Este é o Miscelânea, por Júlio Lucas

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segunda-feira, 22 de abril de 2013

Aleilton Fonseca lança Arlequim da Paulicéia no Salvador Shopping


"Em O arlequim da Pauliceia, Aleilton Fonseca destaca o amor de Mário de Andrade por São Paulo, ao mesmo tempo em que descobre novos sentidos em sua obra, mesclando excertos dela e fotografias das primeiras décadas do século 20. O resultado primoroso nos conduz a uma viagem nostálgica e poética."

sábado, 19 de janeiro de 2013

OUTRO OLHAR: Metacrítica (por Miguel Mensitieri)


Estreamos a temporada 2013 do MISCELÂNEA com uma velha novidade: a exemplo do espaço PAUSA PARA POESIA,  que pontua frequentemente este blog com trabalhos poéticos de autores diversos, resolvi também publicar crônicas e artigos críticos, que nem sempre refletem a opinião da nossa editoria mas levantam questões relevantes sobre assuntos variados. 
Pois bem, assim inaugura nosso OUTRO OLHAR, com seu artigo crítico sobre a crítica intitulado Metacrítica, o controvertido cronista, poeta e contista Miguel Mensitieri, autor do livro recentemente lançado Planos Entrelaçados.
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A indolência mental paralisa a vontade de ir além de uma estrutura simples, obriga a uma leitura de fácil assimilação apoiada no previsível e estratifica a percepção. É sempre bom navegar fora da ordem (sensação de descobertas), ir ao encontro de uma perspectiva caótica e, se possível, ordenar noutro nível tal desordem.
Críticos incipientes colocam a objetividade como principal condição para que se compreenda clara e simplesmente uma mensagem; eles não percebem a semente do dogma que germina e se instala na raiz dessas opiniões carentes de fundamentos teóricos e que respiram sob o signo do achismo – neologismo em ascensão.
Li um texto em que o autor condena com certo ranço de preconceito e em tom depreciativo alguns escritores que brincam com as palavras (os cordelistas adoram tal exercício criativo), rotulando-os de pretensos eruditos que se perdem em divagações subjetivas, produzindo textos vazios e herméticos. Ele não percebe que sem pretensão não se faz literatura. Quem mais pretensioso que Waly Salomão? E nem por isto deixou de produzir uma arte reconhecida e festejada. Quem mais pretensioso que o poeta português Fernando Pessoa que, por sua indiscutível universalidade, dispensa apresentação. Pretensão é vontade de ultrapassar limitações e isto se faz com muito trabalho. De uma pretensa erudição se abstrai importantes conhecimentos, num país sem educação de boa qualidade.
O autor afirma que o palavrório usado por muitos comunicadores não passa de uma tentativa de sobrepor ao comunicado conhecimentos que julgam possuir, com pretensa erudição. Nada se perde em literatura. O palavrório poderá ser transformado em texto cômico-satírico. Vitor Hugo é visto por alguns estudiosos como gênio literário, é autor de uma prolixidade imagética e lexical de encher os olhos e o saco, não obstante forte apelo social de seus romances. Não é grande a distância entre palavreado e prolixidade. O leitor inteligente e maduro é rápido na identificação de uma ironia.
Toda boa literatura deve, em determinado momento, envolver-se com o hermético, e todo grande autor navega meandros subjetivos. Não desprezo supostos “pretensos eruditos”, respeito-os por sua ousadia ao tentar buscar tal condição intelectual. Quantos eruditos existem no Brasil? Talvez dez, ou pouco mais que isto. Digo erudito no sentido mais amplo do termo. Devo salientar que não sou advogado dos milhões de “pretensos eruditos” desprezados pelo autor de “Crítica aos Críticos”. Prefiro um artista criativo sem erudição, a um grande erudito de frágil criatividade, ou nenhuma. Os cordelistas, quando não analfabetos, são limitados em gramática e outros conhecimentos, mas nos abrem páginas poéticas de grande beleza, no contexto da poesia popular. O genial Graciliano Ramos foi chamado de ignorante por importantes críticos e escritores do seu tempo.
Meu caro e bem intencionado articulista, ao citar Sócrates você deixou de acrescentar algo MAIS: ele sofisma ao dizer que “o que sei é que nada sei”. É um sábio que viaja ironicamente nas asas da modéstia e da humildade, no sentido de minimizar sentimento e convicção de superioridade; destarte, do alto de sua sabedoria proclama a fragilidade do gênero humano, sua pretensa insignificância, face à incomensurável grandeza do universo.
Tenho fácil interpretação para a expressão socrática “o que sei é que nada sei“. Se alguém sabe que nada sabe, já sabe alguma coisa, ou seja, sabe que nada sabe. Isto é lógica paradoxal. Sócrates é conhecedor de tudo que há em nada e de nada que existe em tudo.
É preciso fazer amor com o signo literário, ou jamais haverá simpatia e empatia entre leitor e texto à luz de cada parto.

