipse sempre encontram ressonância nos veículos de comunicação sem qualquer responsabilidade com as possíveis consequências das suas previsões. Sabemos que nenhuma das malfadadas profecias passadas culminou na destruição do planeta, senão não estaríamos aqui contando essas histórias. Mas, é certo que muitas delas acabaram por provocar tumultos, saques, suicídios, prejuízos financeiros, revoltas e até mesmo grandes tragédias. Em vários casos, no entanto, ocorreu fama e muito dinheiro para os falsos profetas e aproveitadores da situação. 
Stoeffler causou tragédia com sua profecia 

Um dos fatos mais famosos e trágicos da história foi o caso do catedrático de uma universidade e conselheiro da corte, tido como fonte idônea, Johannes Stoeffler. Por sua reputação na Alemanha, o astrólogo convenceria o conde Von Iggleheim a construir uma arca de três andares. Ele previu que aconteceria um dilúvio em 20 de fevereiro de 1524. Stoeffler falava sobre isso desde 1499. Centenas de livros foram publicados sobre o assunto, e muitos astrólogos confirmaram a teoria interpretando sinais da chegada da catástrofe. No dia previsto, logo pela manhã começou a chover torrencialmente. Uma multidão entrou em pânico e tentou invadir a arca. Tentando defender a propriedade, o conde matou uma pessoa com sua espada, mas morreu pisoteado. Antes do final do dia, a população local tinha se chacinado mutuamente. Crianças, velhos e mulheres sucumbiram no tumulto. A arca foi destruída. Diante do desastre que provocou e sobreviveu, Stoeffler argumentou que sua previsão se consolidara: afinal, uma desgraça tinha acontecido. E resolveu então prever novo fim do mundo para 1528. 

Mais recentemente outro suposto profeta ficou famoso: o pastor norte-americano Harold Camping, proprietário de uma rede de comunicação, previu várias vezes que o mundo iria acabar. Para ele, o apocalipse de 1994 não aconteceu por erro de cálculo e transferiu a data para 21 de maio de 2011. Desta vez, a defasagem foi de cinco meses e a grande catástrofe passou para 21 de outubro do mesmo ano. Por fim, após mais um fracasso profético, ele se convenceu que o erro estava nele, que não é gênio. Creio que esta tenha sido a coisa mais certa que ele revelou. 
Atualmente, toda vez que se anuncia o fim do mundo, novos produtos e serviços chegam ao mercado. Livros, artigos, documentários, conferências, filmes de ficção, séries e novelas televisivas e promoções publicitárias chamam atenção dos incautos e enchem as contas bancárias dos espertos. Lunáticos ou empreendedores conscientes sobre o pânico alheio investem tudo o que têm nas suas versões mirabolantes de arcas, abrigos anti-catástrofes e campos de pouso para discos voadores. Outros faturam oferecendo serviços de abrigos espirituais blindados durante o período em que o mundo estiver acabando. Vale lembrar que a passagem para um novo mundo, no entanto, não custa pouco, e o pagamento é sempre antecipado, obviamente. A celeuma também gera rendimentos aos especialistas que se dedicam em provar o contrário. 
Geralmente em datas redondas do Calendário Gregoriano as profecias catastróficas se atropelam. No ano 1000, a ignorância causaria muitos problemas. Em 2000, não foi diferente. A ambição é tanta, que a mídia deixou subentendido que a virada do milênio seria de 1999 para 2000. A indústria do entretenimento promoveu Reveillons milionários  por toda parte antes que o mundo acabasse. A correta data só seria disseminada pela imprensa quando já era tempo de renovar as expectativas e se planejar de novo para a verdadeira virada do milênio no final de 2000 para 2001. Novas campanhas publicitárias foram retomadas pelos veículos de comunicação e outros serviços e produtos anunciados. 
Nesta semana, estamos mais uma vez às vésperas do fim do mundo. Agora, os números curiosos apontam a próxima sexta-feira (21/12/12) como data final. Exímios astrônomos, os maias, criaram vários calendários simultâneos que funcionavam como uma engrenagem. O último ano registrado por eles, 5126, corresponde ao nosso 2012 e não sei por que cargas d’água eles não fizeram mais calendários. Mas, mal passa uma data frustrada da hecatombe e outra se instala imediatamente. Como o suposto dia fatídico está na esquina, visto que hollywood e grandes corporações já faturaram fortunas com a ignorância das massas, chegou a vez dos telejornais e revistas darem voz à ciência que afirma categoricamente não existirem indícios de catástrofes que culminem com término da vida na Terra nos próximos dias. Alguns místicos entendem que se trata simplesmente do final de um ciclo espiritual. Uma oportunidade para mudança de consciência coletiva. Menos mal. 
Enquanto isso, novas datas são especuladas. Caso o mundo não acabe neste fim de semana, o asteroide Apofhis já foi escolhido como a bola de fogo da vez. Ele vai passar no ano de 2029 perto da Terra, e já é o vilão do próximo fim dos tempos. Se sua primeira passagem não ocasionar nenhum estrago, a segunda, mais próxima ainda da Terra, já está prevista para 2036. E desta vez, garantem os novos profetas do apocalipse, não teremos saída. 

