Este é o Miscelânea, por Júlio Lucas

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quinta-feira, 19 de novembro de 2020

ELEIÇÕES 2020 - Qual recado o eleitor deixa nas urnas à classe política brasileira?




Em meio à pandemia, que já registrou mais de 165 mil mortes no país, milhões de brasileiros compareceram às urnas no último domingo (15) para a escolha dos seus representantes que ocuparão os cargos de prefeitos e vereadores a partir de janeiro de 2021. Mais de meio milhão de candidatos concorreram ao pleito em 5.567 municípios brasileiros. De fora ficou Macapá (AP), por conta do apagão, além do Distrito Federal e Fernando de Noronha, territórios diferenciados que não participam de eleições municipais.

Dos 147,9 milhões de eleitores aptos a votar, mais de 30% deixaram de escolher seus representantes. O número recorde ultrapassou a soma dos 45 milhões de ausentes, nulos e brancos. Mas essa possível reafirmação de descrença na classe política, parece ter deslocado o desânimo para um comportamento reativo do eleitorado. Esperava-se que essa tendência já demonstrada na última eleição em 2016, quando 27,8% abriram mão do sufrágio universal, somada às restrições impostas pela Covid-19, provocasse bem mais abstenções superando com folga o índice histórico, desde a adoção da urna eletrônica em 1996. Nesse cenário geopolítico em constante mobilidade, intensificado pela pandemia - a exemplo da corrida presidencial nos EUA em que a maioria participativa negou a Trump a reeleição – foi o clamor popular por maior atenção à ciência, saúde, meio ambiente e justiça social, que a tecla verde CONFIRMA emitiu mais vezes no último domingo.

Um indicativo bem-humorado do arrefecimento da onda bolsonarista pode ser visto nos memes alusivos ao “Mick Jagger da política”, numa associação direta da imagem do presidente à fama de pé frio do roqueiro inglês. Surgidos desde que Bolsonaro passou a amargar sucessivas derrotas de seus aliados ideológicos na Argentina, Bolívia, Venezuela, Estados Unidos. As piadas na internet se intensificaram nas horas seguidas à totalização dos votos pelo TSE, ao constatarem-se que, dos sete indicados por Jair Bolsonaro ao posto de prefeito - numa certa lista publicada e logo retirada das redes sociais após a divulgação dos primeiros resultados das eleições brasileiras - cinco pupilos saíram do páreo e os dois que estão no segundo turno, Capitão Wagner (Pros), em Fortaleza, e o prefeito Marcelo Crivella (PRB), no Rio de Janeiro, chegam na segunda colocação da disputa. O caso de Celso Russomanno (Republicanos), favorito de Bolsonaro em São Paulo, foi mais gritante: o midiático defensor do consumidor ficou em quarto lugar com pouco mais de 10% dos votos.

A fulminante perda de território da extrema direita vai além. O PSL, que surfou na onda do bolsonarismo em 2018 tornando-se a segunda maior bancada da Câmara Federal, volta à condição de legenda nanica depois do pífio desempenho nas urnas que o levou a ocupar as últimas posições no ranking de partidos com candidatos eleitos.

Mas não só a extrema direita recebeu do eleitorado claro recado de insatisfação. A perda do protagonismo do PT diante das esquerdas, que já vinha abalado desde as últimas eleições, também vem se confirmando. A escalada de Guilherme Boulos (PSOL), aos 38 anos, com mais de um milhão de votos na capital paulista que o conduziram ao segundo turno contra o prefeito Bruno Covas, demonstra a procura do maior colégio eleitoral do Brasil por nova cara da esquerda. O mesmo aconteceu com Manuela D’ávila do PCdo B que aos 31 anos segue para o segundo turno em Porto Alegre com 29% dos votos.