Salvador, 25 de dezembro 2012.
Miguel Mensitieri.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Dupla comemoração: Douglas de Almeia recita poemas de Ruy Espinheira Filho na data do aniversário de ambos


terça-feira, 27 de novembro de 2012

Festa Literária do Sertão de Jequié começa nesta quinta



O regional que se torna universal 

Festa Literária revela a dimensão global de ícones nordestinos 
e discute temáticas diversificadas

Entre os dias 29 de novembro e 1º de dezembro a cidade de Jequié, localizada a 365 km de Salvador, sediará a primeira edição da Festa Literária do Sertão de Jequié. Com o tema central “O regional que se torna universal”, o evento pretende revelar a força global de ícones da cultura nordestina e discutir outros assuntos relacionados à literatura e outras linguagens artísticas.
No primeiro dia do evento o participante poderá ter uma ideia da variedade que marcará a programação. O escritor, jornalista e sociólogo Mouzar Benedito vai falar sobre mitologia brasileira e lança uma coleção de seis livros sobre mitos ecológicos da cultura de tradição oral no Brasil: O Saci - guardião da floresta; A Iara - encanto das águas; O Curupira - nosso gênio das matas; O Caipora - amigo dos bichos; O Boitatá - este mito é fogo!; Lobisomem, Cuca e Mula sem Cabeça - importados e naturalizados. Mouzar não se limitará à mitologia. Ele vai abordar também a história de Luiz Gama e lançará ainda o livro Luiz Gama, libertador de escravos, e sua mãe libertária, Luíza Mahin

O jornalista Carlos Souza Yeshua enfocará a estratégia mercadológica de Paulo Coelho que o transformou no escritor com mais de 100 milhões de livros vendidos e o autor vivo mais traduzido em todo mundo. O tema da palestra é Paulo Coelho – O Mago da Literatura. Carlos Souza Yeshua fará também o lançamento do livro que contém uma coletânea de artigos intitulado Carta ao Presidente - Brasileiros em busca da cidadania
A professora Maribel Barreto discorrerá sobre o tema A razão como base para desenvolvimento da consciência e lançará seu livro Ensaios sobre Consciência. 

Uma oficina sobre criação literária de crônicas será ministrada pelo escritor e professor Vitor Hugo Martins. Antes do Passado, o silêncio que vem do Araguaia: memória, verdade e história brasileira é o tema da palestra da  escritora Liniane Haag Brum, que também lançará um livro sobre o assunto

Centenários - Os cem anos de nascimento de Jorge Amado e Luiz Gonzaga e de criação do Jornal A TARDE serão lembrados. O diário baiano será homenageado por conta de seu apoio à produção literária baiana e por ser fonte de pesquisa para textos literários. Uma mesa redonda sobre curiosidades do Jornal A TARDE terá a participação dos jornalistas Carlos Ribeiro, Heloísa Sampaio e Marjorie Moura e o veículo  será representado na homenagem pelo seu gerente comercial, Edmilson Vaz.
A dimensão da obra de Jorge Amado será abordada em painel com a participação dos escritores e estudiosos dos textos amadianos Gildeci Leite, Adriana Barbosa, Bohumila Araújo e  Domingos Ailton;
O professor Erisvaldo Pereira dos Santos falará sobre Religião de matriz africana na literatura de Jorge Amado: a propósito do texto "O compadre de Ogum”. O professor Gildeci Leite lançará também o seu livro Jorge Amado: da ancestralidade à representação do orixás. A produção musical de Luiz Gonzaga terá como debatedores o cineasta Robinson Roberto, o jornalista César Rasec e os músicos Lourival Eça e Carlos Éden. Neste painel o   cineasta Robinson Roberto revelará imagens e informações inéditas sobre o Rei do Baião. Uma delas mostra o anão, que era de Jequié e integrou o trio   musical de Gonzagão. O poeta e cronista Luis Cotrim, um dos fundadores da Academia de Letras de Jequié e ícone do mundo literário da cidade, falecido  no último dia 3 de novembro aos 95 anos será também homenageado com dois documentários, um  de  Robinson Roberto e outro de Júlio Lucas. Cotrim será homenageado ainda com a entrega da Ordem do Mérito Cultural Luis Cotrim.
Contracultura dos anos 60 - A contribuição de artistas jequieenses para a contracultura dos anos 60 será um tema de discussão por parte dos cineastas Tuna Espinheira, Robinson Roberto, do artista plástico Dicinho e do ex-presidente da Agência Nacional de Petróleo - ANP, Haroldo Lima. Já o professor Luciano Costa Santos vai enfocar em sua palestra “Cultura nacional, modernidade e globalização”.
Adaptações literárias - O processo de  adaptação de uma obra literária para o teatro, o cinema e a televisão será o foco de discussão de um painel que contará com a participação dos cineastas Tuna Espinheira e Guido Araújo, dos jornalistas Joaquim Botelho e Rogéria Gomes e do ator Robério Lima, que interpretou “o professor” no filme Capitães da Areia, de Cecília Meireles, adaptado do romance de Jorge Amado.
Os  escritores Domingos Ailton, Carlos Ribeiro e  Morgana Gazel falarão sobre o poder de transformação da literatura. Poética visual na internet: a experiência das Concrecoisas é o tema da palestra do jornalista, compositor e poeta César  Rasec. O processo de produção e circulação de um livro terá como expositores os escritores Valdeck Almeida de Jesus, Roberto Leal e Carlos Souza. A jornalista e escritora Rogéria Gomes discorrerá sobre a história do teatro no Brasil e as grandes atrizes que marcaram os palcos brasileiros.
Literatura no contexto atual do Brasil é o tema da conferência de encerramento do evento, que terá como palestrante o presidente da União Brasileira de Escritores – UBE, o jornalista e escritor Joaquim Botelho.