Em 1910 o Halley ainda associado à catástrofe
não deixou de ser explorado comercialmente
Isso me faz lembrar o alarde da passagem do cometa Halley em 1986, faceta depois apelidada por muitos como a farsa do século. Agitaram a imaginário popular, com a conivência dos meios midiáticos, enquanto promoviam-se campanhas milionárias de interesse de alguns grupos econômicos. Ainda em 2010, no entanto, a passagem do Cometa Halley, a partir da informação que havia gás letal em sua cauda, gerou pânico em todo o mundo e fortuna em algumas contas bancárias. Especulações abriram as portas para a exploração comercial e religiosa do fenômeno. Máscaras, roupas e comprimidos contra o gás foram algumas das criativas soluções na época para a sobrevivência ao final dos tempos.
Discreta no céu, a última passagem do cometa
deixou um rastro de produtos e serviços
pela indústria do entretenimento na Terra
Para a última passagem do cometa, em 1986, viagens espaciais e várias pesquisas justificaram, com o perdão do trocadilho, gastos astronômicos. Devido a desmistificação em decorrência da experiência de quase três décadas da era espacial, provavelmente a lenda do fim do mundo por causa do cometa não vingaria desta vez. Mesmo assim houve a disseminação de equívocos para que alguns grupos se capitalizassem com o fenômeno. Máquinas registradoras não paravam enquanto telescópios, camisetas, brinquedos, merendeiras, mapas estelares, suvenires de todo tipo, livros, capas de cadernos, eventos, músicas, filmes e novelas davam a falsa impressão de que o imenso astro luminoso seria visto por todos. Uma enxurrada de lunetas imprestáveis foi despejada no mercado global até que os telejornais, às vésperas da melhor data para observação, finalmente admitissem que não seria tão fácil ver o Cometa Halley sem equipamento adequado. 
Eu, adolescente na época, tive mais sorte que a maioria dos terráqueos. Me acotovelei entre dezenas de pessoas para ver por alguns segundos através do teodolito de um vizinho topógrafo o pequeno astro nebuloso, sem graça e sem cauda aparente. Aos que nada viram naqueles dias, só lhes resta torcerem para que o mundo não acabe antes do próximo periélio, em 2061. Se vivos e lúcidos poderão tentar se deslumbrar com aquele prometido astro luminoso que quando não destrói o planeta deixa seu rastro brilhante pelo céu.
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Veja no link a seguir centenas de datas previstas para o fim do mundo que nunca aconteceu, de acordo com o site sandcarioca.wordpress e outras fontes de pesquisa.