Potencializados com o sucesso no primeiro turno os partidos do bloco chamado Centrão, como o PP, PSD, PTB, PL e Republicanos, elegeram mais de dois mil prefeitos. Um outro fator pode deixar Bolsonaro com barbas de molho: o destaque também do MDB, do DEM e do PSDB. Entre as 100 maiores cidades do país, os tucanos conquistaram nove; os emedebistas, oito; democratas, cinco. Essa situação coloca o presidente da república refém da ala mais fisiológica para conseguir palanque na sua ambição por reeleição em 2022

Longe dos discursos extremistas, o soteropolitano, demonstrando aprovação da condução da capital baiana pelo prefeito ACM Neto nos últimos oito anos, garantiu a ascensão do seu sucessor Bruno Reis já no primeiro turno com a folga de mais de 500 mil votos à frente da segunda colocada, Major Denice, do PT. Mas nem tudo é perda e dano para o Partido dos Trabalhadores. Parte do povo baiano também corresponde positivamente à batuta do governador Rui Costa nas maiores cidades do interior. Há condições de retomada com Zé Raimundo (PT) à frente de Hérzem Gusmão (MDB), atual prefeito, que tenta a reeleição nessa segunda etapa do pleito em Vitória da Conquista. Outra disputa acirrada ameaça, em Feira de Santana, a permanência de um emedebista: Colbert Martins X Zé Neto, do PT. Este, detém o primeiro lugar com 41,55% dos votos. Em Jequié, terra da primeira dama do estado, Aline Peixoto, uma ampla coligação sob apoio do governador leva Zé Cocá (PP) a gerir o município pelos próximos quatro anos.

Resta aguardar a definição do panorama nacional após 29 de novembro quando 57 cidades no país, entre as quais 18 capitais, irão ao segundo turno. Duas, ainda estão com a situação indefinida, 'sub judice', no Rio de Janeiro. Só então se desenhará um prognóstico mais confiável do desenrolar da instável política brasileira pelos próximos anos, visto que o PT continua na disputa por 15 prefeituras, de acordo com os dados do TSE, seguido do PSDB, que permanece na corrida em 14 municípios.

sábado, 14 de novembro de 2020

Mudanças nas eleições em tempos de pandemia, mas nem tanto.

 

Neste domingo a nação brasileira mais uma vez volta ás urnas para escolher seus representantes dos poderes legislativos e executivos municipais. Com exceção de Macapá, por conta do apagão, serão 5569 municípios a definir prefeitos, vice-prefeitos e vereadores que ocuparão os cargos nos próximos quatro anos. São 147,9 milhões de eleitores aptos a votar nesse pleito.

A pandemia, no entanto, impôs algumas restrições nas Eleições de 2020: a começar da data que seria em outubro e foi adiada para este domingo, 15 de novembro, algumas mudanças foram implementadas para garantir mais segurança ao eleitorado diante da crise sanitária causada pela COVID-19. O horário de votação foi estendido das 7h às 17h, sempre no horário local. Idosos terão preferência na votação durante as três primeiras horas do dia. Quem estiver com febre, ou foi diagnosticado com coronavírus até 14 dias antes das eleições, deve evitar votar desde que comprove com exames ou atestado ao justificar a ausência.

Bom saber que quem estiver sem máscara não terá acesso à urna. Os locais de votação vão contar com álcool em gel para higienizar as mãos, mas o TSE recomenda que os eleitores levem a própria caneta para assinar o caderno de votação. Em caso de filas, deve-se manter a distância mínima de um metro em relação as outras pessoas. Nas eleições deste ano não será possível justificar o voto pessoalmente, para fazê-lo basta acessar o item “justificativa de ausência” no aplicativo e-Título. Não tendo acesso à internet, será necessário comparecer a qualquer cartório eleitoral, dentro do prazo de 60 dias, para prestar contas com a Justiça Eleitoral.

No mais, tudo como antes no quartel de Abrantes. A levar em consideração o comportamento de boa parte dos candidatos que não respeitaram as recomendações de distanciamento, promovendo aglomeração no período de campanha, certamente veremos mais uma vez um festival de poluição com a distribuição de santinhos emporcalhando as ruas na velha prática de boca de urna.

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