Filmes - Não só debates compõem a programação da Festa Literária. Atividades culturais, como encenações teatrais, recitais de poesia, contação de histórias, declamação de cordéis e exibição de filmes de ficção e videocomentários também farão parte do evento. Serão exibidos Cascalho, de Tuna Espinheira, Cine Jequié e Luís Cotrim, de Robinson Roberto, Ambiente Natural e Memória de Contendas do Sincorá e O Candomblé na Cidade de Jequié, de Domingos Ailton, Testemunho de um leitor de Jorge Amado, de  Carlos Pronzato,  Caçadores da Alma, de Silvio Tendler e Luis Cotrim – Poeta Dourado, de Júlio Lucas.
A Festa Literária do Sertão de Jequié conta com chancela e apoio da Pró-Reitoria de Extensão  e Assuntos Comunitários da UESB,  da Academia de Letras de Jequié e da União Brasileira de Escritores - UBE.

Clique no link a seguir para ver toda a programação:

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Iª Flisje - Mitologia Brasileira, Jequié e a contracultura dos anos 60 e Cuíca de Santo Amaro são temas na programação da Festa Literária

O artista plástico Dicinho (3º da esq) entre Maurício Bastos, Lula Martins, Bené Sena, João Batista, Val Rodrigues, César Zama e Dermival Rios. Alguns deles, contemporâneos do chamado "grupo de Jequié" da contracultura  tropicalista. (FOTO: Zenilton Meira)
Mouzar Benedito: estudioso e defensor
da mitologia brasileira

A expectativa é grande para a Iª Flisje - Festa Literária do Sertão de Jequié. A festa que pretende homenagear o centenário de nascimento de Jorge Amado e ainda rememorar Luiz Gonzaga terá uma série de temáticas abordadas em palestras, mesas redondas e oficinas com diversos convidados. De acordo com o escritor Domingos Ailton, membro da ALJ - Academia de Letras de Jequié e integrante da comissão organizadora do evento: "é a primeira vez que uma cidade do sertão baiano terá uma festa literária, que reunirá nomes importantes da literatura e de outras linguagens artísticas do país".Na programação constam a participação do presidente da União Brasileira de Escritores (UBE), o escritor e jornalista Joaquim Maria Botelho, que irá proferir a conferência “A Literatura no contexto atual do Brasil”. Botelho também fará parte de uma mesa redonda juntamente com a jornalista e escritora carioca Rogéria Gomes e os jornalistas e escritores baianos Carlos Ribeiro e Carlos Souza, sobre literatura e jornalismo. Já o escritor, jornalista e sociólogo Mouzar Benedito ministrará a oficina “Mitologia Brasileira”, e o professor da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), Erisvaldo Pereira dos Santos, irá conduzir a palestra “Religião de matriz africana na literatura de Jorge Amado: a propósito do texto ‘O compadre de Ogum’”.
O humor inteligente e libertário de Cuica
de Santo Amaro será discutido e exibido em filme 
O cineasta Tuna Espinheira, que levou o romance Cascalho, de Herberto Sales, para o cinema, debaterá sobre o processo de adaptação de uma obra literária para as linguagens cênica, cinematográfica e televisiva, com a escritora Rogéria Gomes e o vice-coordenador do curso de Teatro da Uesb, Roberto de Abreu. A obra de Jorge Amado será debatida pelo escritor e jornalista Domingos Ailton e pela professora do Departamento de Ciências Humanas e Letras (DCHL) da Uesb, Adriana Abreu. Já a relação de Jequié com a contracultura dos anos 60 será tema de debate entre os cineastas Tuna Espinheira e Robison Roberto e o artista plástico Dicinho. Os escritores Valdeck Almeida de Jesus, Roberto Leal e Carlos Souza debaterão sobre o processo de produção e circulação de um livro. O poder de transformação da literatura terá como debatedores os escritores Domingos Ailton, Carlos Ribeiro Morgana Gazel e a professora do DCHL da Uesb, Zilda Freitas. Cultura nacional, modernidade e globalização será o tema da palestra do professor da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Luciano Costa Santos. A história de vida e a produção literária do cordelista Cuíca de Santo Amaro serão mostradas em palestra e exibição de filme por parte do jornalista e documentarista Josias Pires, autor da série da TVE Bahia “Singular e Plural”. 
No primeiro dia da festa literária serão empossados novos membros da Academia de Letras de Jequié. O público presente na festa literária terá oportunidade também de participar de oficinas de criação literária como a oficina de crônica, ministrada pelo escritor e professor da Uneb, Vitor Hugo Martins. Após suas respectivas palestras os escritores lançarão e autografarão seus livros. Também acontecerá exposição de obras de autores regionais e laçamentos de títulos com sessão de autógrafos.
Acesse o site do evento e veja todos os detalhes!

sábado, 3 de novembro de 2012

Tico Santa Cruz desabafa contra boato na internet sobre cancelamento do Enem

O vocalista Tico Santa Cruz, da banda Detonautas, manifestou sua indignação em texto que  circula nas redes sociais com a atitude de um twitteiro que disseminou hoje a falsa notícia de que o Enem teria sido cancelado. A notícia foi rapidamente compartilhada nas redes sociais e certamente acabou por prejudicar uma parcela dos candidatos que fariam a primeira etapa de provas que aconteceu hoje pela tarde em todo o território brasileiro. Veja na íntegra o desabafo do artista no texto a seguir: 


