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| Presidente brasileira em coletiva à imprensa na visita à Cuba |
Em sua primeira visita de Estado à Cuba, nesta terça-feira (31/01), a presidente Dilma Rousseff disse em entrevista coletiva que não se pode tratar de direitos humanos criticando apenas certos países. "O mundo precisa se comprometer em geral. Não é possível fazer da política de direitos humanos só uma arma de interesse político e ideológico. O mundo precisa se convencer que é algo que todos os países do mundo têm de se responsabilizar, inclusive o nosso".
| Encabeçada pelo documentarista Dado Galvão, mobilização propõe aos internautas trocar seu avatar na rede social pela emblemática foto de Dilma quando presa pelo regime militar nos anos 70 |
A chegada de Dilma ocorre 11 dias após falecimento do opositor cubano Wilman Villar, que morreu em meio a uma greve de fome pela qual protestava por ter sido condenado a quatro anos de prisão. Fato semelhante aconteceu em 2010 quando o ex-presidente Lula, também em visita à Cuba, preferiu não interferir no caso do prisioneiro Orlando Zapata que morreu em greve de fome protestando contra as condições carcerárias.
Dilma disse ainda que desrespeitos aos direitos humanos ocorrem em todas as nações, inclusive no Brasil, e coadunando com as palavras de Raul Castro, quando tentava justificar o triste episódio de Zapata em 2010, preferiu citar como exemplo as violações denunciadas na base americana de Guantánamo. E completou: "Quem atira a primeira pedra tem telhado de vidro. Nós no Brasil temos o nosso. Então eu concordo em falar de direitos humanos dentro de uma perspectiva multilateral".
O posicionamento de Dilma diante das questões dos direitos humanos em Cuba vinha sendo aguardado com expectativa pela imprensa internacional por causa da escritora cubana Yoani Sánchez, que enviou uma carta à presidente pedindo sua interferência para que ela consiga permissão do governo cubano para deixar o país e viajar ao Brasil para assistir ao documentário de Dado Galvão em Jequié - Bahia. Quanto a este assunto, Dilma disse já ter feito sua parte concedendo o visto para a dissidente cubana.
O documentarista Dado Galvão, que encabeça campanha para Yoani vir ao Brasil, na entrevista que deu ao programa Tribos do Rock, na 105 FM de Jequié, no sábado passado (28/01), disse com certo otimismo que acredita que mesmo que publicamente a presidente Dilma não interfira na questão (certamente para não afetar as relações recheadas de interesses econômicos entre os dois países), a diplomacia brasileira deverá trabalhar nos bastidores em favor da blogueira.
Nesta guerra ideológica entre argumentos e contra-argumentos, creio que o cineasta e jornalista global Arnaldo Jabor foi feliz ao dizer em sua crônica televisiva que a frase de Dilma: "não podemos fazer dos direitos humanos uma arma de combate político-ideológico", poderia ser aperfeiçoada. Para Jabor, o contrário também é verdadeiro: "a defesa de ideologias e regimes não pode ser um pretexto como justificativa para se ignorar e ferir direitos humanos fundamentais".

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