A internet vem gestando uma geração de cretinos sem rosto, que confundem humor com babaquice, ideologia com fanatismo, admiração com cegueira entre outros conceitos recheados de uma superficialidade sufocante repleta de hipocrisia, individualismo e narcisismo. 
Estou falando grego? 
No paradoxo da liberdade universal, babacas de todas as espécies, gêneros e orientações, armam seus palanques virtua
is e são aplaudidos por gente que reproduz o mesmo comportamento sem discernimento das consequências bizarras que isso vai gerando. 
Ninguém está livre do erro e nem certo o tempo inteiro, mas é indispensável que estejamos atentos a certos comportamentos que vem sendo disseminados pelas Redes Sociais para que não alimentemos sem perceber, parasitas sem vida social REAL que constroem um mundo de ilusões se protegendo por trás de telas de computador. 
Hoje um cretininho desses que se acham super espertos, se garantindo pelo anonimato que o Twitter ( EM TESE ) oferece, criou uma "Hastag" dizendo que o ENEM havia sido cancelado. Como se não bastasse a palhaçada, milhares de outros BABACAS foram retransmitindo a FALSA informação colocando a calúnia como o 4o assunto mais comentando nos TTs MUNDO.
Por ordem do Ministério da Educação a Polícia Federal foi investigar o responsável pelo ato e ÓBVIO que nem precisou chamar um Sherlock Holmes para em minutos chegar ao GÊNIO ao contrário que repercutiu com a frase: "Saí para almoçar e voltei foragido da polícia". 
Com 20 anos de idade, ao invés de estar fazendo algo de útil para si mesmo o palhacinho perde o tempo dele criando bobagens que poderiam ter prejudicado, se não prejudicou, um monte de jovens que estavam para fazer a prova hoje.
É preciso que esses bobalhões entendam que isso depõe contra nossa liberdade de fazer da internet um INSTRUMENTO REAL de disseminação útil de conteúdo e de transformações. Quando esses garotinhos mimadinhos e reclusos em uma realidade totalmente distorcida e ainda apoiados por outros milhares como eles, criam este tipo de FALSO ALERTA, estão tirando a credibilidade de ações que no futuro podem ser decisivas em situações em que as Redes sejam necessárias para a divulgação de temas importantes. 
É como aquela criança que fica se jogando na piscina e fingindo que está se afogando gritando por socorro e quando socorrida diz que era uma BRINCADEIRA, e certo dia quando precisa realmente da AJUDA, acaba morrendo porque ninguém deu crédito a seu chamado. 
Esses perfis de "humor" são seguidos por milhares de adolescentes que tem em "web celebridades anônimas" ídolos de barro, não tão diferente desses ídolos fantoches que existem na vida real, o que é muito preocupante. 
Por conta de pessoas assim é que os BUROCRATAS com canetas e poder querem controlar nossa comunicação via Internet. 
Não alimente este tipo de conduta e aprofunde-se o máximo que puder nas informações que são divulgadas pela internet para não cometer o EQUÍVOCO de partilhar esse tipo de atitude. 
Pobres meninos presos em telas de computador. Existe vida lá fora!

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Encerramento de "Uma Prosa Sobre Versos" 2012 tem José Inácio Vieira de Melo com "Pedra Só"

Após cinco anos de ação cultural de cunho literário e de valorização da poesia e estímulo à leitura, o projeto Uma Prosa Sobre Versos chega à culminância com a participação de José Inácio Vieira de Melo.
Alagoano radicado na Bahia, o jornalista e produtor cultural é também o próprio curador do projeto que proporcionou à cidade de Maracás a presença efetiva de 41 escritores da Bahia e do Brasil. 
Nesta ocasião, última noite literária do projeto, José Inácio Vieira de Melo vai lançar seu  sexto livro, PEDRA SÓ, pela editora Escrituras.
O evento realizado pela Prefeitura de Maracás, através da Secretaria Municipal de Educação e Diretoria de Cultura vai acontecer neste sábado, 27 de outubro, às 19h30, no Auditório Municipal da cidade.





sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Duas publicações de Dermival Rios estão previstas para breve. Veja um pouco da trajetória do cronista e dicionarista baiano

 Quem pensa que Dermival Ribeiro Rios tem descansado pelo fato de manter-se recolhido no sítio onde vive com a professora Márcia Auad, na Estrada da Fazenda Velha, em Jequié, engana-se. A produção do cronista e lexicógrafo está a todo vapor. Há algum tempo que ele tem se dedicado a projetos pessoais e nos próximos meses deverá acontecer importantes lançamentos para nossas letras. Pela Editora Ponto e Vírgula vem o Minidicionário Brasileiro da Língua Portuguesa, obra organizada conforme o Acordo Ortográfico. Em seguida será a vez do Dicionário do Falar Baiano sair do prelo.
Membro fundador da Academia de Letras de Jequié, cujo patrono é Ruy Espinheira, Dermival Rios nasceu no sul da Bahia na cidade de Ibirataia, na fazenda de cacau de seus avós. 
Em 1969, após terminar o segundo grau, estudou Ciências Sociais na Escola de Sociologia e Política (1972) e na PUC (1974/75). Dividido entre os estudos e a necessidade de trabalhar, não concluiu o curso. 
O jovem Dermival Rios ingressou no jornal Folha de S. Paulo (1960-61), como revisor, e na Editora Melhoramentos (1962-64). Nesta equipe, onde figuravam conhecidos nomes da cultura nacional, como Theodoro Henrique Maurer Jr., M.B. Lourenço Filho, Alceu Maynard de Araújo, Francisco Marins, Luíz Gonzaga Fleury, Tassilo Orpheu Spalding, participou da feitura de uma das obras mais importantes da lexicografia da época, o Novo Dicionário Brasileiro Melhoramentos. 
Nos bicudos anos da ditadura militar, em 1969, entre agosto e setembro foi preso político Em sua cela, entre outros, estava o professor Platão Salvioli e ao lado estava o ator Paulo César Pereio. Ficou impossível viver em São Paulo desde então. Não se sentia seguro, muito menos depois de ter sido preso como subversivo e sob a falsa acusação da prática de ações terroristas. 
No final de 1969, casado com Ana Rios, optou por prestar serviços como free-lancer a várias pequenas e médias editoras paulistanas. Foi o revisor e supervisor editorial do Dicionário da Língua Portuguesa, do professor Silveira Bueno (Editora Fortaleza) e editou pela Rideel um pequeno Dicionário de Sinônimos e Antônimos. Em 1980, fundaria a Livraria Sol, na Rua 2 de Julho, em Jequié. Ponto de encontro de jornalistas, intelectuais e poetas, ali eram realizados lançamentos de livros de autores regionais e de expressão nacional. A Sol prestava grande serviço de utilidade pública à cultura local dando apoios possíveis tanto aos escritores e poetas, como aos artistas de modo geral: pintores, atores de teatro, entre outros. 
Dermival Rios foi Chefe de Gabinete (1989-1991), e em seguida o primeiro Secretário de Cultura, Lazer e Esporte (91-92) no primeiro governo do Prefeito Luís Amaral. Por esse período coordenou a edição do livreto Jequié, síntese histórica e informativa (1992) e do volume Jequié, poesia e prosa (1992). Em Salvador, organizou para a Editora do Brasil duas obras: A Descoberta da Comunicação, (Língua Portuguesa para as séries do ensino fundamental), em parceria com a professora Normândia Lima, (1994), e um Dicionário do Estudante (1995). Nos anos seguintes foi editor do jornal A Folha, com Almenísio Carvalho, enquanto continuava ligado à lexicografia. No centenário da emancipação política de Jequié, organizou para a Academia de Letras local a obra comemorativa Cem Anos de Poesia e Prosa, que reuniu textos em prosa e versos de dezenas de jequieenses do final do século XIX aos nossos dias. 
Publicou, ainda, entre outras obras: Dicionário Global da Língua Portuguesa, em 2001, e um Dicionário de Sinônimos e Antônimos, em 2005 (ambos pela Editora DCL, de São Paulo). Em 2009 assumiu a Secretaria Municipal de Governo da Prefeitura de Jequié, até abril de 2011, ano em que seria publicada a segunda edição ampliada de Jequié – Síntese Histórica e Informativa.
Veja mais detalhes da história do lexicógrafo e cronista Dermival Rios na próxima edição da Revista Muito Mais.

sábado, 6 de outubro de 2012

Conheça a lista das 10 estratégias de manipulação através da mídia, elaborada pelo linguista Noam Chomsky, um dos maiores pensadores da atualidade


CHOMSKY E AS 10 ESTRATÉGIAS DE MANIPULAÇÃO MIDIÁTICA

1- A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO.
O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto 'Armas silenciosas para guerras tranquilas')”.

2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES.
Este método também é chamado “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

3- A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO.
Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

4- A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO.
Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

5- DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO CRIANÇAS DE BAIXA IDADE.
A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê? “Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestão, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade (ver “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”.

6- UTILIZAR O ASPECTO EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO.
Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos…

7- MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE.
Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossível para o alcance das classes inferiores (ver ‘Armas silenciosas para guerras tranqüilas’)”.

8- ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE.
Promover ao público a achar que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto…

9- REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE.
Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E, sem ação, não há revolução!

10- CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM.
No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.

Salve nosso patrimônio (Por Márcia Auad)

Antiga Biblioteca Municipal de Jequié
A cidade de Jequié acordou esta semana com a notícia de que o antigo prédio da Biblioteca Municipal seria ocupado pela Policia Militar, para que ali funcione uma base da PM. Nada temos contra o trabalho exemplar que o Comando da PM realiza em nossa cidade, entretanto desde maio deste ano foi aprovado um requerimento, por unanimidade, na Câmara Municipal de Jequié, para que naquele prédio histórico e de tantas histórias funcionasse a Academia de Letras de Jequié, com o objetivo de realizar ações leitoras e culturais, além de organizar um acervo literário, com livros da literatura mundial, nacional e em especial da literatura regional, aberto ao público para difusão e mediação da leitura.
Causa-nos estranheza que a terra de Waly Salomão, jequieense que ao morrer ocupava o cargo de Secretário Nacional do Livro e da Leitura, do Ministério da Cultura profane um lugar sagrado para as letras: quantos leitores frequentaram aquele espaço, quantos encontros culturais foram ali realizados durante todo o seu tempo de existência? Talvez se tivéssemos uma lei de proteção ao patrimônio material e imaterial isso não seria nem mesmo cogitado; talvez se tivéssemos a lei do livro e da leitura implementada (essa lei se encontra na Câmara de Vereadores aguardando aprovação) teríamos outra postura, e tantos outros senões.
O fato é que, como pessoas envolvidas com o livro e a leitura, nos sentimos levados a propor um movimento contrário a essa ação do executivo municipal, na busca de um diálogo para a solução desse problema. Já sofremos com o empobrecimento cultural provocado pela derrubada do Sobrado dos Grillos, nos idos de 1989, numa época em que poucos gritaram, e ninguém quis ouvir. Esperamos que agora nosso grito possa melhor ecoar e nossa mobilização venha deter esse ato impensado contra um patrimônio que é de todos os jequieenses, mas principalmente que é de todos os que amam a leitura, a memória e a cidadania.
Por isso, peço a todos que divulguem em suas redes sociais essa situação para que possamos ter ali naquele espaço mais ações leitoras e de cultura em favor da formação cidadã de um povo. E viva a democracia!


Marcia Auad
Professora do DCHL UESB/JEQUIÉ
Coordenadora do Proler-Programa Nacional de Incentivo à Leitura
Membro da Academia de Letras de Jequié, cadeira 24
Cidadã

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

José Geraldo Neres lança coletânea de contos em Santo André

O poeta, ficcionista e produtor cultural paulista José Geraldo Neres está lançando seu terceiro livro: Olhos de barro (Editora Patuá), em Santo André (SP).

O autor, que recebeu “Menção Especial” no 3º Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura (ficção – 2010), tem sido presença constante em eventos literários na Bahia (Salvador, Feira de Santana, Planaltino, Maracás).
Olhos de barro é uma coletânea de contos na qual "o lirismo tem precedência sobre o enredo", estruturada em cinco livros: Colheita de silêncios, Um pedaço de chuva no bolso, Sol rasgado aos pés da serpente, O silêncio das árvores e A fome dos nomes.
O evento será na sexta-feira (5 de outubro), às 19h, na Livraria Alpharrabio, na rua Eduardo Monteiro, 151 - Jd. Bela Vista. 
Antecedendo o lançamento está prevista uma conversa com o autor, intitulada: “OLHOS DE BARRO – a mística do texto habitável”, que contará com: Edson Bueno de Camargo (poeta e pedagogo) - Eduardo Lacerda (poeta e editor) - Kiusam de Oliveira (escritora e pedagoga). Intervenção musical de Henrique Krispim.


Tá voltando a circular o "Expresso 2222": Álbum antológico de Gil com capa de Edinízio Primo é relançado em CD


Posto aqui o artigo de Marcus Preto publicado recentemente na Folha de S.Paulo sobre a reedição especial que chega no mercado do antológico álbum de Gilberto Gil "Expresso 2222", remasterizado nos estúdios ingleses de Abbey Road. 
A socialização da notícia - sugerida em rede social pelo jovem guru, Narlan Matos, - tem um gostinho especial. No texto, constam curiosos depoimentos de Gil sobre a produção do álbum e destaca o revolucionário trabalho gráfico de Edinizio Ribeiro Primo, que na época resultou em prejuízo à gravadora. Agora, 40 anos depois, o disco retorna às lojas com a sofisticada capa do ibirataiense/jequieense fielmente reproduzida no formato para CD. 

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CANÇÃO DO PÓS-EXÍLIO (Por Marcus Preto)

Gil começou a gravar o "Expresso 2222" em abril de 1972 --três meses depois de chegar do exílio londrino, que durara dois anos e meio. As sessões aconteceram no estúdio Eldorado, no centro de São Paulo, sob a coordenação de Roberto Menescal.
Optaram por gravar ao vivo no estúdio (todos os músicos tocando juntos), o que agilizou bastante o processo. "Terminamos em uma semana", lembra Menescal. "O Eldorado deve ter sido cinema um dia e tinha um palco. Gravávamos em cima dele. Na época, os tropicalistas andavam em grupo. Então, os amigos sempre apareciam. Juntavam 15 pessoas na plateia."
Para o guitarrista Lanny Gordin, a velocidade das gravações se deveu aos muitos ensaios feitos na casa de Gil.
"Quando me reuni com o [pianista Antonio] Perna, o Bruce [Henry, baixista] e o Tutty [Moreno, baterista], parecia que a gente já se conhecia de outras encarnações. Falávamos pouco e nos comunicávamos pelo som", diz.
Lanny aponta uma revolução na maneira como Gil tocou violão naquele disco.
"Ele criou um novo estilo. Entrei na onda dele. Mudei meu jeito de tocar. Minha música, que era jazzística, ficou mais contemporânea", diz.
Tutty Moreno também vivia em Londres quando a maior parte dessas canções foi escrita.
Chegaram a morar na mesma casa: os dois, as respectivas mulheres de então (Ina e Sandra) e o pequeno Pedrinho --filho de Gil, que morreu em 1990, cuja foto estampa a capa de "Expresso 2222".
"Menescal, como produtor, respeitou integralmente as ideias do Gil, e o disco foi gravado sem nenhuma interferência", descreve o baterista.
Quase nenhuma. O espírito de liderança de Menescal teve de entrar em cena pelo menos uma vez.
É que, a exemplo de "Transa" (1972), de Caetano Veloso, a capa de "Expresso 2222" não seguiria os padrões "quadrados" dos discos comuns. Para tanto, foi encomendado a Edinizio Ribeiro Primo um projeto gráfico que também transformasse a embalagem do LP de Gil em obra de arte.
Primo fez um trabalho singular. Uma capa redonda, com diâmetro bem maior do que o do vinil que continha.
"Acabou 30% maior do que a dos discos convencionais", afirma Menescal. "Expliquei que não caberia nas caixas da transportadora nem nas prateleiras das lojas. Mas o cara não abria mão."
Teve que pedir que Gil interviesse. A solução conciliadora foi dobrar as bordas redondas para dentro da capa, fazendo-a parecer quadrada.
"Mesmo assim, custou tanto que deu prejuízo. Quanto mais vendesse, mais dinheiro a companhia perderia. Chegaram a torcer para vender pouco", conta Menescal.

Cada faixa do álbum comentada pelo próprio Gilberto Gil:

quarta-feira, 11 de maio de 2011

PAUSA PARA POESIA: A UM CERTO SINGULLAR (De Narlan Matos para Ferreira Gullar)


quarta-feira, 20 de abril de 2011

Chico César x Forrós de Plástico

(Por Jaime Martins para a coluna Cheio de Arte do site Bahia Notícias)
Acabo de ler a notícia da polêmica gerada pelo cantor e compositor Chico César com sua declaração sobre financiamento público de bandas que ele classificou como de “forró de plástico” na festa junina de Campina Grande, considerada o “Maior São João do Mundo”. Para quem não sabe (eu não sabia) Chico César é secretário de cultura do Estado da Paraíba e disse que o governo de lá não vai incentivar (ou seja: dar dinheiro) para os shows de bandas do tal forró de plástico. A saber, as bandas de forró moderno, que usam guitarras, teclados eletrônicos, dançarinos seminus e costumam fazer muito sucesso midiático-popular. Exemplos: Aviões do Forró, Magníficos, Calcinha Preta. Pois bem, muita gente se levantou para criticar Chico César e defender a diversidade, a liberdade de expressão, a livre escolha, etc. Eu também as defenderei, até a morte. Entretanto, vamos pôr os pontos nos ii, o que o secretário estadual de cultura da Paraíba disse e decidiu como política a ser adotada nada tem que ver com ditadura ou repressão (e nem sequer com gosto). Muito pelo contrário. Ora, o dinheiro público reservado para incentivo cultural é uma, digamos, verba de exceção, cuja finalidade é apoiar manifestações artístico-culturais reconhecidamente importantes para o imaginário da nação, mas que, por algum motivo, estão alijadas dos meios de comunicação e, por conseguinte, do gosto popular. Traduzindo: Calcinha Preta não precisa desse dinheiro porque eles gozam de plenas condições de se manterem apenas com a grana privada. Já Márcia Short precisa. É preciso desenhar?
Qualquer semelhança com o caso do blog de Maria Bethânia não é mera coincidência. Por causa da decisão do secretário Chico César, muitos parlamentares do glorioso estado se manifestaram em defesa dos forrós de plástico. O deputado Tião Gomes (PSL), que inclusive faz parte da base governista, disse não se pode impedir que aconteçam certos tipos de shows nos festejos juninos e nem obrigar a população a ouvir determinados estilos. Já para o deputado Raniery Paulino (PMDB) a declaração do Secretário foi infeliz. “O Governo não pode determinar os artistas que o povo deve ou não ouvir. Foi um desrespeito aos artistas que fazem os citados tipos de música. O poder público não pode classificar o que é bom para o povo, ou escolher o que ele tem que ouvir”, disse. Na verdade, as opiniões dos deputados só servem para comprovar que eles não entendem a lei de incentivo cultural. De fato, não se pode determinar o que o povo deve ouvir. Mas é isso que as rádios e TVs fazem o tempo todo, com a nefasta política do mais fácil e do nefasto jabá, e é só por isso que existem a Lei Rouanet e afins. Chico César não quer banir ninguém do São João paraibano, mas, parafraseando os Titãs podemos dizer que “dinheiro público é para quem precisa”. Fim. Uma analogia clara: o mercado é livre, mas se o feijão sobe muito de preço, o governo tem que tomar alguma medida de equilíbrio e isso pode se dar com medidas de incentivo ao cultivo de outros produtos. Chico César se defendeu: “(...) nunca nos passou pela cabeça proibir ou sugerir a proibição de quaisquer tendências. Quem quiser tê-los que os pague, apenas isso. O Estado encontra-se falto de recursos e já terá inegáveis dificuldades para pactuar inclusive com aqueles municípios que buscarem o resgate desta tradição [junina]".
Vejam bem, não sou comunista. Encaro com toda a desconfiança do mundo a intervenção do Estado na vida cultural de um povo. Não gosto deste papo de resgate da tradição. Não acredito em tradição estanque, conservada em formol, resguardada em mil preconceitos e medos. A tecnologia faz parte da cultura humana. Se eu fosse contra tocar forró com guitarra e teclado em defesa das sanfonas, teria que ser contra as sanfonas quando estas substituíram as rabecas. E assim regressivamente. É preciso lembrar que o próprio Luiz Gonzaga foi acusado de falsificar a verdadeira música nordestina para agradar as massas urbanas do sul. Não faço parte desse coro abobalhado. Não sou um alternativo de Salvador guardião de reservas florestais do samba ou do baião ou do rock’n’roll. E nem um ressentido desses que querem sempre afundar o time que está ganhando. Mas o buraco dessa questão é mais embaixo e, definitivamente, do jeito que está não dá pra ficar. Com ou sem dinheiro público. A defesa de Chico César se deu através de nota à imprensa que dizia também: “São muitas as distorções, admitamos. Não faz muito tempo vaiaram Sivuca em festa junina paga com dinheiro público aqui na Paraíba porque ele, já velhinho, tocava sanfona em vez de teclado e não tinha moças seminuas dançando em seu palco. Vaias também recebeu Geraldo Azevedo porque ele cantava Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro em festa junina financiada pelo governo aqui na Paraíba, enquanto o público, esperando a dupla sertaneja, gritava ‘Zezé cadê você? Eu vim aqui só pra te ver’”.
Ou seja, pelo que diz o próprio Chico César, não adianta nada aplicar bem o dinheiro público nessas, repito, ‘medidas de exceção’. Isso porque o gosto se faz no cotidiano e este está sitiado pela mesmice promovida pelos meios de comunicação. Não adianta nada enfiar Sivuca na goela da galera em junho, mesmo com licor de jenipapo, se o ano inteiro tudo o que existe é tão distante das barbas brancas e das melodias líricas pungentes do velhinho. O mal está na mídia: na Folha de São Paulo, na Rede Globo, na Rádio Metrópole, no Bahia Notícias, que forjam um repertório artístico-cultural reduzidíssimo para a população. A usura dessa gente já virou um aleijão que não será sanado com meros protecionismos de Estado. É preciso criminalizar o jabá e apelar pelo bom senso, pela coragem e pela responsabilidade de quem faz a imprensa. Se for falar em resgate, eu prefiro lembrar que o mesmo Sivuca já fez trilha sonora de filmes d’Os Trapalhões, por exemplo, num tempo em que os grandes artistas eram naturalmente populares simplesmente porque não eram ignorados pela mídia, ou trocados por saquinhos de dinheiro como fez Judas com Jesus. É preciso resgatar essa saúde dos meios de comunicação e botar Lucas Santtana no Domingão do Faustão, Glauco Mattoso no Jornal Nacional, Vera Egito n’A Fazenda, etc. Concordo ainda mais com o finalzinho da declaração de Chico César: “Intolerância é excluir da programação do rádio paraibano (concessão pública) durante o ano inteiro, artistas como Parrá, Baixinho do Pandeiro, Cátia de França, Zabé da Loca, Escurinho, Beto Brito, Dejinha de Monteiro, Livardo Alves, Pinto do Acordeon, Mestre Fuba, Vital Farias, Biliu de Campina, Fuba de Taperoá, Sandra Belê e excluí-los de novo na hora em que se deve celebrar a música regional e a cultura popular”.
Como disse certa vez o poeta Haroldo de Campos, a política adotada pela Secretaria de Cultura da Paraíba nesse caso do São João “está ligada a um vetor que não tem nada a ver com juízo de valor e tudo a ver com as exigências do tempo”. Vou dar ainda mais um exemplo, formular outra ilustração: se houver uma verba pública para o mercado editorial, você acha que esta deve ser aplicada para publicar um livro do mesmo Haroldo de Campos ou de Paulo Coelho (ou Jorge Amado)? E eu não citei estes nomes pensando em suas literaturas, mas em suas vendagens. É para isto que existe a verba, para dar competitividade a eventos de maior ousadia e menor apelo midiático (ou mediúnico). As citadas vaias a Sivuca me fizeram lembrar, quase em lágrimas, de um papo que tive recentemente com o músico Armandinho (não o do reggae como pode pensar alguma repórter da TV Aratu). A certa altura falei de Paulo Moura, do mito que ele é para mim; de um show deles (+ Yamandu Costa + Marcos Suzano) em homenagem a Tom Jobim (patrocinado pela Natura!), que vi na Concha Acústica; do meu encontro com o clarinetista, por acaso, no Sto. Antonio Além do Carmo. Armandinho comentou alguma coisa da musicalidade de Paulo Moura e emendou com uma queixa furiosa contra o público de Salvador. “É o mais mal educado que existe”, disse-me. E disse ainda, o grande guitarrista, que em um show na Praça da Sé, as pessoas ficavam batendo no chão do palco, pedindo música de carnaval, mandando tirar “esse velho daí” e outros absurdos que tais. Solidarizam-nos na revolta desolada, na tristeza, o grande músico e eu. Voltei para casa chocado. Mas, agora refletindo, isso tem tudo a ver com a menina, repórter da área cultural, em plena Salvador, que simplesmente não conhecia Armando Macedo, rei do carnaval. E isso tudo tem que ver com essa pendenga entre Chico César e o forró de plástico. Estou com Chico César. Mas repito, enquanto os veículos de comunicação continuarem promovendo esta hipnose em massa, não vai adiantar nada botar ‘Siba e a Fuloresta’ para tocar no palco do “Maior São João do Mundo”. Quando acabar a aula de meio ambiente, o menino mostra o 10 da prova pra mamãe e papai e depois joga o papel no chão entupindo o bueiro.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Quando uma palavra é duas

No idioma dos sumérios, “flecha” e “vida” eram iguais: ti.
Na língua maia do Yucatán, “beijar” se diz ts´uts. “Fumar” também.
Em guarani, Che há´u significa “eu como” e também “eu faço amor”, e ñe´e significa “palavra” e também “alma”.
Em quíchua, suk é “um” e ao mesmo tempo é “outro”.
Na Mongólia, muhai quer dizer “horrível” e “querido”.
Em russo, “eclipse” também significa “loucura”, e o signo chinês da palavra crise expressa “perigo” e também “oportunidade”.

Eduardo Galeano (2002)